
   

  DORMINDO COM UM ESTRANHO
   
    Anne Mather




Resumo
Aquelas frias na maravilhosa ilha de Santos deviam ser uma experincia relaxante, mas nada mais que descer do ferry, Helen Shaw se encontrou com atraente magnata 
grego Milos Stephanides. Anos atrs, tinham tido uma apaixonada aventura que tinha deixado destroada a Helen ao descobrir que ele lhe tinha sido infiel.

Agora Helen tinha algo que lhe esconder, por isso decidiu manter-se a distncia. Mas a atrao que havia entre eles era to abrasadora como o sol da Grcia...
Havia se reencontrado com o homem ao que mais coisas tinha que ocultar...






Captulo 1

     Helen estava apoiada no corrimo quando o ferri atracou em Santeiros. Milos podia v-la claramente apesar da grande tenso que lhe embargava. E tinha que admitir 
que ainda era uma das mulheres mais belas que j tinha visto.
     Ou com as que se deitou, acrescentou, tentando esclarecer o fato de que ia ver-la de novo. Apesar de que tinham passado quatorze anos desde que teve algo que 
ver com ela, no podia negar os nervos a flor de pele ou as tumultuosas emoes que sua mera viso inspirava.
     Theos, o que lhe estava passando? Ela se tinha convertido em uma esposa, uma me e uma viva desde aquele encontro em Londres. Deveria hav-la esquecido. E 
assim tinha ocorrido, reafirmou-se com determinao.
     Era sua imaginao ou Helen parecia um pouco inquieta depois da viagem? Dois vos e um trajeto em ferri depois, podiam causar tal coisa, pensou. Mas ele no 
tinha nenhuma experincia de primeira mo, j que o tinham mimado com avies privados, helicpteros e iates.
     Entretanto ela estava aqui agora e Sam, seu pai, estaria encantado. Tinha falado de pouco mais desde que ela aceitou seu convite. Milos estava seguro de que 
Sam teria querido v-la pessoalmente, mas mesmo assim lhe pediu que o fizesse ele. Sam tinha assumido que sua relao prvia com ela daria um poder de convico 
que ele no tinha. Se ele soubesse...!
     Mas naturalmente Sam estava nervoso pela visita.
     Quase tinham passado dezesseis anos desde que tinha visto sua filha pela ltima vez e ento tinha sido em condies nada favorveis. Segundo ele, sua primeira 
esposa se assegurou de que sua filha s soubesse uma verso da histria. Uma histria que implicava a um Sam desiludido relacionando-se e finalmente casando-se com 
uma grega morena e atrativa que tinha conhecido em uma viagem de negcios a Atenas.
     Quando uns vinte meses mais tarde Milos conheceu Helen, ela tinha mostrado uma grande hostilidade para seu pai, no menor a que mostrou quando descobriu que 
ele tinha sido infiel a sua me. Jogou a culpa a ele. Era jovem, idealista e irremediavelmente ingnua.
     Mas to vulnervel... teve que reconhecer Milos com desinteresse. Ele se tinha aproveitado dessa vulnerabilidade. Endaxi, ele no tinha sido o nico culpado, 
justificou-se. Ela tinha sido mais que complacente na hora de satisfazer suas peties.
     O sentimento de culpa ele teve mais tarde. Quando voltou para a Grcia. No disse a ningum o que ocorreu durante a viagem. Nem sequer a sua famlia; nem a 
Maya, a segunda esposa de Sam; e tampouco a Sam, que confiava nele. Mas o pior sentimento de todos era que de algum modo havia se traido a si mesmo. E agora estava 
ali, enquanto observava o ferri. O problema foi que seu prprio matrimnio, que seu pai arrumou contra sua vontade, estava-se rompendo por aquela poca e ele tinha 
estado procurando diverso. E essa diverso a proporcionou Helen, pensou amargamente. Mas depois ela o tinha abandonado, demonstrando o imatura que era.
     Naturalmente, ele no tinha esperado chegar  situao em que agora se encontrava. O distanciamento entre a Helen e seu pai e Maya lhe tinha convencido de que 
nunca ia produzir-se uma reconciliao. Que equivocado tinha estado! Ficou-se estupefato quando Sam anunciou que Helen e sua filha iam de frias  ilha. Mas fazia 
quase um ano que o marido de Helen tinha morrido, explicou Sam, e a carta que tinha escrito expressando suas condolncias tinha ajudado a limar asperezas entre eles.
     Um homem mais cnico se teria perguntado se a surpreendente mudana de sorte de Sam tinha algo que ver com a mudana nos sentimentos de sua filha. A pesar do 
fato de que sua carreira como importador de vinhos na Inglaterra tinha pouco que ver com o verdadeiro cultivo das uvas, conhecer Maia e conseqentemente fazer-se 
cargo do ruinoso vinhedo de sua famlia lhe tinha convertido em um homem rico. Durante os ltimos dez anos, Ambeli Kouros, como era conhecido o vinhedo, tinha prosperado 
e Sam Campbell se converteu em um homem muito respeitado na ilha.
     Uma garota apareceu quando o ferri atracou, abrindo passagem atravs da multido de passageiros para unir-se a Helen no corrimo. No era sua filha, disse-se 
a si mesmo, apesar de sua aparente familiaridade. Levava uma camiseta preta sem mangas e jeans pretos largos recolhidos  altura dos tornozelos; o tipo de visitante 
com lpis de lbios preto, cabelo orvalhado em verde grito e piercings nas orelhas do que a ilha podia prescindir perfeitamente, pensou Milos. No podia ser mais 
diferente de Helen.
     Esperou que um grupo de adolescentes com mochilas que estavam desejando desembarcar a chamassem. Esta era uma dessas ocasies nas que desejava que sua famlia 
possusse a totalidade da ilha e no s uma grande parte dela.
     Colocou-se uma passarela de madeira do molhe, e quando os passageiros se dirigiam para ela, Milos viu a menina falando com Helen. No pde decifrar o que ela 
disse, mas pareceu que no era algo que Helen queria ouvir, j que depois houve uma curta e acalorada discusso entre elas.
     Milos tomou flego. Essa viagem podia fomentar as amizades mais insuspeitadas; essa criatura no podia ser a filha de Helen. Fosse como fosse, estavam descendo 
a passarela agora e seus olhos se fixaram no rosto corado de Helen.
     Deu-se conta de que havia cortado o cabelo. Mas estava to magra e encantadora como sempre. Reconheceria-o? Depois de tudo tinham passado mais de quatorze anos. 
Estava-se adulando ao pensar que ela poderia lembrar-se to bem dele como ele se lembrava dela?
     Ento seus olhares se encontraram, e ele ficou sem respirao. Theos, ela se lembrava perfeitamente dele. Por que se no porque havia tal mescla de medo e dio 
em seus olhos?
     -Quem  esse? -perguntou Melissa.
     -Quem  quem? -respondeu Helen.
     -Esse homem -disse Melissa taxadamente ao mesmo tempo que colocava sua mochila sobre o ombro
     - Vamos, mame. Est-nos olhando fixamente. No  seu pai, verdade?
     -Dificilmente -disse, reconhecendo que s ela podia conhecer a ironia dessa afirmao -. Seu nome  Milos Stephanides. Seu av deve hav-lo enviado para nos 
recolher.
     -Sim? Como  que o conhece? -Oh... -Helen no queria falar disso nesse momento-. Conheci-o... faz anos. Seu av lhe pediu que viesse a nos visitar quando foi 
a Inglaterra. Isso ocorreu antes de que nascesse.
     -E ainda se lembra de ti? -refletiu Melissa-. O que aconteceu? No me diga que a estreita de minha me teve de verdade uma aventura com um operrio grego sexy!
     -No! -Helen estava horrorizada, olhando ao redor para assegurar-se de que ningum tinha ouvido as palavras de sua filha-. E pelo que sei, no  um operrio. 
Simplesmente trabalha para seu av, isso  tudo.
     -Bem, o que outra coisa se pode fazer em uma granja? -perguntou Melissa impacientemente. -No  uma granja -respondeu Helen.
     -Sim que o  -Melissa lhe jogou um olhar sardnico-. No me vais contar isso -soprou-. Deveria ter sido mais preparada e no hav-lo perguntado.
     Helen no tinha tempo para responder a isso. Tinham alcanado o molhe e Milos estava indo para elas. Usava uma camisa desabotoada a meia altura do peito e umas 
calas pretas ajustadas. Deus, estava irresistvel. Seu cabelo estava um pouco mais comprido de como o recordava? Mas a magra e atrativa cara que tinha aparecido 
em seus sonhos durante todos estes anos seguia sendo terrivelmente familiar.
     Quis fugir e voltar para o ferri. Sabia perfeitamente que era um risco ir ali, mas como ia saber que o primeiro rosto que ia ver ia ser o dele? Alm disso, 
com Melissa lhe jogando o flego no pescoo e uma mala dando golpes em seus calcanhares, no havia nenhuma alternativa a no ser seguir adiante. Tinha que agentar 
isso. Se acaso demonstrasse a esse estranho que tinha superado a ele e que tinha seguido com sua vida.
     No ajudou que, apesar de seus saltos altos, ainda tivesse que elevar a cabea para poder olh-lo aos olhos. Recordou-lhe o passado de forma excessivamente 
dolorosa e por um momento pensou que no ia ser capaz de fazer isso. Mas o sentido comum voltou e com um controle admirvel disse:
     -Ol, Milos. Que amvel vir a nos receber. Enviou-te meu pai?
     A indireta era inconfundvel, mas ele permaneceu parrado ante ela.
     -Ningm me enviou -disse, com seu familiar acento-. No sou um artigo de correio.
     "No, no o ", quis dizer Helen severamente. " muito mais perigoso". Mas na realidade disse:
     -Sabe ao que me refiro -olhou-o aos olhos por um segundo- Meu pai est contigo?
     -No -Milos lhe fez desaparecer essa esperana com fria arrogncia-. Teve uma boa viagem?
     -Est de brincadeira! -entremeteu-se Melissa, e Helen viu que Milos olhava para longe ignorando a resposta da garota.
     -Onde est sua filha? -disse sucintamente-. Pensava que vinha contigo.
     -Eu sou sua filha -anunciou Melissa, claramente ressentida por sua atitude-. Quem  voc? O chofer de meu av?
     A expresso de Milos no mudou, mas Helen percebeu de que ficava tenso.
     -No, o vosso -respondeu-.  esta toda a bagagem que trazem?
     Helen se sentiu ofendida e incmoda. J era bastante duro ter que tratar com um homem que uma vez a tinha feito sentir-se como uma tola para ter que sentir 
vergonha da atitude de sua filha.
     -Sim -disse enquanto jogava um olhar assassino a Melissa-. Est...est longe Aghios Petras?
     -No muito -replicou Milos enquanto que recolhia sua mala-. Me sigam.
     -No deveria dizer ilthateh sto Santows? -perguntou Melissa, sem se importar com a vergonha de sua me-. Isso significa "bem-vindos a Santeiros" -acrescentou-. 
Est bem, eh?
     Milos a olhou, mas se ela esperava uma reao zangada se decepcionou.
     -Estou contente de que tenha interesse em aprender minha lngua -disse-lhe suavemente-. Then to ixera.
     -Sim -mas Melissa ficou perplexa e, colocando seu livro de frases no bolso de seu jeans, adotou sua acostumada agressividade quando tinha que fazer frente a 
alguma oposio-. Bom, na realidade no estou interessada em aprender grego -disse grosseiramente-. Bom. Vamos? Helen apertou os dentes. Melissa era impossvel. 
Como tendo piedade dela, Milos disse:
     -Seu pai no pode esperar mais para ver-te -disse. Ento acrescentou-: O carro est ali.
     -Eu tambm estou desejando lhe ver -confessou Helen, andando a seu lado-. Est muito doente?
     -Ele est... to bem como se pode esperar -respondeu surpreso-. Para sua idade est bem -fez uma pausa e acrescentou foradamente- Lamentei o acidente de seu 
marido.
     -Obrigado -mas Helen no queria falar sobre Richard. E menos com ele. Esforou-se por dizer outra coisa e encontrou a resposta perfeita- Como vai ultimamente 
a sua esposa?
     -Divorciamo-nos -disse, obviamente sentindo-se to ofendido por sua pergunta como ela o esteve pela sua-. Seu marido devia ser muito jovem quando morreu.
     -Tinha...
     -Uma bebedeira -entremeteu-se Melissa, cansada de ser ignorada. Ento, antes de que algum dos adultos pudesse responder, exclamou- Uau!  este seu carro? Uau!
     Incapaz de refrear-se, os olhos de Helen encontraram os de Milos. Quase podia ver o que estava pensando. Estava se perguntando que tipo de gens tinha gerado 
tal monstro, e ela no podia culp-lo. Nem sequer podia lhe jogar a culpa  morte prematura de Richard. Melissa tinha estado fora de controle muito antes disso.
     -Sobe na parte de trs -disse Milos  menina, lhe abrindo a porta do impecvel Mercedes.
     Havia um inconfundvel tom cortante em sua voz, e, como era de esperar, Melissa lhe respondeu.
     -Com quem achas que est falando? -espetou, sem incomodar-se em obedecer. Apoiou o quadril contra o carro e passou uma unha pintada de negro pela reluzente 
pintura prateada-. No me pode dizer o que tenho que fazer. No sou sua filha.
     Uma expresso furiosa cruzou o rosto de Milos, e Helen imaginou que ele estava pensando que nenhuma filha sua atuaria assim. Se ele soubesse...
     -Simplesmente faz-o! -Foi tudo o que disse Milos, desafiando Melissa a discutir com ele outra vez. Mas Melissa resmungou um palavro e manteve sua atitude.
     -Por favor -acrescentou Helen, temendo outra cena-, Melissa, por favor!
     -OH... de acordo.
     Melissa aspirou ruidosamente, mas no final se rendeu. Jogando para frente o assento dianteiro, lanou sua mochila sobre o delicado couro marroquino e subiu. 
Mas no fez nenhuma tentativa para evitar esfregar seus desgastados tnis pela parte de trs dos assentos.
     -Est contente agora? -perguntou-lhe Melissa.
     Helen no o estava, mas no era o momento para manifest-lo. Era muito consciente dos perigos que Milos representava e de quo mal a ela lhe dava mentir. O 
dia tinha comeado mal depois de uma noite de insnia e de repente tinha piorado.
     Subiu no carro quando Milos o indicou, mas se deu conta de que ele no estava nada relaxado quando se sentou junto a ela. Atormentava-lhe o que estaria pensando 
ele. Tinha notado alguma coisa no rosto de Melissa ou em suas palavras que lhe fizesse pensar? Meu Deus. O que ia fazer se fosse assim?
     -Eu vou ter um carro como este quando for maior -disse Melissa do assento traseiro, e Helen se perguntava se ela havia percebido a tenso que existia entre 
eles.
     -Ter que trabalhar antes -disse Helen-. Os carros como este custam muito dinheiro.
     -Sempre poderei procurar um marido rico -replicou-lhe a garota sem conter-se-. Embora tenha mais do dobro de minha idade.
     Helen conteve o flego. Mas se negou a deixar-se levar pelo comentrio to pouco sutil de Melissa a respeito de seu chefe.
     -Vive tambm em Aghios Petros? -perguntou Melissa.
     -No muito longe dali -respondeu ele-. Mas no passo todo o ano em Santoros. Tenho uma casa em Atenas.
     -Ah, sim? -respondeu surpreendida Helen. Se trabalhava para seu pai evidentemente estava bem pago.
     -Minha famlia no se dedica  produo do vinho -disse-lhe ele taxativamente, eliminando com xito suas idias preconcebidas a respeito dele-. Meu pai tem 
navios.
     -Navios? -neste caso foi Melissa a que interveio-. Como a velha casca de ovo com vias de gua que nos trouxe de Creta?
     -Melissa!
     Helen deu outro olhar furioso a sua filha, mas Milos j estava aparentemente farto da insolncia de Melissa.
     -No -disse asperamente-. No so Ferris, thespinis, mas petroleiros. Desgraadamente, sou um desses ricaos dos que falava com tanto desprezo faz um momento.
     
     

Captulo 2
     
     A casa de campo estava situada em uma costa sobre ladeiras em terraos com videiras. Uma estrada bordeada de arbustos de tamarisco serpenteava entre ciprestes 
e oliveiras. Era uma moradia bastante grande com beirais em pendente cobertas de parras e buganvillas em flor.
     - esta?
     Melissa se inclinou para frente, dando uma cotovelada a sua me na nuca, e Milos se perguntou que diabos faria Sam com sua neta. Obviamente no era como a esperava.
     -Mame! -gritou Melissa. Helen no havia dito nada e sua filha a incitou a falar.
     -Acredito que esta tem que ser a casa de seu av -disse olhando de soslaio a Milos-. Esses so vinhedos, no  certo?
     -Ineh, sim. O so -confirmou-. Isto  Ambeli Kouros.
     -Ambeli Kouros? -repetiu Melissa-. Que diabos significa isso?
     -Melissa! -Helen tentou reprimi-la mas Milos decidiu que estava perdendo tempo.
     -Significa "Vinhedo Kouros" -disse-lhe impacientemente-. Kouros era o sobrenome da esposa de seu av. Quando ele ficou com o vinhedo, conservou o nome.
     -A esposa de meu av -disse Melissa aps refletir um instante-. Essa tem que ser a malvada bruxa da Maya, no?
     -Por Deus, Melissa... -exclamou Helen horrorizada.
     Mas Milos reconheceu a opinio da me de Helen nessa descrio.
     -Exato -disse-. Aviso-te: Maya no faz prisioneiros.
     Melissa fez uma bira, mas se voltou a sentar em seu assento, claramente decepcionada por no ter despertado uma reao mais explosiva. Helen se sentiu obrigada 
a intervir.
     -Temo que o nome de Maya no  particularmente bem recebido em minha famlia -disse-. Tenho que admitir que minha me no queria que viesse.
     " Que novidade!", pensou secamente Milos. Tampouco gostava de Sheila Campbell.
     -Suponho que ela no confia em Sam -aventurou-se a dizer suavemente-. Ou se trata disso ou  que pensa que  muito cedo para que pense em refazer sua vida.
     -Refere-te desde que Richard morreu? -vacilou Helen-. No. Ela... ela pensa que deveria me casar outra vez -" Quero ver o que responde agora!", pareceu acrescentar 
silenciosamente.
     -Sim, quer que mame se case com um velho -interveio Melissa antes de que Milos pudesse fazer algum comentrio. O qual lhe veio bem, j que a afirmao de Helen 
o tinha desconcertado completamente-. Mark Greenaway. Deve ter sessenta anos mais ou menos. Poderia ser teu pai!
     -Mark no  um velho -protestou com veemncia Helen-. E no tem sessenta anos -olhou incomodamente a Milos-.  meu chefe. Possui uma empresa de engenharia e 
eu sou sua secretria.
     -Seriamente? - A voz de Milos conseguiu soar s ligeiramente interessado-. Tem famlia tambm?
     -Se referir a se est casado, pois no -disse foradamente Helen-.  vivo e no tem filhos.
     -Oh, Deus! -murmurou despectivamente Melissa-. No tem carter e sabe. Se no fosse pelo fato de que papai nunca trabalhou, nunca teria pensado em aceitar um 
trabalho dele.
     -Isso no  verdade!
     Helen estava envergonhada, e Milos se perguntava como podia permitir que sua filha se sasse com a sua e pudesse dizer o que quisesse. Parecia como se Helen 
tivesse medo do que Melissa pudesse fazer.
     De repente, Milos se deu conta de que a estava observando e apartou os olhos dela. Era s nervosismo o que impedia Helen de sair do carro ou havia algo mais 
que queria lhe dizer?
     Antes de que Milos pudesse averiguar a razo pela qual tinha um n no estmago, Melissa rompeu o incmodo silncio.
     -Bom, samos do carro ou no? -perguntou.
     Milos endureceu sua expresso e abriu a porta. Quando ele tinha dado a volta ao carro, Helen j tinha sado. Suas longas pernas sobre saltos ridiculamente altos 
atrairam, sem ele quer-lo, seu olhar.
     -Est bem?
     -Importa-te? -exclamou Helen, mostrando seus verdadeiros sentimentos-. Se preocupa com algum alm de ti? Esquece-o,  muito tarde para que agora tenha remorsos.
     Milos abriu a boca, mas sua recriminao ficou afogado ao ver Melissa subindo sobre os assentos do carro.
     -Quero sair e est no meio.
     Milos estava muito perplexo pelo modo no que ela tinha tratado seu veculo para fazer algo. Simplesmente deu a mo a Helen para ajud-la a sair do carro, e 
assim a menina pudesse abrir a porta.
     Mas tinha atuado sem pensar, e antes de que as pontas de seus dedos pudessem sentir o sedoso tato da pele de Helen ou o pulso de sua mo, ela tinha afastado 
o brao, esfregando a mo como se a tivesse sujado. -No me toque! -advertiu-lhe. -Muito obrigado! -a voz de Melissa afogou as palavras de sua me, e por uma vez 
Milos agradeceu o grito da menina.
     Deram-lhes habitaes na parte traseira da casa com pisos de azulejos claros, altos tetos, e mveis de madeira escura. Um terrao com cadeiras brancas e uma 
mesa convidavam a seu desfrute.
     "Que vista" pensou Helen, levando as mos  nuca, ainda suarentas pela tenso que tinha sentido momentos antes ao ver a segunda esposa de seu pai.
     Era bvio que ela no queria as ter ali. Tinha-o deixado perfeitamente claro, apesar do tratamento quase enjoativo para com Milos. Evidentemente ele era pessoa 
bem vinda na vila. Mas elas no, e Maya no tinha perdido  tempo em demonstrar-lhe. 
     Mas o que de verdade emocionou Helen foi a notcia de que seu pai estava trabalhando. Trabalhando! Quando ela o tinha imaginado em uma cadeira de rodas ou inclusive 
pior. Essa era a impresso que lhe tinham causado suas cartas. Que queria desesperadamente v-la outra vez antes de que...
     antes do que? Seu pai lhe tinha feito pensar que estava gravemente doente, que no sabia quanto tempo lhe restava.
     -O que est pensando? -perguntou Helen a sua filha, que estava apoiada na porta de seu dormitrio.
     -Ficamos ou simplesmente lhe cuspimos na cara e vamos no seguinte ferri?
     -Melissa! -repreendeu-a Helen, mas sem firmeza.
     A garota s estava expressando coisas que ela mesma j tinha pensado. Era de verdade uma opo ficar? Fazer ir ali com artimanhas no augurava nada bom para 
a futura relao com seu pai.
     -No parece muito entusiasmada -replicou Melissa-. Nem sequer comeaste a desfazer a mala.
     -E voc o tem feito? -Helen se girou para v-la.
     -Umas quantas camisetas e uns jeans no necessitam muito esforo. Abro a mochila, tiro as coisas, meto-as em uma gaveta e j est pronto.
     -No me diga que s trouxeste jeans e camisetas!
     -Pois sim.
     -Faz o que te d a vontade -disse, muito cansada para recordar quo otimista tinha sido ao empreender essa viagem. No era s por seu pai, reconheceu. Era tambm 
por ela e por Melissa. E para apartar a sua filha das ms influncias que estavam fazendo a vida to difcil em casa.
     Andou para uma cmoda onde uma das faxineiras tinha deixado uma bandeja com caf e limonada.
     -Quer beber algo?
     -Suponho -Melissa cruzou a habitao arrastando os ps-. O que acontece?
     -Tem que perguntar? -Helen sacudiu a cabea-. Vejamos... Minha filha, minha querida filha, fez tudo o que podia para me humilhar; descubro que meu pai, ao que 
no vi em dezesseis anos, esteve-me mentindo; e sua esposa deixou bem claro que no quer que estejamos aqui. Prossigo?
     -Achas que me importa? -perguntou Melissa, encolhendo-se de ombros.
     -Oh, de acordo. Assim, ficaria?
     -Claro. Por que no?
     -Acabo-te de dizer que no somos bem-vindas aqui.
     -E o que?
     -Como que e o que? A mim, diferentemente de ti, eu no gosto dos enfrentamentos.
     -Supera-o, mame -Melissa se serviu um copo de limonada antes de continuar-. Em qualquer caso, penso que foi bastante dura com Milos. Se no fosse por ele, 
ainda estaramos sob o sol abrasador. Maya no tinha nenhuma pressa em nos convidar a entrar, no  assim?
     -No necessito da ajuda de Milos Stephanides -disse Helen com tenso, lutando por controlar-se. A ltima coisa que necessitava nesse momento era discutir com 
Melissa sobre Milos. Tinha os nervos de ponta e facilmente poderia dizer algo do que se arrependesse.
     Com a taa de caf que se serviu, retornou  janela.
     -Acha que Maya e ele o fazem? -perguntou de repente Melissa.
     -Fazer o que? -exclamou, olhando-a horrorizada, mas temia saber o que a garota queria dizer. Maya tinha sido exageradamente amvel ao v-lo.
     -Ei, tenho-te que fazer um desenho? -Melissa fez uma careta-. Sabe ao que me refiro.
     -No -Helen no o poria fcil-. No sei.  
     -Bom, no quero dizer que ela e seu antigo noivo...
     -Est dizendo que Milos... que Milos e Maya poderiam estar...
     -Montando-se -  sugeriu Melissa-. Sim, por que no? No viu como se comportava com ele? Que descarada! E ele no est casado, disse isso.
     -Pois ela sim.
     -E voc o que acha?
     -No -disse Helen de forma cortante.
     -Como? No me diga que pensa que sua madrasta no faria isso -Melissa sacudiu a cabea-. Seja realista, Helen. No seria a primeira vez que rompe uma relao.
     -No me chame de Helen.
     -Como te chamo ento? Estpida? -gemeu Melissa-. Mame, esse tio  um m para as mulheres. Que Maya j tenha um marido no quer dizer que no possa ter uma 
relao fora do matrimnio.
     -Melissa! -Helen quase se engasgou com o caf-. Realmente me horroriza.
     -Bom, no diga que no te avisei -disse Melissa, encolhendo-se de ombros.
     -Estava contente de v-lo, isso  tudo -disse Helen com voz entrecortada.
     -S isso? -soprou Melissa- Enfim. Esse tipo est muito bem. Inclusive voc deve te haver dado conta. Ou esqueceste como ...?
     -J est bem -Helen no podia ouvir mais. Respirou fundo e trocou de tema-.  bonito seu quarto?
     -Bonito? -Melissa terminou a limonada e a ps na bandeja-. Est decidida a no me tratar como uma adulta, no  certo?
     -Porque no  uma adulta, Melissa. Tem treze anos, no vinte e trs.
     -Logo cumprirei quatorze. Por que no pode recordar isso?
     -Oh, recordo perfeitamente quantos anos tem -disse Helen com ternura-. Assim pensa que deveramos ficar ?
     -Podem votar os meninos?  
     - obvio que pode -suspirou Helen -Pensei que quereria ver seu av.
     -Como se necessitasse outro velho em minha vida! 
     -O que est dizendo?
     -Estamos aqui no  certo? Este lugar no est mau. E se estivermos aqui, Maya subir pelas paredes.
     - impossvel! -disse Helen, sem poder evitar o sorriso que se esboou em seus lbios.
     -Mas me quer de todas maneiras -disse Melissa, esquivando a cotovelada brincalhona de sua me. Ento, quando o som de um carro alcanou seus ouvidos, disse-: 
Ei,  esse quem penso que ?
     A Helen lhe encolheu o estmago. No tinha nenhuma dvida de que esse carro pertencia a seu pai. Algum, provavelmente Maya, o teria informado de sua chegada 
e evidentemente teria deixado o que estava fazendo para voltar para casa.
     Imediatamente a perspectiva de desfazer as malas e fazer o que Melissa tinha sugerido e ficar ali perdeu seu atrativo. Cus! O que lhe ia dizer? Quantas mentiras 
mais pensava lhe contar seu pai? Que explicao poderia lhe dar seu pai por ter insinuado que restava-lhe pouco de tempo de vida?
     Melissa, que tinha sado ao terrao para tentar ver o carro, voltou com cara de desencanto.
     -No se pode ver o condutor daqui -disse-. Acha que  ele?
     -Se te refes se penso que  seu av, ento sim, acredito que sim -respondeu Helen-. No tem algo mais adequado para te pr? Calas curtas, por exemplo? 
     -Sim, claro. Como se fora me vestir como uma brega! -protestou Melissa, desgostada- No pague comigo seu mau gnio. No  minha culpa.
     -Simplesmente desejaria que no fosse sempre de pretos!
     - uma questo de moda -disse Melissa despreocupadamente, indo para a porta-. De todos os modos, vou ver o que est acontecendo l embaixo. No quero que essa 
malvada bruxa nos chateie.
     -Fique onde est -Helen se moveu rapidamente para det-la-. No vais sair desta habitao sozinha -respirou fundo- E vigia sua linguagem com respeito  esposa 
de seu av. Deixa de ser uma triste copia de sua av.
     -No sei por que a defende -resmungou ruborizada Melissa-. Te arruinou a vida, no  certo?
     -Pode ser -Helen no estava preparada para discutir sobre este tema-. Me d um minuto para me arrumar, e iremos juntas a lhe fazer frente -disse, dando-se por 
vencida.
     -Na realidade voc no gosta disto, no ? -inquiriu Melissa, franzindo o sobrecenho. 
     -No, na realidade no. 
     -Porque seu pai te enganou?
     -Porque me mentiu, sim -Helen no tinha foras para seguir com isso. Agarrou sua bolsa e o revolveu procurando uma escova-. Estou bem?
     Melissa a olhou a contra gosto de cima a baixo. -Para uma mulher mais velha no est mau -concedeu -todas formas, Milos acredita que  bonita.
     -Oh, vamos  -disse Helen um pouco ruborizada.




Captulo 3
     
     Antes de que Helen pudesse alcanar o trinco da porta, algum chamou do exterior, sobressaltando-a.
     -Quem ? -perguntou Helen em voz baixa, mas Melissa tomou a iniciativa e abriu a porta.
     Era seu pai. Alto e magro, enrugado e com cabelo grisalho.
     -Helen -disse, sem tentar entrar no dormitrio-. V, deveria ter ido pessoalmente a lhes recolher em lugar de ter enviado Milos. Esperei tanto este momento! 
Pode me perdoar por ter tido medo de estragar tudo?
     Helen se manteve imvel. Agora que ele estava ali, diante dela, todos os anos transcorridos sem ver-se pareciam tempo perdido.
     -Bom, diga algo -pediu-lhe Sam, e Helen compreendeu ento que seu pai tinha confundido seu silncio por uma atitude de desconfiana.
     Melissa, ao sentir-se impaciente ante a atitude de Sam e de Helen, aproximou-se deles.
     -Ol -disse-. Sou Melissa Shaw, sua neta - Depois do qual fez uma pausa e, dirigindo o olhar a Helen, prosseguiu. - No faa caso da mame. Est passando muito 
mal tentando recordar quem s.
     -Isso no  verdade -replicou com brutalidade Helen.
     -No lhe jogaria a culpa se o fizesse -disse bruscamente Sam Campbell, sem deix-la terminar-. Bem sabe Deus que no estou orgulhoso do modo em que me comportei 
-tomou flego-.  to agradvel ver-te outra vez...  ver s duas. Todos estes anos fui um tolo ao ter permitido que  Sheila dirigisse tudo.
     -No foi s culpa tua -titubeou Helen. - Fui muito teimosa, suponho. No estava preparada para te escutar.
     -E agora o est?
     -Sou... mais velha -respondeu indiretamente, fazendo um gesto de impotncia. Como no podia ignorar as razes que a tinham levado ali, teve que acrescentar. 
- Quando disse que estava doente...
     -Isso no  verdade -disse Sam, ruborizando-se.
      -Agora sei.
      -Acaso Milos lhe disse isso?
     -No, Maya -Helen viu como seu pai emudecia ao saber da notcia-. No acredito que nos queira aqui.
     -Ela no lhes convidou -disse Sam sacudindo a cabea, mostrando sua impacincia-. Esta  minha casa, no a sua -acrescentou-. Tenho que te perguntar uma coisa. 
Importa-te que te tenha enganado?
     - obvio que me importa. Mas no sei como me sinto -viu como Melissa a observava e continuou com cuidado-. Deveramos tomar as coisas com calma.
     -Teria vindo se no tivesse fingido estar doente? -recriminou-lhe ele com veemncia, ante o qual Helen teve que admitir que provavelmente a resposta tivesse 
sido que no-. Agora sabe por que o fiz. 
     -Suponho que sim -respondeu ela. 
     -Olhe -disse Sam respirando profundamente- estou seguro de que esto cansadas. Querem descansar? -franzindo o cenho, acrescentou-. Comestes algo? 
     -Tomamos caf.
     -Mas nada para comer? -assentiu com a cabea e olhou seu relgio. - De acordo. So quase as dez e meia. Por que no digo a Sofia que lhes traga umas massas 
e caf recm feito?
     -Isso soa bem -disse Helen, olhando a Melissa. - O que pensa voc?
     -Bom, eu no quero descansar -disse Melissa com sua habitual teimosia. Olhou a seu av e lhe perguntou.- No posso ir contigo?
     -Melissa! -exclamou Helen, tratando de opor-se a esse plano de sua filha.
     -Por que no? -perguntou ele. - Se a sua me no se importa -acrescentou com um sorriso.
     Nesse momento, a Helen no lhe ocorreu nenhuma razo pela que Melissa no pudesse ir com ele.
     -Um... no -murmurou. Outro pensamento foi a sua mente-. Milos ainda est por aqui?
     -No, foi-se -respondeu ele, e se dirigiu a sua neta com um tom mais alegre. - De acordo Melissa. Acompanharei-te na visita, de acordo? E apresentarei a Alex. 
     -Alex? -exclamaram em unssono Helen e Melissa.
     -Alex, Alex Campbell -respondeu Sam com indiferena. - O filho de Maya.
     Melissa voltou antes do almoo, resumindo as coisas que tinha visto.
     -Que lugar  este, mame! -exclamou, atirando-se na cama de Helen sem o menor cuidado pela colcha de seda que a cobria. - Sabia que aqui fazem vinho e tambm 
cultivam uvas?
     Helen o ignorava, mas se alegrou de que Melissa o contasse. Passou-se toda a manh desfazendo a bagagem de ambas e tinha tomado uma ducha que a tinha animado 
bastante.
     -Levou-me a adega -continuou sua filha. - E me deixou provar o vinho que fizeram no ano passado.
     -Seriamente? - Helen teve que conter-se para no lhe reprovar por beber vinho na sua idade, e a essa hora da manh, no era muito sensato. - Como estava?
     -O vinho? Bem, suponho -respondeu Melissa, sem lhe dar maior importncia. - No acredito que v converter-me em uma alcolica.
     -Isso  um alvio -disse Helen, respirando mais tranqila.
     -Por que? Tem medo de que siga o exemplo de Richard?
     -No.
     -Bem -Melissa olhou a sua me como se quissesse lhe dizer algo mais, mas pensou melhor. - De todos os modos, Sam me trata como se minha opinio contasse, e 
isso eu gosto.
     "Aposto que sim", pensou Helen, mas o calou.
     -Disse-te que o chamasse de Sam?
     -No -respondeu Melissa. - Mas no posso cham-lo av, no?
     -Suponho que no -reconheceu Helen. - Assim conheceu o Alex?
     -Sim, claro. Mas para comear, tomei o caf da manh. Sam ia mostrar-me a casa, mas Maya se queixou de que estvamos no meio, assim ns subimos no jipe e fomos 
 adega.
     -Entendo.
     -Ento foi quando conheci o Alex.  bonito.
     -Voc gostou?
     -E por que no? Ao menos  amvel.
     -Fala ingles?
     -Sim.
     -Quantos anos tem?
     - maior que eu.
     -Melissa!
     -Oh, de acordo -Melissa se despenteou o cabelo. - No  seu irmo, se for isso o que te preocupa. Tem vinte e seis anos. Maya foi como voc. S tinha dezessete 
anos quando teve a Alex.
     Dois dias mais tarde, Milos decidiu averiguar como estavam as convidadas de Sam.
     Sabia que era algo que no lhe concernia, mas no obstante algo lhe atraiu ao vinhedo. Quando as recolheu do ferri, resultou-lhe fcil convencer-se a si mesmo 
de que tinha que faz-lo, j que se sentia responsvel por seu bem-estar. Mas a verdade era que Helen e sua filha, to distinta a ela, intrigavam-lhe. Queria saber 
mais sobre elas. Queria saber mais sobre ela.
     Sam estava tomando o caf da manh na terrao quando Milos chegou.
     -Milos... Que prazer to inesperado. Quer tomar algo?
     -S caf -disse Milos, lhe dando a mo e insistindo que voltasse a sentar-se. -Estava... de passagem, e pensei que poderia me informar de como sua filha e sua 
neta esto passando as frias.
     -Oh... -Sam torceu o gesto. - Bom, acredito que Helen se alegra de poder descansar. Passou-o bastante mal desde que seu marido morreu. Se me perguntar, Richard 
parece ter sido um esbanjador. Por que se no Helen no teria que ter abandonado seu prprio lar e morar com sua me, a menos que no tivesse dinheiro?
     Milos no estava seguro de querer ouvir isso. Falar do homem que tinha vivido com Helen todos esses anos despertou em seu interior uma mescla de emoes. No 
era que estivesse ciumento, disse-se. Como poderia estar ciumento de um morto? Mas o fato era que tampouco gostava do nome de Richard. Era ele a razo pela que Melissa 
era to rebelde?
     Maya saiu da casa nesse momento e ambos os homens se levantaram. Era uma atrativa mulher morena de pouco mais de quarenta anos, de mdia estatura mas bem proporcionada. 
Estava acostumado a usar saias longas que dissimulavam sua figura, mas a blusa que tinha escolhido nesse dia tinha um grande decote. Era uma prima longnqua da me 
de Milos, e ela nunca perdia a ocasio de lhe recordar que eram parentes.
     -Acreditei ouvir vozes -exclamou, aproximando-se para beijar Milos. Falava em sua lngua materna, que preferia ao ingls-. No sabia que estava aqui, Milos 
-e continuou com reprovao-. Sam, no ofereceste a nosso convidado nada para beber?
     -Tenho-o feito, e s quer caf -replicou Sam, acomodando-se em sua cadeira. - Poderia pedir a Sofia que traga caf, Maya? Este est frio.
     -S tem que cham-la e vir, Samuel -respondeu Maya com impacincia. - No tem muito que fazer, bem sabe Deus -voltou-se para Milos e de forma brincalhona lhe 
deu uns tapinhas no brao. -  to agradvel voltar a te ver. No nos visitas nem a metade do que deveria.
     Milos tratou de improvisar uma desculpa, mas estava comeando a pensar que se equivocara ao ir ali. Duvidou que Maya fosse aprovar suas razes. Ela tinha expresso 
com toda claridade seus sentimentos na manh em que Helen e sua filha chegaram. E mesmo Helen no parecia muito contente de lhe ver. Milos recordou a tenso que 
tinha existido entre eles quando vieram do porto.
     -Veio para ver Helen -replicou Sam. - Onde est ela, Maya? No a vi esta manh.
     -Isso  porque no se levanta to cedo como ns -expressou Maya secamente. Girou-se e sorriu a Milos outra vez. - Ficar para almoar?
     -Oh, eu no... -comeou a dizer Milos quando Helen apareceu.
     -Bom, aqui chega ela -exclamou Sam. Ficou de p e foi ao encontro de sua filha com evidente entusiasmo.  - Pensvamos que ainda no se tinham levantado -disse-lhe 
em ingls.
     -Ah, sim? -perguntou ela com um sorriso, olhando a Milos e Maya.
     -Kalimera -conseguiu improvisar Milos. - Como est?
     -Estou bem, obrigado -disse Helen tomando flego. Sua esbelta mo, com a que se estava tocando a trana, revelava um nervosismo que tentava ocultar.
     Mas Milos se deu conta. Tambm percebeu de que vestida com um top e calas curtas parecia mais jovem. Sua pele j tinha um tom rosado pelo sol, e embora supunha 
que a cor acesa de suas bochechas se devia mais a seu estado de nimo que ao clima, sentava-lhe bem.
     -Kala -disse ele. - Bem.
     -Milos perguntava como estavam.
     -De verdade? -disse Helen como se no lhe acreditasse.
     -s vezes os gregos so muito considerados para seu prprio bem -recalcou Maya intencionadamente.
     -Acreditas nisso? -acentuou Helen com indiferena, olhando atentamente a sua madrasta.
     -E se acredito nisso? -disse Maya de forma cortante, e embora Milos tinha compreendido a atitude de Helen, suas palavras o tinham ferido. Por Deus, tinham sido 
amantes, e ela estava atuando como se fossem estranhos.
     -Deste um passeio? -perguntou Sam, impedindo que a hostilidade entre as duas mulheres o desalentasse.
     -Estava no jardim -respondeu Helen. - H tantas flores exticas. Melissa me estava mostrando isso.
     -Melissa est contigo? -Sam olhou por onde ela tinha vindo. - Onde est?
     -Colocando o nariz onde no deve, suponho -murmurou Maya de forma apenas audvel, mas os ouvidos de Helen eram agudos.
     -Acredito que todos temos feito um algo parecido alguma vez, no acham? -disse Helen, antes de girar-se outra vez para seu pai-. Logo vir. Tem descoberto uma 
ninhada de gatinhos atrs de um tonel de gua e est absolutamente extasiada.
     -Ugh! -estremeceu-se Maya. - Bom, espero que no tente colocar nenhum na casa.
     -No o far -disse impacientemente Sam, mas olhou a sua filha para confirm-lo.
     -Espero que no -corroborou ela, sem poder evitar contrair os lbios ante o divertido da idia.
     Milos observou que seu lbio inferior era mais grosso que o superior, e sentiu uma urgncia de passar seu polegar por seu contorno. Relaxada, como estava ento, 
a boca era incrivelmente suave e sexy, e recordou seus beijos...
     -Acredito que deveria ir  -disse bruscamente, e tanto Sam como Maya mostraram sua surpresa.
     -Mas no tomaste caf -protestou imediatamente Sam, enquanto ia  porta da casa. - Caf para os convidados, Sofia -ordenou quando esta apareceu, e Milos teve 
que aceitar que no poderia ir-se.
     -Olhe, tenho que voltar para a adega um momento -continuou Sam - mas Helen se encarregar de ti, diga que sim, querida?
     E sem lhe dar ocasio de replicar, acrescentou:
     -Vem, Maya, tenho que discutir algo contigo.
     Em questo de minutos estavam sozinhos, mas Helen no fez nenhuma tentativa para sentar-se.
     Um silncio carregado de emoo os envolveu at que Sofia apareceu de novo com o caf.
     Deixou a bandeja em cima da mesa e se foi. Milos decidiu que j tinha sido suficientemente ignorado.
     -Quer caf? -perguntou, e Helen lhe jogou um olhar indiferente por cima do ombro.
     -No, obrigada.
     -Como queira -disse Milos. - Dar-nos mais tempo para nos conhecer de novo.
     -No acredito -disse Helen com uma expresso nada alentadora. - Por que no sobe em seu carro to caro e vai? No o direi a meu pai se voc no o fizer.
     -Por que deveria ir ? Seu pai gostaria que fssemos amigos.
     -Meu pai no te conhece como eu -espetou Helen.
     -Tem razo -disse Milos. - No estou acostumado a me deitar com pessoas de meu mesmo sexo.
     -Surpreende-me. Pelo que tenho lido, os homens como voc esto mais que dispostos a provar de tudo... Ouch!
     No teve a oportunidade de terminar o que estava dizendo. Milos a agarrou pelo brao e sem nenhum olhar puxou ela para ele, desfrutando da breve sensao de 
poder que lhe dava esse gesto.
     -O que te passa? -perguntou enquanto sua voz se fazia mais grave pela ira. - Ambos sabemos que o que ocorreu entre ns no foi exatamente inesperado. E depois 
de tudo o que foi? Tivemos sexo. Muito bom, recordo. Mas, e o que?  o que os homens e as mulheres fazem quando se sentem atrados.
     -Mulheres de seu crculo -replicou Helen. - Eu no sou como voc.
     -Oh, sim que o  -disse ele. - Foi igual com esse... jovem com o qual te casaste; quando estivemos juntos no te importava quem era eu.
     -Isso foi assim porque no sabia quem era. E no fale de Richard. Ele... era um homem decente.
     -Isso no  o que diz sua filha -burlou-se Milos. - Conforme tenho entendido, tinha defeitos. Por que te casou com ele, Helen? De verdade o queria? Ou simplesmente 
foi para impedir que sua me descobrisse em que tipo de criatura promscua te tinha convertido?
     -Canalha!
     Helen quis esbofete-lo. Durante um instante o olhou fixamente, e embora a hostilidade entre eles era evidente, existiam outras emoes menos identificveis. 
Tratou de livrar-se com um movimento brusco, mas no o conseguiu.
     -De verdade acredita que poderamos permanecer indiferentes um ao outro? -murmurou Milos, consciente do violento desejo por beij-la, e aproximando as trementes 
coxas de Helen aos seus.
     -Ei, o que est acontecendo aqui?
     -Melissa -disse. Surpreendeu-se, dadas as circunstncias, do controlado que tinha soado. 
     - Hum... sua me tinha algo no olho. Estava tentando tirar-lhe.



Captulo 4


     Ao final persuadiram Milos para que ficasse para almoar. Helen teria desejado que se fosse, para assim poder ordenar o caos que reinava em seus sentimentos. 
Mas quando Melissa apoiou o novo convite de Maya, Milos concordou finalmente. Helen no se atreveu a perguntar o porqu. Ele era um demnio, pensou, contemplando 
seu rosto ruborizado no espelho do banheiro. Ela se tinha refugiado em seu quarto, deixando Melissa e Maya entretendo ao visitante e desejando evitar outra briga 
com ele.
     Mas sabia que cedo ou tarde teria que descer outra vez e comportar-se como se nada tivesse ocorrido. Deixar Melissa com ele tinha suposto um risco. Quem sabia 
o que sua filha responderia se lhe perguntassem questes pessoais sobre o homem que ela supunha que era seu pai? Depois dos comentrios do carro, era bvio que guardava 
muito pouco respeito por Richard. Entretanto, o que mais preocupava Helen era sua desagradvel resposta para Milos. Nunca teria imaginado que ele se comportasse 
como o fez, ou que o que tinha comeado como uma provocao infantil degenerasse, de forma to rpida, em um assalto a seus sentidos. Ela tinha percebido que ele 
tinha querido beij-la, e o pior de tudo era que ela tambm o tinha desejado...
     O almoo no foi o sofrimento que Helen tinha temido. Seu pai se uniu a eles e resultava mais fcil dominar Melissa quando ele estava presente. Embora ele no 
a tinha persuadido para que se mudasse os jeans por umas calas curtas de sua me. Mas Helen se deu conta de que sua filha j no se pintava exageradamente com obatom 
cada vez que saam dos dormitrios. Tambm a aliviou comprovar que Maya se preocupasse de que Milos se sentasse entre ela e Sam, o que impedia que se cercasse qualquer 
tipo de conversa privada entre eles. Entretanto, deu-se conta de que Milos no deixou de olh-la durante o almoo.
     -Vieste em seu carro? -perguntou- Melissa a Milos. - Que velocidade alcana?
     -Nesta ilha? -perguntou ele. - No muita - seus olhos piscaram ante a expresso angustiada de Helen. - Por que no pergunta a sua me se te deixa dar uma volta 
comigo e te mostro isso?
     -Eu no... -interrompeu Helen, que no gostou que a pusesse de novo em um apuro. - Eu... ns no deveramos te incomodar com isso.
     -No  nenhum problema -assegurou-lhe Milos amavelmente.
     -J o ouviste, mame. Ao menos h algum que se preocupa de que tenha diverso -disse Melissa.
     -Oh, Melissa! -exclamou Sam. - Eu pensava que estava contente aqui, mas me equivocava...
     -Oh.. no -protestou Melissa, avermelhando. Helen se deu conta com assombro de que sua filha queria de verdade agradar a seu av. - Quero dizer que ir em um 
jipe est bem, mas no  um Mercedes.
     -Bem, isso me pe em meu lugar, no  verdade? -disse seu av, torcendo o gesto.
     -No -replicou Melissa, que no tinha entendido a brincadeira de seu av. - Mas Milos se ofereceu.
     -O senhor Stephanides -corrigiu Helen secamente. 
     - Milos est bom. -replicou o aludido, negando com a cabea. 
     - O que voc acha, Sam? E voc...Helen?
     -No pode estar pensando seriamente em que saber entreter a uma garota, no, Milos? -exclamou subitamente Maya. - Sam, no acha que tenho razo?
     -Suponho que isso  coisa de Milos -opinou timidamente Sam. - E voc Helen, o que acha?
     Como ia ela poder objetar algo? Dificilmente podia justificar que no queria que Milos se aproximasse de sua filha. Todos pensavam que sua reserva se devia 
a questes de cortesia, quando na realidade o que temia era que Milos descobrisse quem era Melissa.
     -Eu... bom...
     -Est decidido ento -disse Melissa em tom triunfal. - Podemos ir hoje? -perguntou a Milos.
     -No vejo por que no -respondeu Milos. - Pergunto-me se quereria ir a Vassilios.  onde vivo. Ali tenho uma piscina. E cavalos. E provavelmente conhecer minha 
irm, Rhea. Vive na casa de meus pais, mas passa mais tempo em Vassilios por causa da piscina. No  muito mais velha que voc.
     -Que idade tem? -perguntou Melissa.
     Helen sentiu que ia desmaiar.
     -Dezoito anos, acredito -disse Milos com indiferena, ignorando a tenso que embargava Helen. - Sua me  bem-vinda se quer unir-se a ns.
     -Na realidade, esperava que Helen passasse a tarde comigo -disse seu pai em tom afetuoso. - No passamos muito tempo juntos desde que chegou, e eu gostaria 
de lhe mostrar minha adega.
     Em um mundo ideal, a Helen tivesse encantado passar algum tempo com Sam. Mas na realidade, sua conformidade foi mais forada que entusiasta. Melissa, pelo contrrio, 
foi encantada com Milos.
     -Passar-o bem -disse Sam a sua filha, depois de que o Mercedes se foi.
     -No sabe a sorte que tem -corroborou Maya com seu cortada habitual. - Milos  um homem muito ocupado.
     -Acredito que Milos gosta de Melissa -observou seu marido, compartilhando um triste sorriso com sua filha. - Por que no? Apesar do que viu,  todo um personagem. 
E seguro que lamenta no ter tido filhos.
     -Sua esposa e ele no tiveram filhos? -perguntou Helen, incapaz de controlar-se.
     -Eleni? -perguntou Maya despectivamente. - Essa mulher no arriscaria sua aparncia para ter filhos, e Milos no se teria casado com ela se no tivesse sido 
por seu pai.
     -Ento... no foi um matrimnio por amor? -aventurou-se Helen, consciente de que estava alimentando as suspeitas de Maya ao mostrar tanto interesse pelos assuntos 
pessoais de Milos.
     -Um matrimnio por amor? -repetiu Maya. - Que ingnua , Helen! Aristteles, o pai de Milos, queria uma aliana comercial com Andreas Costas. Casar seu filho 
com Eleni Costas era o impulso que necessitava.
     Helen assimilou tudo em silncio, e Sam, vendo a oportunidade, tirou-a do brao.
     -Vem comigo, Helen -disse. - A menos que pense que faa muito calor para ti. Temo que o jipe no tem ar condicionado -acrescentou. - Assim iremos com as janelas 
abertas.
     Primeiro foram  planta de produo da adega, onde Sam a apresentou a algumas pessoas que trabalhavam ali. Tambm lhe mostrou como tinha utilizado duas cavernas, 
uma das particularidades naturais da ilha, para armazenar o vinho.
     -Esta explorao  ainda relativamente pequena -disse Sam. - A maioria das empresas vincolas das ilhas s engarrafam vinho para consumo local. Ns fazemos 
isso,  obvio, mas atualmente estamos negociando com uma cadeia de supermercados. Isso nos permitir nos estabelecer no continente. E se tivermos xito, significaria 
um grande avano para nosso negcio.
     -Voc adora este negcio, no  verdade? -perguntou Helen, olhando-o.
     -Ser meu prprio chefe? -respondeu Sam. - E a quem no? Mas o melhor de tudo  saber que  meu lucro pessoal. O pai de Maya era alcolico, e quando viemos aqui, 
tudo estava em runas.
     -Assim... te casar com Maya no foi questo de dinheiro? -sugeriu cautelosamente Helen.
     - isso o que te disse sua me? -perguntou-lhe seu pai com um olhar de resignao.
     -Algo assim -disse Helen, encolhendo-se de ombros.
     -Pois bem, no  verdade. Quando nos conhecemos, Maya estava arruinada, e este lugar estava endividado at o pescoo. No sei o que te contou, mas Sheila e 
eu j tnhamos problemas muito antes de que Maya entrasse em cena. De acordo! Possivelmente no deveria ter abandonado a minha famlia, mas Deus sabe, Helen, nunca 
tive a inteno de perder o contato contigo.
     Helen no disse nada, mas havia muita emoo na voz de seu pai como para no lhe acreditar. Divrcio era uma palavra muito feia, e freqentemente gerava dio 
entre os cnjuges. Ela queria lhe acreditar. Queria tambm que ele compreendesse quo trada que se havia sentido. Possivelmente com o tempo pudessem chegar a compreender-se. 
Ao menos ter ido ali significava um comeo.
     Quando deixaram a planta de engarrafamento se encontraram com Alex. Helen tinha conhecido ao filho de Maya na noite anterior, quando jantou com a famlia, e 
lhe tinham impactado as diferenas que existiam entre sua me e ele. Enquanto Maya se mostrava ressentida com elas por ter ido ali, Alex era aberto e simptico. 
Helen tinha gostado dele desde o comeo.
     -Foi uma visita interessante? -observou Alex, intercambiando um alegre olhar com seu pai. - Est tentando te persuadir de que cultivar uvas  uma ocupao proveitosa?
     -Tanto voc como eu sabemos que pode ser a ocupao mais frustrante do mundo -replicou Sam com ternura. Voltou-se para sua filha. - Alex est resmungando porque 
o recrutei logo que deixou a universidade. Nos ltimos anos se converteu em minha mo direita. No sei o que teria feito sem ele.
     -Teria se arrumado. -disse Alex secamente, mas Helen percebeu que havia um verdadeiro entendimento entre os dois homens. Pensou que era o filho que seu pai 
nunca teve, e se perguntou se essa tinha sido uma das razes da ruptura entre seus pais. No cabia a menor duvida de que Sheila no tinha querido ter mais filhos. 
Helen lhe tinha ouvido diz-lo muitas vezes.
     Continuaram, visitando brevemente a adega onde as uvas se espremiam, antes de entrar no escritrio de Sam onde se levavam os negcios. Um jovem empregado lhes 
levou uma garrafa de vinho e dois copos, e Helen agradeceu poder sentar um momento. O calor era muito intenso. Ento falaram um momento sobre a criao e as diferentes 
qualidades das uvas.
     -No sabe quo contente estou de ver-te aqui, Helen. Poder me perdoar alguma vez pela maneira em que consegui que viesses? -perguntou de repente Sam.
     Helen examinou o vinho que havia em sua taa e olhou a seu pai com olhos tristes.
     -Os dois tivemos a culpa -disse-. Eu, por no estar preparada para ouvir seus motivos. E voc por renunciar a mim muito cedo.
     -Enviei Milos para que fosse ver-te -protestou seu pai, e Helen pensou quo desafortunado tinha resultado isso. Essa ao tinha mudado sua vida para sempre 
e destrudo qualquer esperana de reconciliao.
     -De qualquer modo, tudo isso pertence ao passado -disse ela, no querendo recordar a assustada garota que tinha sido. Ficar grvida aos dezessete anos tinha 
sido suficientemente duro e alm disso sua me lhe ameaasse jogar de casa se se negava a casar-se com o pai do beb...
     -Mas eu quero saber coisas do passado -insistiu seu pai-. Quero conhecer coisas sobre o homem com o que te casou: Richard Shaw. Sua me no achava que eras 
muito jovem para tomar uma deciso que mudaria a tua vida?
     -Realmente no -respondeu ela com uma careta.
     -Assim estava a favor?
     -No ps objees. E quando Melissa nasceu...
     - obvio, Melissa -seu pai sorriu. - Acredito que agora compreendo. Ias ter um beb e a deciso se tomou por ti. Alguma vez te contou sua me que foi assim 
que acabamos juntos?
     -No! -respondeu Helen, surpreendida. Mas isso explicava muita coisa. Com o mnimo, o esforo que sua me e pai tinham tido que fazer para que o matrimnio 
funcionasse.
     -Foram felizes? -perguntou-lhe ele.
     -Melissa... no  filha de Richard -disse ela. Seu pai merecia conhecer pelo menos uma parte da verdade. - Ele sabia, mas queria casar-se comigo igualmente.
     -E por que no? -defendeu-lhe carinhosamente Sam, e Helen pensou quo diferente poderia ter sido sua vida se lhe tivesse tido l para apoi-la-.  uma mulher 
formosa, querida. Qualquer homem estaria orgulhoso de te ter como esposa.
     -Achas isso?
     -No respondeste a minha pergunta -recordou-lhe. - Foram felizes juntos?
     -Ao princpio -replicou Helen. - Bom, Richard parecia feliz. Quando Melissa era um beb, esteve bem. Quando cresceu e se fez mais... rebelde passou quase da 
noite para o dia de ser nossa filha a ser minha filha.
     -Oh, querida. Se o tivesse sabido -disse seu pai com pena, apertando a mo que estava em seu colo. - Me conte coisas sobre ele. Em que trabalhava?
     -Oh, fazia um pouco de tudo -Helen no queria contar a seu pai que Richard nunca tinha tido um trabalho estvel. Essa foi a razo pela qual ela tinha tido que 
manter  famlia. E Richard estava ressentido com sua esposa por isso. - Estava trabalhando em uma empresa de mensagens quando morreu.
     -De mensagens? -Sam franziu o cenho - No  exatamente o trabalho mais adequado para algum que passa a maior parte da tarde em um pub, conforme ouvi. - Como 
h...? Quero dizer.... -Melissa me contou isso -admitiu Sam com tristeza. - Oh, me acredite, no lhe perguntei. Simplesmente o soltou.
     -Seguro que o fez -murmurou Helen, nada contente. - Sinto-o se te ps em um apuro.
     -No me ps em um apuro. Mas me dou conta de que ela  um problema para ti.
     -E para outros - Helen tomou outro gole de vinho. - Mmm, est bom.
     -Surpreende-te? -Sam fingiu estar ofendido. Ento franziu o cenho de novo e acrescentou. - Melissa sabe que Richard no era seu pai?
     -Por Deus, no! - Helen foi cortante. - Richard insistiu nisso. Em que nunca ningum, inclusive minha me, suspeitasse que ela no era sua filha.
     -Entendo -respondeu Sam, pensativo. - Sabia ele quem era o pai?
     -No! -A resposta de Helen foi cortante. - No me perguntaste se eu sabia quem era.
     -Claro que sabia -Sam olhou a sua filha com aborrecimento. - Quem sugeriu o contrrio?
     Helen sacudiu a cabea, mas seu pai tinha preso os cabos.
     -Ele o fez -exclamou severamente. 
     - Oh, Helen. Por que no me escreveste para me contar isso.
     Uma fugaz imagem do que poderia ter acontecido se o tivesse feito cruzou sua mente. Mas nunca tinha sido uma opo. Pensava que Milos estava casado, e ter voltado 
a Santoros para dizer a um homem casado no teria estado bem. Era muito jovem, tinha muito medo, e tinha sido muito orgulhosa para pedir ajuda.





Captulo 5
     
     Milos levou Melissa ao vinhedo com a tarde avanada. Com os dedos suarentos, agarrava o volante em uma v tentativa por controlar suas emoes. Estava perplexo 
pelo que acabava de descobrir!
     Sua primeira idia tinha sido passar s um momento em Vassilios. Apesar de sua boa vontade por entreter  menina, no tinha esperado que Melissa e sua irm 
fossem se fazer to boas amigas.
     Como antecipou, Rhea tinha estado esperando-o quando chegaram  casa e, embora tinha cinco anos mais que Melissa, mostrou-se encantada de conhec-la.
     Rhea persuadiu a seu irmo para permitir  menina ficar mais tempo para banhar-se, e ao princpio Milos gostou de agrad-la. Depois de tudo, tinha que estudar 
a apresentao de uma conferncia em Atenas, e ouvir os chiados e as risadas procedentes da piscina tinha sido bastante agradvel.
     Quando Rhea foi perguntar-lhe se Melissa poderia ficar para jantar, foi quando as coisas mudaram.
     -Queremos praticar a maquiagem de olhos -suplicou. - Sabe que me d mau e Melissa diz que ela sabe. Provavelmente sua me no lhe impede de ler revistas de 
mulheres como mame faz comigo.
     -Refere a esse lixo de revistas? - Mofou-se secamente Milos. - Vamos, Rhea, Melissa tem... Doze? Treze anos? Atua como se fosse mais velha, mas est me dizendo 
realmente...?
     -Na realidade tem quase quatorze -interrompeu Rhea. - Seu aniversrio  o ms que vem, como o meu. Ambas somos de Gmeos.
     Milos ficou paralisado. Uma sensao de mal-estar invadiu seu estmago e as tmporas comearam a lhe palpitar. No podia ser verdade, disse-se a si mesmo. Rhea 
devia hav-lo entendido mal. Melissa no podia ter quase quatorze anos. Se os tivesse...
     -Est bem? -perguntou Rhea, dando-se conta de sua repentina palidez.
     -Eu... sim... no -no sabia como explicar sua reao, e foi mais fcil fingir um enjo momentneo, que admitir quo doente repentinamente se sentia. - Estou 
um pouco enjoado, isso  tudo.
     -Trabalhaste muito -disse Rhea. - Faz muito calor. Sentir-se melhor depois do jantar.
     -Possivelmente -assentiu Milos, desejando que simplesmente se fosse e o deixasse sozinho. - Porei-me bem.
     -Ento Melissa pode ficar para jantar? -insistiu Rhea. - Eu gostaria, e...
     -No! -Milos sabia que tinha que negar-se. - Sinto-o Rhea, mas sua me espera que volte. 
     - H telefones -disse Rhea a contra gosto. Se Milos no se houvesse sentido to aniquilado, poderia haver-se perguntado se a influncia de Melissa j estava 
sortindo efeito.
     -Outros quinze minutos, e j vamos -disse. - J se passaram mais de uma hora.
     -No  nada divertido, sabe? -murmurou Rhea. - No sei o que Melissa vai dizer.
     Mas essa era a menor de suas preocupaes. Enquanto Rhea se afastava zangada, alegrou-se de que ela no tivesse nem idia da bomba que acabava de lanar. Realmente 
era possvel? Melissa tinha que ter exagerado sua idade igual exagerava em todo o resto.
     Logo que sentiu que suas pernas poderiam lhe sustentar, cruzou precipitadamente a habitao para as janelas e observou  garota que se divertia na piscina.
     Melissa tinha tomado emprestado um dos trajes de banho de Rhea, e Milos se disse a si mesmo que o sofisticado biquni em cores creme e marrom era o que dava 
a seu jovem corpo essa aparncia de maturidade. Tinha que ser isso, insistiu, mas com uma irremedivel falta de convico.
     O problema era que nesse momento foi capaz de encontrar similitudes entre as duas garotas, parecidos que at esse momento tinham passadas despercebidas, no 
por sua ignorncia, mas sim pelo uso de maquiagem por parte de Melissa e pelas horrveis roupas que usava.
     Uma onda escura de fria o embargou, provocada por sua cegueira e pela total falta de sinceridade de Helen. Por que no o havia dito? Se era o pai biolgico 
de Melissa, tinha direito de saber-lo.
     Mas ento recordou algo que lhe disse justo depois de abandonar o ferri. Tinha-lhe perguntado por sua esposa. Como sabia que tinha tido uma esposa? Ele no 
o havia dito, e duvidava que se mencionasse esse dado nas cartas de Sam a Helen. E por que a pessoa que lhe tinha dado essa informao no lhe havia dito tambm 
que se divorciou? Estava desconcertado.
     Suspirou e sentiu como Melissa lhe olhava. Estava sentada a seu lado, na parte dianteira do Mercedes. 
     -Fiz algo de mau? -perguntou-lhe ela. 
     - obvio que no -respondeu Milos, olhando-a e experimentando outra comoo ao reconhecer que ela tinha seus olhos. E seu nariz. - Divertiste-te?
     -Fiquei mais tempo do que devia, no? -disse ela. - Ei, joga a culpa a sua irm, no a mim.
     -Te disse que ficastes mais tempo do que devia? -replicou secamente, aplacando as vontades de lhe dizer que no lhe falasse desse modo. - Simplesmente espero 
que sua me no se preocupe contigo.
     "Apesar de que o far", pensou. De repente compreendeu por que se havia oposto Helen a que ele e Melissa passassem algum tempo juntos. Tinha temido que lhe 
perguntasse a idade  garota.
     -Sempre se est preocupando comigo -disse Melissa, levantado um p para apoi-lo no assento.
     -E tem alguma razo para isso? -aventurou-se a perguntar Milos.
     -Ela pensa que sim -respondeu ela com uma careta.
     -Por que?
     -No o quer saber.
     -Pois sim -Milos estava assombrado por quanto queria sab-lo. - Ela no aprova seu modo de vestir?
     -Ela te disse isso?
     -No.
     -Ento o que est dizendo? Que voc tampouco o aprova?
     -No estvamos falando de mim -disse Milos sacudindo a cabea.
     -No, e sei muito bem -deu-lhe um olhar reflexivo. - Por que est to interessado nisso?
     -Estou tentando... te conhecer.
     -Sim, claro -disse Melissa com sarcasmo. - O que tenta  impressionar a minha me. Na realidade no queria me levar de passeio. Somente queria te marcar um 
tanto com ela.
     -No poderia estar mais equivocada - de fato, Milos no podia recordar por que concordou a levar-la de passeio. - Voc gostaria que fssemos... amigos?
     -Sim, claro -evidentemente, Melissa no lhe acreditava. - Que sorte teve de que Rhea estivesse aqui, no?
     Sorte? Milos no teria utilizado essa palavra. Mesmo assim, reconheceu que estava seguro de que cedo ou tarde teria adivinhado a verdade.
     -O que disse ela sobre mim? -perguntou de repente Melissa, deixando Milos de novo perplexo. -Quem?
     -Rhea,  obvio. Tem que haver dito algo. Disse que ia perguntar-te quando me ias levar para casa, mas demorou muito tempo.
     -Se quer sab-lo -disse ele, medindo cuidadosamente suas palavras. - contou-me o quanto se divertia contigo.  muito diferente das garotas com as quais normalmente 
est.
     -Me fale disso -pediu-lhe ela. - Assim no a aborreci, no ?
     -No -Milos experimentou uma inesperada onda de compaixo por ela, e pela primeira vez percebeu de que queria  gostar da garota. - E voc se aborreceu?
     -Eu? No, diabos. Foi genial!
     -Me alegro. Possivelmente possamos repeti-lo alguma vez.
     -Possivelmente. Mas desde no comece a me dizer o que tenho que fazer.
     -As pessoas fazem isso, no  verdade?
     -Dizem que sou incontrolvel -respondeu Melissa, encolhendo-se de ombros.
     -E o ?
     -No -estava indignada. - Mas no posso evitar pensar que a escola  chato.
     -Por que pensas que  chato?
     -No sei -respondeu a garota, encolhendo-se de ombros de novo.
     -Estou seguro de que sabe.
     -Achas-te muito preparado, no? Achas que me fazendo falar do colgio e de tolices vais conseguir que eu goste de ti?
     -No sou to presunoso -disse Milos secamente. - Mas s vezes, quando s pessoas no gostam de algo,  porque no entendem o que acontece.
     -Est insinuando que sou estpida? -Melissa se ofendeu. - Tem que estar brincando! Posso fazer os deveres plantando bananeira!
     -Ento por que no o faz?
     -Sim claro, e que me chamem preguiosa! -exclamou com desdm. - No obrigado, prefiro estar com meus amigos e no fazer nada.
     -Est segura de que no so eles os estpidos? -disse Milos, sacudindo a cabea. - Me parece mais sensato usar o crebro se quer ter xito.
     -Ei, te disse que quero ter xito? -perguntou Melissa mordazmente.
     -Disse que queria carros como este -recordou-lhe Milos. - Os carros custam dinheiro.
     -O que sabe voc disso? Duvido que tenha tido que trabalhar alguma vez por algo em sua vida.
     - isso o que acha? -disse ele, respirando profundamente.
     -Sim. No. - Parecia um pouco envergonhada. - Simplesmente queria dizer que voc no  como ns.
     Milos compreendeu subitamente que tinha uma responsabilidade. Mas Helen lhe deixaria ajud-la? De algum modo duvidava que lhe desse a oportunidade.
     No se surpreendeu ao ver Helen esperando-os sentada na parede de pedra que ladeava o terrao.
     -Oh, um comit de boas-vindas -murmurou Melissa. - Vais lhe contar o que te hei dito? -franziu o cenho. -Ou lhe deram ordens de ajustar contas comigo?
     -Ningum me d ordens -replicou Milos secamente. Ao ver Melissa com cara de poucos amigos, torceu o gesto. - Normalmente no -acrescentou, e ambos compartilharam 
um sorriso de mtua compreenso.
     Helen ainda levava posta a saia. Era mais curta das que normalmente usava, e suas longas e esbeltas pernas prenderam imediatamente os olhos de Milos.
     Helen foi  porta logo que o carro parou, abrindo-a para que Melissa descesse.
     -Eu posso faz-lo. -resmungou Melissa, e olhando com tristeza a Milos, acrescentou. - Obrigado pela viagem. 
     -Foi um prazer -disse Milos.
     Sem esperar que sua me se unisse a ela, Melissa subiu com parcimnia os degraus e entrou na casa, deixando sozinhos Milos e Helen. A oportunidade ideal para 
lhe fazer frente, pensou ele. Ento por que sentia tal rechao a faz-lo? O que aconteceria se estivesse equivocado?
     A repentina exploso de Helen sobressaltou Milos.
     -No tinham nenhum direito a ficar tanto tempo -exclamou. - Deveria ter sabido que me preocuparia com ela. Que diabos estiveram fazendo?
     " Descobrindo que tenho uma filha?".
     Mas no podia dizer isso. O que aconteceria se ela o negasse? O que faria ento? Queria realmente descobri-lo?
     -Sabe que a levei para que conhecesse minha irm -disse. - Melissa queria dar um mergulho. No te zangue tanto.
     -Bom, no importa. Espero que Melissa tenha se divertido.
     -Todos o fizemos -disse Milos brandamente. - Tambm Rhea -acrescentou. - No  muito mais velha que ela.
     -Pensava que havia dito que tinha dezoito anos.
     -E bem? -Milos a desafiou a lhe contradizer, mas no o fez.
     -Bom -disse Helen, levantando os ombros. - Melissa est em casa. Isso  o mais importante.
     -Estava-me perguntando se j lhe teria contado a seu pai... o nosso -disse Milos.
     -No! -sua negao foi veemente, e Milos  percebeu de quo reveladora que era essa nova informao.
     -Por que no?
     -E voc me pergunta isso? - o rosto de Helen estava vermelho de raiva. - No tem vergonha?
     -E voc tem? -replicou ele arqueando as sobrancelhas. - Tinha pensado que estaria desejando lhe contar como tra sua confiana. Mas possivelmente tem outras 
razes para no faz-lo.
     -O que...  que outras razes? -balbuciou Helen. Evidentemente, essa pergunta a pegou despreparada, e se Milos tivesse tido alguma dvida sobre seu parentesco 
com Melissa, sua reao a apagou totalmente.
     -Voc dir -disse ele, desprezando-se a si mesmo por compadec-la. E justo antes de que pudesse lhe responder, Melissa apareceu no final da escada.
     -Ei, Sam me manda para que lhe convide a tomar algo -chamou, dirigindo-se a Milos.
     Mas Melissa no tinha terminado. Ao descer os degraus para eles, percebeu a tenso entre Milos e Helen e seus olhos se entreabriram.
     -O que est acontecendo aqui? Interrompi algo?





Captulo 6
     
     Helen estava observando-se com claro receio no espelho do banheiro na tarde seguinte. Por que se tinha deixado persuadir por Melissa para usar em uma reunio 
familiar uma blusa de seda preta como essa, com alcinhas finas e decote muito baixo com o que no podia usar suti? E embora a saia com listras em cor preta e creme 
que usava  com ela era longa, tinha uma fenda que chegava quase at a cintura.
     Gemeu. O vestido de linho que originalmente tinha escolhido teria sido muito mais apropriado. Mas muito mais apropriado para uma pessoa de meia idade, como 
havia dito sua filha.
     E com Melissa comportando-se bem, o que no era prprio dela, Helen tinha estado disposta a fazer o que fosse para no perturbar o equilbrio. No sabia o que 
tinha passado no dia anterior, mas evidentemente a irm de Milos tinha exercido uma boa influncia sobre ela, j que o esmalte de unhas e o batom pretos tinham desaparecido 
dois dias antes. O cabelo de Melissa tinha ainda mechas verdes, mas ao menos no usava fixador.
     Conseqentemente, Helen se havia sentido como se estivesse andando sobre cascas de ovo quando Sam a levou s compras em Aghios Petros nessa manh. Depois da 
atitude de Milos quando levou sua filha para casa, no tinha querido reatar o antagonismo que tinha havido entre Melissa e ela antes de que deixassem a Inglaterra. 
A menina no tinha querido ir ali e em ocasies Helen pensava que tinha razo.
     O problema era que nesses dias era quase impossvel pensar em Melissa sem associ-la a Milos. No se tinha dado conta de que as semelhanas entre eles iam ser 
to pronunciados. Quando Melissa dizia quo fcil era falar com Milos, suas razes para manter em segredo a identidade da garota pareciam falsas e egostas.
     Ele merecia conhecer a verdade. Se tivesse sido um empregado de seu pai, teria sido mais fcil de levar. Mas no o era. Era um homem rico com recursos ilimitados; 
recursos que poderia utilizar facilmente para convencer ao juiz de sua incompetncia como me ao ter mentido tanto a sua filha como ao homem que a gerou.
     Teria o tribunal em conta que s tinha tido dezessete anos quando Milos se deitou com ela? Tinha parecido to encantador e sincero, que ela se entregou totalmente. 
Sua me no tinha acreditado nele, mas Helen no a escutou. Concordou em segredo a tomar uma taa com ele e isso selou seu futuro.
     Tinha que reconhecer que a conexo de Milos com seu pai tinha oscilado a balana a seu favor. Tinha desejado ter notcias delas. Nos meses que seguiram ao divrcio 
de seus pais, lamentou no haver dado a Sam uma segunda oportunidade, e teria estado aberta a qualquer pedido em seu favor.
     E se Milos tivesse feito o que lhe pediu seu pai e simplesmente tivesse intercedido por sua causa, as coisas teriam sido muito diferentes. No tivesse havido 
nenhuma paixonite doida por parte dela, e nenhuma estudada seduo pela dele.
     Em troca, a visita de Milos tinha atrasado a relao com seu pai uma dzia de anos ou mais. Uma vez que sua filha nasceu, no houve volta atrs. Casou-se com 
Richard Shaw e seu futuro tinha estado selado.
     Nesse momento se estremeceu, ao saber que, embora no o queria, teria que ver Milos de novo. No dia anterior esteve s o tempo necessrio para desculpar-se 
ante  Sam, alegando que tinha trabalho em casa. Mas nessa tarde ia haver um jantar em honra a ela e a Melissa, e naturalmente Maya o tinha persuadido para que fosse.
     Aquela manh Melissa e ela tinham ido s compras com Sam. Isso lhes deu a possibilidade de aumentar seu exguo vesturio, j que Helen tinha levado pouco de 
casa ao acreditar que seu pai estava morrendo.
     Nesse momento, enquanto Helen se aproximava de um espelho para pintar os olhos, Melissa apareceu pela porta do banheiro. Helen viu o reflexo da garota antes 
de olh-la diretamente, e isso lhe deu tempo para normalizar sua expresso antes de que Melissa se desse conta.
     No queria parecer muito contente pela aparncia de sua filha. Isso sempre tinha tido o efeito contrrio. Mas resultava difcil conter-se quando Melissa estava 
to atrativa. O vestido de algodo sem mangas era perfeito, e o verde lima era definitivamente sua cor.
     Para alvio dela, o que ela tinha posto prendeu imediatamente a ateno da garota.
     -Sei escolher a roupa ou no? -gabou-se encantada, com expresso triunfante. - Meu deus, mame, est realmente impressionante! E pelo menos dez anos mais jovem 
do que estaria se te tivesse posto esse vestido que voc escolheu.
     -No achas que este traje  muito... juvenil para mim? -Perguntou Helen insegura, olhando-se.
     -Deixa de te acovardar, mame -disse sua filha. - Est estupenda. Vais impressionar Milos.
     -No estou tentando impressionar a ningum -protestou ela. - E menos ainda, a Milos Stephanides. Simplesmente no quero parecer uma... adolescente.
     -Com seus seios? Voc bem que gostaria -Melissa fez uma careta. - Vamos. Eu estou usando o que te agrada, o mnimo que  pode fazer  fazer o mesmo.
     Quase era de noite quando saram, seguindo o zumbido de vozes que provinha do terrao. Um crepsculo violeta tinha cado e lmpadas coloridas penduradas nas 
rvores davam  cena uma iluminao mgica.
     J se tinha reunido um pequeno grupo de pessoas.
     Primeiro viu Maya, pela primeira vez contente, com Sam de um lado e Alex ao outro. Mas os olhos de Helen se fixaram imediatamente no homem alto que estava justamente 
atrs deles.
     No pde tirar nenhuma concluso, pois seu pai j as tinha visto e ia a seu encontro, com seu magro rosto aceso por uma expresso de aprovao.
     -Est... ambas esto muito bonitas -disse, tomando-as pela mo. Helen se deu conta de que Melissa no se ofendeu por seu entusiasmo. - No sabem quo orgulhoso 
estou de que finalmente estejam aqui.
     -Mame est estupenda, no? -perguntou Melissa com inteno. - Eu escolhi este traje, voc gosta?
     -Sim -respondeu Sam. - Tem bom gosto. Mas sabe uma coisa? Sua me  uma mulher muito bonita.
     Helen se ruborizou ao ouvir isso, e antes de que Melissa pudesse dizer algo que a pusesse em um apuro, Sam as conduziu para frente.
     -Vamos -disse Sam. - Esta gente est desejando lhes conhecer. Me permitam que vos presente.
     Para alvio de Helen. A maioria dos convidados falavam um pouco de ingls, e como havia dito Sam, estavam desejando conhec-la. Evidentemente, Sam lhes tinha 
contado que era viva e muitos lhe deram o psames pela triste perda. A irm de Milos estava ali e, depois de conhec-la, Helen pde compreender por que Melissa 
gostara tanto dela.
     Alex era um rosto familiar, e quando Sam foi ao bar, ele parecia ter assumido o papel de seu protetor.
     -J te ter dado conta de que os gregos se alegram sempre de ter uma desculpa para fazer uma festa -brincou. - Mas me alegro por Sam. Sei o muito que sentiu 
tua falta em todos estes anos.
     -Eu tambm senti a falta dele. -murmurou Helen. Ento, franziu o cenho. - Devia ser muito jovem quando sua me e... e meu pai se juntaram.
     -Tinha dez anos -corroborou Alex. - Embora eu chame a seu pai de Sam, foi sempre como um pai para mim.
     -Estou segura.
     Helen queria perguntar mais e, como se sentisse sua curiosidade, Alex continuou:
     -Meu verdadeiro pai era um pescador. Afogou-se antes de que eu nascesse -fez uma pausa. - Ele no chegou a saber que ia ser pai. Minha me e ele no estavam 
casados, entende?
     Helen assentiu, compadecendo tanto a Maya como a ele. Devia ter sido difcil tambm para ela, grvida e sem marido. Conhecia o sentimento.
     Milos escolheu esse momento para unir-se a eles. Helen se sobressaltou visivelmente quando lhe falou, e ela soube que Alex se deu conta.
     -Kalispera, Helen -Milos o saudou afavelmente. - Est muito bonita esta noite.
     -Obrigado. Estou bem. -disse Helen com frieza, mas no podia evit-lo. - Que bom que tenha vindo.
     -Foi um prazer -respondeu Milos, embora sua expresso grave contradizia as inocentes palavras. Fixou-se no copo meio vazio de retsina que levava Helen. - Alex, 
sua meio-irm necessita de outra bebida. Pode trazer-lhe. 
     -Oh, mas eu...
     Helen ia dizer que no queria outra bebida, mas Milos j lhe tinha tirado o copo e o tinha dado a Alex. Este pareceu duvidar, mas era muito educado para discutir 
com um convidado.
     -Kanena provlima -disse afavelmente, e com uma breve palavra para se desculpar, se foi.
     -H dito: "No h problema" -traduziu Milos, e Helen lhe deu um olhar de recriminao.
     -No queria outra bebida -disse bruscamente. - Por favor, no te atreva a tomar as decises por mim.
     -Fiz isso? -Milos tomou um gole antes de continuar. - Pensei que te ajudaria a relaxar. Est to tensa como as cordas de um bandolim.
     -E de quem  a culpa?
     -Acredito que culpas a mim.  -respondeu ele, elevando suas escuras sobrancelhas. - E a quem se no?
     -Por que? -seus olhos se pousaram brevemente em sua boca e ela sentiu o calor dessa apreciao sensual alagando seu interior. - Admito que estou adulado, mas 
como nos conhecemos to bem...
     -No nos conhecemos to bem -replicou calorosamente Helen. - Apenas nos conhecemos.
     -Oh, eu acredito que sim -Milos lhe manteve o olhar nesse momento, e ela se deu conta sem remdio do facilmente que podia venc-la empregando suas prprias 
armas. Houve um silncio cheio de emoo e ento disse. - Gosto de sua filha.
     -E se supe que isso  uma recomendao? -Espetou finalmente Helen, depois de sentir de repente um calafrio, apesar da calorosa noite. - Melissa se faz amiga 
da pessoa mais inapropriada.
     -Sim, isso  o que me disse. Tivemos uma conversa muito interessante voltando de Vassilios.
     Helen sabia. Tinha visto o sorriso de conspirao que tinham antes de que sua filha sasse do carro, mas tinha sido muito orgulhosa para lhe perguntar.
     -Quanto tempo leva fazendo novilhos? -perguntou abruptamente Milos, e Helen tragou saliva. 
     -Como o...? Melissa te disse isso? 
     -No deve t-lo feito. Passa todo o dia com os matadores de aula. Que outra coisa pode fazer?
     -Nem todos so perdedores -comeou Helen depois de umedecer seus lbios secos. - Bom, de acordo. Tivemos algum problema com... as ausncias -admitiu. - Mas 
todos os adolescentes, todos os meninos atravessam algum perodo de rebeldia.
     -E isso  o que voc acha que ? Um perodo de rebeldia.
     - Que outra coisa poderia ser? -defendeu-se Helen.
     -Poderia ser o comeo de uma vida sem xito -disse Milos. - Que exemplo lhe deu seu marido? A garota nem sequer pensa que a educao vale a pena.
     -No perguntei sua opinio -disse Helen, baixando a cabea.
     -De qualquer modo, tem-na de graa.
     -Quer dizer que no pode resistir a te colocar em minha vida -Helen olhou com inquietao a seu redor. - Onde est Alex? Espero que no tenha assumido sua intruso 
como razo para permanecer afastado.
     -Voltar -Milos se encolheu de ombros.
     -E at ento, vais incomodar -suspirou Helen.- No h nenhuma outra mulher desesperada por ter sua ateno? Por que me escolher a mim?
     -Possivelmente voc seja boa para meu ego -respondeu Milos.
     -O que quer na realidade, Milos? -perguntou Helen, movendo a cabea. - No posso acreditar que esteja desfrutando disto mais que eu.
     -Est equivocada -Milos se inclinou para ela. - Temos que falar, Helen. No achas?
     -Estamos falando agora -respondeu Helen.
     -Assim no. Temos coisas para nos dizer que  melhor serem ditas em privado.
     -Que... coisas?
     -Oh, estou seguro de que nos ocorrer algo -murmurou brandamente, enquanto lhe acariciava o ombro. - Como por que treme quando te toco -passou seus dedos por 
seu brao, parando para acariciar a curva de seus seios. - ou por que no est gritando que estou tomando umas liberdades que nenhuma mulher decente permitiria.
     -Ou que nenhum homem decente tomaria -Helen se separou timidamente dele. - Me deixe em paz, Milos. Por favor!
     -No posso fazer isso -disse com voz rouca, e ela sentiu o roar de sua boca em sua tmpora.
     Estava segura de que ia beijar-la na boca e estava envergonhada ao admitir que tinha inclinado a cabea.  
     Mas ento Milos se separou dela abruptamente, e Helen viu  Melissa e  Rhea no outro lado do terrao, observando-os.
     Nesse momento Alex voltou com sua bebida.
     -Aqui tem. -disse lhe entregando o copo, e Helen deu um gole com avidez.
     -Obrigado. -disse Helen, depois de ter bebido. - Necessitava-o.
     Como se de repente perdesse todo interesse por ela, Milos se desculpou e se afastou para a mesa do buf, onde Maya estava mais que contente em acompanh-lo.
     -Milos parece zangado -disse Alex. - H dito algo que te inquiete?
     -Que me inquiete? -a voz de Helen tinha um tom de negativa. Esforou-se para dominar-se. - Mm, no. Simplesmente estvamos... falando dos velhos tempos, isso 
 tudo.
     Deu-se conta muito tarde de que no tinha sido a coisa mais sensata que poderia haver dito ao ver Alex franzir o cenho.
     -No sabia que Milos e voc fossem velhos amigos -observou tranqilamente. - Como se conheceram?
     -Oh...  faz anos -disse Helen com impacincia. - Milos estava de frias na Inglaterra e meu pai lhe pediu que... visitasse-me.
     -De verdade? -Alex estava obviamente intrigado. -Sabe? Nunca pensei que Milos fora a Inglaterra exceto em viagens de negcios.
     Ela tinha sido simplesmente outro negcio. E a que tinha tido que pagar o preo.



Captulo 7

     Ainda era cedo quando Milos saiu ao balco de seu dormitrio em Vassilios. Uma brisa fresca lhe alcanou as pernas nuas. Tinha dormido mal. Maldita seja! Deveria 
ter falado com Helen a respeito do que lhe preocupava na noite anterior. Mas a combinao de sua prpria agressividade e da fragilidade de Helen o tinha denotado 
uma vez mais. No tinha sido capaz de manter as mos longe dela.
     Seja como for, a festa dos Campbell no tinha sido um lugar apropriado para ter uma conversa sria, e Milos se foi logo que amavelmente pde. Rhea se havia 
oposto. Tinha querido ficar para o baile que ia seguir ao buf. Mas lhe havia dito de uma maneira nada correta que a menos que queria voltar para casa por seus prprios 
meios, teria que ir-se com ele.
     Mas o que mais lhe incomodava era o fato de que ia a Atenas pela tarde. A conferncia a qual tinha que assistir comeava no dia seguinte, e passariam ao menos 
trs frustrantes dias antes de que pudesse voltar para a ilha.
     A frustrao lhe assaltou de novo. Tinha que falar com Helen antes de que se fosse. Tinha que conseguir que admitisse a verdade sobre Melissa. At que no o 
fizesse, estava perdendo tempo.
     Inclusive Sam se surpreendeu de que chamassem Helen por telefone e voltasse dizendo que Rhea Stephanides convidava Melissa e a ela para almoar.
     -No sei por que me h convidado -murmurou, apesar do entusiasmo de Melissa. - Apenas a conheo.
     -Eu sim -disse sua filha com iluso. Olhou a sua me franzindo o cenho. - No recusou, no? 
     -Eh... no. Helen admitiu que no o tinha feito, embora ainda tivesse dvidas, e Melissa se mostrou satisfeita.
     -Sempre posso ir sozinha. No necessito que me trate como um beb -voltou-se para seu av. - Levar-me, far-o? 
     -Melissa... -titubeou Helen.
     -Acredito que deveriam ir as duas -afirmou com firmeza Sam, e por uma vez Maya estava de acordo com ele.
     -No acredito que Milos esteja ali -disse ela. - Pelo que sei, vai hoje a Atenas.
     -A conferncia.  obvio -corroborou Sam. -  uma reunio de produtores de petrleo para discutir os modos de reduzir a contaminao, e Milos  um dos principais 
conferencistas.
     -Compreendo.
     -A o tem, mame -disse Melissa. - No  uma armao de Milos para estar contigo.
     -Nunca pensei que fosse -protestou energicamente ao mesmo tempo que se ruborizava.- Desejaria que no dissesse coisas como essa, Melissa. Apenas... conheo-o.
     -Lhe gostaria de te conhecer, entretanto -disse astutamente Melissa. - Rhea e eu lhes vimos juntos ontem  noite, lembra-te?
     -Viram-nos falando, isso  tudo -exclamou Helen. Olhando a seu pai humilhada. - Verdadeiramente, Melissa tem muita imaginao.
     -No deixe que te altere -disse Sam brandamente, lhe piscando um olho a sua neta. - Ela s te est tirando sarro. Tem uma idia equivocada, Melissa, e acredito 
que deveria pedir perdo.
     -Mas a mame gosta de Milos -insistiu Melissa. - Sei que gosta. E ele no podia deixar de olh-la quando estivemos jantando.
     Sam suspirou, mas foi Maya a que decidiu responder  menina.
     -Est imaginando coisas.  como diz seu av, Milos sempre foi muito popular entre os membros do sexo oposto. Mas no deveria ir por a com a idia de que poderia 
estar interessado em uma inglesa. Os gregos se casam com as gregas.  como deve ser. 
     -Voc no o fez... -comeou Melissa. 
     -Seja como for, estou de acordo com que Maya pense assim -disse Sam. - Acredito que Milos teve bastante com seu matrimnio.
     Uma hora mais tarde, Helen se encontrava no assento dianteiro do jipe de seu pai. Este se tinha devotado para as levar pessoalmente  casa de campo dos Stephanides 
em So Rocco depois de que Melissa a tivesse surpreendido ao desculpar-se.
     -J quase estamos l -disse de repente Sam, assinalando as paredes brancas da casa. - Essa da  a casa de Aristteles. No tem piscina -acrescentou para conhecimento 
de Melissa. - Mas as vistas so magnficas. 
     - Estiveste aqui, no? Melissa se desabotoou o cinto e se inclinou para frente para abraar os assentos dianteiros.
     -Vrias vezes -corroborou seu av-. Como sabem, os Stephanides so parentes longnquos de Maya.
     -E no deixa de nos recordar isso.  Observou Melissa sem pensar, antes de acrescentar. - Sinto muito.  muito bonita.
     -Sim .  Seu av no estava ofendido. - No  to moderna como a casa de Milos,  obvio, mas acredito que vocs gostaro.
     Rhea saiu para receb-los quando o jipe chegou ao ptio coberto com cascalho. Usava uma saia at os tornozelos e uma camiseta sem mangas, e Helen viu como Melissa 
se fixou em sua aparncia.
     As duas adolescentes se saudaram calorosamente, mas embora Rhea convidasse Sam a ficar, este disse que tinha que ir-se. Rhea se ofereceu para as levar de volta 
e Helen sups que seu pai se alegraria de no ter que fazer a viagem pela segunda vez.
     Estava aliviada ao ver que Rhea parecia ter sua idade. Na noite anterior, a semelhana entre as duas garotas tinha sido bvio. Mas nesse dia Rhea parecia mais 
velha, mais amadurecida. O que era tranqilizador.
     -As duas esto muito bonitas -observou Rhea, contemplando a suas convidadas enquanto entravam no vestbulo. Assinalou as calas de algodo de Melissa. - So 
novas?
     -Sim -Melissa se pavoneou ante o desacostumado elogio. - E o vestido de mame tambm. Voc gosta?
     -Muito -disse educadamente Rhea, mas Helen se imaginou que seu singelo vestido no era algo que Rhea queria usar de verdade.
     -Foi muito amvel de sua parte nos convidar -disse Helen. - Melissa gostou muito quando foi a Vassilios no outro dia. 
     -Sim -Rhea soltou a palavra como se no estivesse totalmente segura de querer diz-la.- Mas temo que eu no sou a pessoa a quem deveria agradecer o convite.
     -Perdo...
     Helen estava tentando compreender o que queria dizer quando uma sombra escura emergiu atravs da abbada a sua direita.
     -No -disse Milos amavelmente, sonrrindo para  Melissa, que por sua vez sorria triunfalmente a sua me. Continuando, acrescentou . -Temo que eu sou o culpado. 
Perdoar-me?
     Por um momento, Helen no pde dizer nada. 
     -Pensei... Maya disse que foi a Atenas hoje.
      -E vou -replicou Milos. Olhou a sua irm. - Por que no pede a Marisa que nos traga alguns refrescos, Rhea? Estaremos no terrao.
     -Irei contigo, Rhea -disse Melissa em seguida, e embora Helen queria par-la, sabia que poderia falar mais livremente sem sua filha observando-a.
     -Parece-te bem, Milos? -perguntou Rhea, olhando a seu irmo para sua aprovao. Todos faziam o que queria esse homem arrogante, pensou impotente Helen. Oh Deus! 
Por que concordara em ir ali?
     -O terrao est por aqui -assinalou educadamente Milos quando estiveram sozinhos, e embora Helen queria lhe dizer que fosse ao inferno, seguiu-o obedientemente 
atravs do vestbulo. - Meu av construiu esta casa faz mais de sessenta anos -comeou Milos enquanto caminhavam. - Naqueles dias no havia nenhuma estrada e era 
um esconderijo adequado para os membros das foras da resistncia durante a Segunda guerra mundial.
     -Que interessante.
     Helen no fez nenhuma tentativa para esconder seu sarcasmo, mas no pde evitar dar um grito de surpresa quando chegaram ao terrao. No se tinha dado conta 
que o jipe tivesse subido to alto. A formosa vista do povoado com casas brancas tirava a respirao.
     -Impressionante, no? -murmurou Milos, apoiando as costas contra a parede de pedra que circundava o terrao.  - Construiu-se originariamente como... como o 
diriam? Casa de frias. Atenas no  recomendvel no vero pelo calor.
     -Que sorte poder escolher -observou secamente Helen. - Ento onde esto seus pais agora?
     -Esto fazendo um cruzeiro pelo Pacfico -disse Milos a contra gosto. - E antes de que faa outro comentrio mordaz, direi-te que meu pai teve um enfarte de 
corao no comeo do ano e se viu obrigado a aposentar-se. Se no fosse assim, assistiria ele mesmo  conferncia de Atenas.
     Helen sentiu um passageiro sentimento de culpa, mas no quis que ele o percebesse.
     -Sinto muito -disse laconicamente.
     Durante uns segundos houve um silncio entre ambos. Ento Milos se voltou e ps a mo na parede a poucos centmetros das suas. Ela ficou tensa automaticamente, 
mas tudo o que fez foi raspar a pedra com o polegar. Por que se sentia como se fosse sua pele a que estava acariciando?
     -Voc gostaria de ver onde vivo quando estou na ilha? -perguntou de repente, sua voz mais rouca que antes, e Helen teve que dominar-se para no apartar-se dele.
     -Por que quereria ver sua casa? -perguntou bruscamente. - Melissa me contou como .
     -Que lhe contem isso no  o mesmo que v-lo de verdade a gente mesmo -insistiu brandamente. Seus olhos se fixaram em sua boca antes de descer para seu decote. 
- Vem comigo, Helen. Quero te demonstrar que no sou o canalha egosta que acreditas que sou.
     -No tenho nenhum pensamento sobre ti, nem bom nem de outro tipo -replicou rapidamente, mantendo com esforo sua voz estvel. Olhou atrs dela. - Melissa e 
sua irm esto demorando muitssimo. Achas que deveria ir e lhes dar pressa?
     -Acredito que deveria ficar exatamente onde est -respondeu asperamente Milos. De repente moveu a mo para agarrar sua mo e Helen se perguntou se poderia sentir 
seu pulso palpitando. - Quanto tempo vais agentar assim, Helen? -seus olhos brilharam perigosamente. - Quanto tempo vais negar que todos estes anos me desejava 
tanto como eu a ti?
     -Desejava  a palavra exata -disse Helen, respirando entrecortadamente. - Esquece que no sabia que estava casado, Milos. Logo mudei meu modo de pensar quando 
sua esposa explicou por que tinha ido para Inglaterra.
     -O que diz? -Milos parecia desconcertado nesse momento, mas isso no lhe impediu de puxar-la para ele. - Minha esposa e eu nos tnhamos separado muito antes 
de que eu fosse para Inglaterra. No sei onde te informa, mas te posso assegurar que  a verdade.
     -Uma pena que sua esposa no o visse assim -replicou Helen, incmoda ao estar to perto dele. - Deixe-me ir, Milos. Ou quer que sua irm veja quo mal trata 
a suas convidadas?
     -Mal? -disse Milos mordazmente. - Voc no sabe quo mal quero te tratar. E no me importa especialmente o que Rhea pense. -Seu olhar acalorado quase a estava 
asfixiando e desgraadamente era consciente de que seu corpo no respondia como deveria. Ele s tinha que toc-la e ela tremia. - Pergunto-me como reagiria se estivesse 
nua. Teria isso algum efeito em sua alma traidora?
     Helen tragou saliva, incapaz de deixar de olh-lo. -Teria isso um efeito na tua? -replicou, sem saber de onde provinham as provocadoras palavras, mas incapaz 
de retratar-se.
     -Oh, sim -sua resposta foi imediata, e nesse momento se girou, aprisionando-a contra a parede. - Agora me diga que o que aconteceu entre ns no significou 
nada para ti -incitou grosseiramente. - Me diga que no tem lembranas reais dessa noite.
     No mesmo momento no qual sua lngua deixava um rastro mido ao longo de sua mandbula o pnico a alcanou. O que queria dizer? Do que estava falando? Estava 
desenhado esse plano de seduo para faz-la confessar?
     Meu Deus! Se isso era certo, era ardiloso. Porque justo nesse momento estava tentada, insuportavelmente tentada, a render-se.
     Felizmente, no ocorreu. Sua boca quase no tinha acariciado seus lbios quando ouviram o som de vozes vindo a seu encontro. Melissa e Rhea estavam rindo e 
conversando quando chegaram aonde estavam eles, e, apesar do que havia dito anteriormente Milos, isso foi suficiente para que resmungasse um palavro entre dentes 
e pusesse uma distncia decente entre eles.
     Helen no se recuperou to facilmente. Embora o beijo tinha sido breve, ruborizou-se e estava segura de que Melissa se daria conta. Sua filha sempre se dava 
conta de tudo.
     Mas se o fez, no disse nada, e foi Rhea a que disse com alguma preocupao:
     -No faz muito calor para ti aqui fora, Helen? 
     -Um... no, estou bem -murmurou rapidamente Helen, mas Rhea ainda parecia ter dvidas.
     -Podemos nos sentar na sombra -disse, assinalando com a cabea uma mesa e umas cadeiras de vime resguardadas por uma grade com buganvillas. - Marisa est em 
caminho com uma bandeja. 
     -Que amvel -disse Helen. 
     -Rhea e eu vamos  praia -disse Melissa. - Pode vir conosco se quiser.
     -Isso soa tentador.  Helen nem sequer tinha a vontade de corrigir sua gramtica.
     -Tinha pensado mostrar a sua me algo da ilha esta manh -interveio Milos brandamente, e Helen estava assombrada de sua arrogncia. - Acredito que viu muito 
pouco at agora.
     -Oh, acredito que um mergulho soa muito mais apetecvel que dar uma volta no carro com este calor -protestou Helen sem olh-lo. 
     -Pode te banhar em Vasillos -insistiu Milos com evidente determinao de sair-se com a sua. - Estou seguro de que Melissa e Rhea no necessitam de companhia.
     -Sim, est bem, mame -disse Melissa, chegando  mesma concluso. Enquanto, Marisa apareceu com a bandeja, e a garota acrescentou- Mmm, limonada! Eu adoro.
     -Assim... est decidido -Milos se sentou em frente a Helen enquanto que Rhea se encarregou do caf. - Reuniremo-nos aqui para almoar, certo?
     Ningum queria discutir com ele, mas depois de que as garotas se fossem no conversvel de Rhea, Helen se enfrentou a ele zangada.
     -No vou contigo Milos -disse, consciente de que ao menos Marisa estava a uma distncia em que a poderia ouvir no caso de necessit-la. - Se insistir em falar, 
podemos faz-lo. Mas o faremos aqui. No em Vassilios.
     -Tem medo de mim, Helen? -perguntou Milos, observando-a com as plpebras semicerradas.
     "Demnios, sim", pensou Helen. Tinha medo dele. Mas no o ia dizer.
     -Simplesmente acredito que seria mais... sensato se ficassemos aqui. Melissa e Rhea no demoraro.
     -O suficiente -disse Milos, cruzando-se de braos. - Vamos. O que tem a perder?



Captulo 8

     Antes de ver Helen de novo, Milos tinha jurado a si mesmo que nunca permitiria que outra mulher chegasse ao seu corao. Fazia anos, arrependeu-se amargamente 
quando tinha deixado que seus sentidos o dominassem. Prometeu-se que nunca mais faria algo parecido, e embora no tinha sido um monge nesses anos, nenhuma mulher 
tinha chegado to profundamente como o tinha obtido Helen.
     Para comear, no tinha querido acreditar que algum dia fosse v-la outra vez. Inclusive quando ela o deixou, tinha tentado procurar desculpas, e s quando 
ela rechaou falar com ele, deu-se conta de que, para Helen, o caso deles tinha terminado.
     Nos meses que seguiram a seu retomo para Grcia, tinha sofrido remorsos, devidos no a seus prprios sentimentos de traio, mas sim porque tambm tinha defraudado 
a confiana de Sam. Custou-lhe anos recuperar o respeito por si mesmo e agora estava em perigo de perd-lo de novo.
     Era to estpido! Apenas tinha acariciado sua boca com os lbios e j queria lhe tirar a roupa e enterrar-se em seu ardente corpo. Quando Melissa e Rhea os 
interromperam, tinha querido uivar de frustrao. Como podia sentir algo em lugar de desprezo por uma mulher que persistia em lhe mentir?
     Nesse momento, quando ela estava sentada a seu lado no assento dianteiro do antigo Aston Martin de seu pai, teve que reconhecer que fosse o que fosse que ocorresse, 
nunca mais ia lhe ser indiferente. Mas teria que faz-la frente. No podia lhe permitir que arruinasse sua vida pela segunda vez.
     Tinha tomado emprestado o carro de seu pai porque tinha ido a So Rocco em sua Harley. Necessitava o desatado poder da moto para relaxar. Alm disso, no tinha 
sabido como reagiria ao ter suas coxas abertas pressionando seu traseiro. Isso era muito mais do que um homem podia resistir.
     Mesmo assim, no podia negar que estar com ela, sentir o calor de seu corpo s uns centmetros do dele, fazia ferver seu sangue.
     Lev-la a Vassilios poderia ser um erro. Queria de verdade record-la ali, no centro de sua existncia?
     A vila estava situada na beira de um profundo vale, e nos pastos onde seus cavalos pastavam tinha plantadas papoulas vermelhas. A vila se estendia atravs de 
uma larga plancie, com prados cercados com corrimes brancos a seu redor; e um arroio serpenteava sob uma ponte de pedra.
     Milos ouviu Helen conter a respirao quando viu seu lar e se alegrou bobamente por sua reao. Tinha querido que ela gostasse da casa, especialmente porque 
se mostrou to pouco disposto a ir ali. Alm disso, estava orgulhoso de seu lar. A casa tinha sido construda seguindo seu desenho.
     Stelios apareceu da parte traseira do edifcio quando chegaram  casa. O ancio e sua esposa, Andrea, cuidavam a casa por ele. Ultimamente, Stelios tinha tido 
problemas com a artrite, e Milos teve que contratar alguns jovens para fazer o trabalho duro. Mas o ancio estava muito orgulhoso de sua posio e nunca permitia 
a nenhum dos outros empregados que esquecessem que ele era o chefe.
     Quando o carro parou, seus brilhantes olhos se fixaram em Helen, e Milos supunha que ele j estaria especulando a respeito de sua relao. Depois de tudo, raras 
vezes levava a alguma mulher a Vassilios.
     -Ol, Stelios -saudou-lhe Milos, abrindo a porta e saindo do carro. Ato seguido, acrescentou em sua prpria lngua. - Podes dizer a Andrea que nos traga alguns 
refrescos? Estaremos no terrao.
     -Sigoora, kirieh.  obvio, senhor. Stelios falava um pouco de ingls, e embora Milos se imaginava que o ancio esperava que lhe apresentasse  convidada, no 
o fez. Nesse momento tinha coisas mais importantes em mente.
     Milos fez um sinal com a cabea para agradecer, e vendo que Helen j havia descido do carro, indicou-lhe com o brao que lhe precedesse, subisse os degraus 
e entrasse na casa.
     Entraram em um grande vestbulo com uma abbada de vidro. Desde seu centro subia como um leque uma escada que dava acesso ao andar de cima, e em cada lado do 
vestbulo havia portas que mostravam um salo e uma sala de jantar elegantemente mobiliados.
     Milos viu em seguida que Helen estava impressionada. Conduziu-a para o terrao que estava na parte traseira. Havia vrias cadeiras com almofadas e, como cortina 
de fundo, uma magnfica vista do oceano.
     Ouviu Helen tomar flego quando viu a piscina ladrilhada com mosaicos.
     -Sentamo-nos? -sugeriu Milos, indicando as cadeiras que estavam na sombra do terrao, mas Helen se moveu para os degraus que conduziam  piscina.
     Estando de costas a ele, no se dava conta do modo no qual a luz do sol perfilava a curva de seus quadris e de suas longas pernas, inclusive atravs do vestido. 
Mas Milos era consciente disso, e se meteu as mos nos bolsos, perguntando-se se ela tinha alguma idia de quo tenso estava.
     -Tem uma vista maravilhosa -disse Helen, enquanto a brisa agitou uma mecha de seu cabelo, levando-o a sua boca.
     Helen elevou a mo para retirar a mecha detrs de sua orelha, estirando o magro vestido contra seus seios. "Saberia o provocador que era lamb-los lbios como 
o fazia?", perguntou-se Milos. Ou era s uma estudada tentativa para lhe distrair?
     -Bom -disse Helen. - O que estamos fazendo realmente aqui?
     -Estou seguro de que sabe. Por que no se senta comigo e falamos?
     -Fala voc, Milos. Voc  o que tem perguntas -replicou rapidamente Helen. - Me diga o que est pensando e eu tentarei te responder.
     Mas no era to fcil. Comparou a imagem de Helen nesse momento com a qual tinha tido a primeira vez que a viu. Uma garota alta e magra com os jeans e a camiseta 
do uniforme do colgio ao que ia. Tinha-lhe deixado sem respirao. Recordou sua reao ao conhec-la como se tivesse ocorrido no dia anterior e no quatorze anos 
atrs...
     Milos estava tomando ch na sala de estar com Sheila Campbell quando Helen entrou na casa.
     -Ei, de quem  esse elegante carro? Perguntou ao entrar na sala, referindo-se ao poderoso Saab que Milos tinha alugado para sua estadia ali. Ento, parou-se 
abruptamente quando viu o visitante ficando de p educadamente ante sua chegada.
     Era difcil dizer quem estava mais envergonhado nesse momento. Sheila, que tinha permitido a Milos entrar na casa com reticncia, uma vez que tinha ouvido que 
conhecia seu ex-marido; Helen, devido  impetuosidade de sua chegada; ou o prprio Milos, que sabia que estava ali com falsos pretextos e que nunca tivesse imaginado 
que a filha de Sam Campbell ia ser como era.
     Porque Helen era bonita, com o tipo de beleza inglesa da qual os poetas falavam em seus livros. Olhos azuis, compleio impecvel, uma boca irresistvel...
     Seu cabelo era bastante longo, uma espessa juba loira. Tinha-o preso em uma trana.
     Estava-a observando, sabia, mas no podia evit-lo. Do momento em que seus olhos se encontraram, deu-se conta de que tinham conectado. Queria conhec-la; no, 
precisava conhec-la.
     -Este  o senhor Stephanides -disse Sheila-. Trabalha com seu pai. Agora est de frias e ao que parece seu pai lhe pediu que nos visitasse.
     -Meu pai? -perguntou Helen. - Conhece meu pai? -e ao assentir Milos, acrescentou. - Est bem?
     -Est bem -assegurou-lhe Milos, precavendo-se silenciosamente do que Sam j lhe tinha contado: que durante o divrcio Helen tinha tomado partido por sua me. 
- Mas te envia seu amor, naturalmente. Acredito que passou um ano desde a ltima vez que o viu.
     -Quase dois -interrompeu irritada Sheila Campbell, no gostando de ficar fora da conversa. - No  que isso signifique muito para ele. Helen sabe o que seu 
pai pensa dela. Deixou-o bem claro quando nos deixou por essa mulher grega. Se tiver vindo para interceder por ele, senhor Stephanides, est perdendo seu tempo.
     -No  por isso... quero dizer... -Milos sabia que no devia mostrar suas cartas muito cedo. Sam lhe tinha advertido que Sheila tentaria bloquear qualquer comunicao 
entre Helen e ele. Ao estar do lado de Sam, s ia ganhar a antipatia de ambas. - Como digo, agora estou de frias. Como conheo... pouca gente na Inglaterra, Sam 
me deu seu endereo.
     -No tinha nenhum direito -disse em seguida Sheila Campbell. - Sei qual  sua estratgia. Quer que volte e lhe conte que vamos mal sem ele. O que acontece? 
Tampouco funciona seu segundo matrimnio? Bom, no tem por que pensar que pode voltar aqui. Nos arrumamos muito bem sem ele, no  certo, Helen?
     -OH... eu... claro -disse Helen, que parecia um pouco desconforme com a animosidade de sua me.
     -Sam est bem -disse Milos. E feliz, poderia ter acrescentado, sentindo a necessidade de defender ao outro homem. Mas se mordeu a lngua e se voltou para Helen. 
- Na realidade, o carro da fora  meu. Alegra-me que pense que seja... como disse? Elegante? -sorriu, tratando de alcan-la apesar da presena de sua me. - No 
me pertence, temo. Acabo de alugar- lo.
     -No sabia, isso  tudo -respondeu Helen, encolhendo-se de ombros.
     -Helen no est interessada em carros caros -interrompeu secamente Sheila Campbell; e olhando a sua filha, acrescentou. - Acredito que tem deveres a fazer, 
Helen. No deixe que lhe entretenhamos. Helen est no sexto ano do curso do instituto, senhor Stephanides. Espera ir  universidade.
     Evidentemente, Helen estava contente de escapar. Com uma breve palavra de despedida, abandonou a habitao to rapidamente como tinha entrado. Milos tinha querido 
det-la. Queria lhe dizer que iria ver-la, no a sua me, mas isso era impossvel no momento. Se Sheila Campbell sequer suspeitasse de seus motivos, proibiria a 
sua filha ter algo que ver com ele, e Milos no tinha confiana em sua prpria habilidade para fazer que Helen escutasse o que lhe tinha que dizer. Isso foi dois 
dias antes de voltar a v-la. Tendo decidido que o Saab era muito ostentoso, Milos o tinha trocado por um modelo mais popular, dando-se conta de que, se queria contatar 
com Helen, teria que faz-lo escondido. Em conseqncia, na manh seguinte tinha estacionado a alguma distncia da casa, com a esperana de poder interceptar a sua 
vtima em seu caminho ao instituto.
     Tinha chegado muito tarde. Embora tinha perdido grande parte da manh esperando-a, a nica pessoa a qual tinha visto tinha sido  senhora Campbell, que evidentemente 
ia ao trabalho. Deu marcha r a um velho Ford e se foi na direo contrria, deixando Milos sem saber se Helen se foi ou no.
     Pensou em esper-la depois do instituto, mas isso apresentava muitos problemas. Em primeiro lugar, no sabia onde se situava o instituto ou de que direo se 
aproximaria da casa, e por outra parte, sua me esperaria que chegasse a casa a uma hora determinada. Qualquer desvio de seu horrio habitual poderia fazer suspeitar 
a sua me.
     Na manh seguinte, Milos tomou posio muito mais cedo que no dia anterior. Pensou o ridculo que era que tivesse que atuar desse modo. No tinha tido tempo 
para barbear-se, e no tinha tomado o caf da manh. No era exatamente o caminho que tinha previsto quando concordou em realizar o pedido de Sam de falar com sua 
filha.
     Uma vez mais, a primeira pessoa em aparecer foi Sheila Campbell. Como na manh anterior, saiu da garagem e se foi. Milos franziu o cenho. Maldita seja! Se Helen 
ia ao instituto, no a levaria sua me no carro? No podia haver lhe escapado de novo. Eram apenas oito horas da manh.
     Esperou at as nove antes de fazer algum movimento. Quando ele ia  universidade na Inglaterra, os institutos tinham comeado passados das nove e quinze. Ou 
j se foi sem que a tivesse visto, ou ainda estava em casa. Poderia estar doente, sups nada convencido. No tinha pensado nisso.
     Estacionou o carro no outro lado da rua, s se por acaso algum estivesse observando. Ento abriu a porta, cruzou a rua e andou o caminho que conduzia  porta 
principal pintada de branco.
     Chamou na campainha, como tinha feito dois dias antes, e esperou um tempo impacientemente para ver se havia algum em casa. Estava inclinado a pensar que a 
casa estava vazia. No houve nenhum rudo de algum indo abrir a porta. Mas ento viu que algum tinha deslocado a cortina da janela da porta do lado, e quando se 
girou, encontrou Helen olhando-o do outro lado do vidro.
         
     Ela parecia to comovida como ele, provavelmente mais, e seguiu olhando-o at que lhe fez um gesto de que viesse e abrisse a porta. Ela duvidou, claramente 
pensando no que fazer.
     A Milos pareceu que necessitou uma eternidade para cruzar o que ele sabia que era o salo e cobrir a curta distncia at a porta principal. Mas finalmente abriu 
a porta, mantendo o trinco como se no tivesse a inteno de lhe deixar passar.
     -Ol. Lembra de mim?
     - obvio -respondeu Helen, apertando os lbios.
     Usava uns jeans desgastados, e uma camiseta branca. Milos teve que afastar os olhos dos mamilos que se percebia contra o tecido, recordando-se severamente o 
porqu de sua estadia ali.
     -No est no instituto hoje.
     -Obviamente no -disse Helen, demonstrando que no estava intimidada. - O que quer voc, senhor Stephanides? Tenho que estudar.
     -Posso entrar?
     Isso no era o que tinha inteno de dizer e no se surpreendeu quando ela sacudiu a cabea.
     -Minha me no est aqui -disse. - Trabalha em meia jornada no supermercado. Se voltar por volta das duas e meia, ela dever estar em casa at ento.
     - a ti a quem vim a ver, Helen -disse, ignorando sua reao. - Seu pai queria que falasse contigo. Gostaria de muito que o perdoasse.
     -Ah, sim? -suas palavras repetiram o rancor de sua me, mas Milos sentiu que havia desprazer na mordaz negativa-. Meu pai no se preocupa comigo. S se preocupa 
de sua nova esposa. Rompeu toda esperana de seguir sendo uma famlia quando nos abandonou.
     -Ele abandonou a sua me, no a ti -respondeu Milos, suspirando.
     -E voc acha que isso o desculpa?
     -No...
     -Porque lhe tenho que dizer que acredito que o que fez foi bastante desprezvel.
     -Estou de acordo -Milos no conhecia todos os detalhes da histria, mas podia ver pelo ponto de vista dessa garota que o comportamento de seu pai parecia imperdovel. 
- Mas isso no altera sua relao com ele. Ele  ainda seu pai. Ainda te quer.
     -Sim, claro.
     -Pois sim. E, sabe, tentou contatar contigo, mas sua me o impediu sempre.
     -Assim que essa  sua verdadeira inteno, no? Me persuadir de que ele no  o patife que acredito que ?
     Milos duvidou. Se lhe dizia que sim e ela o mandasse embora, no conseguiria nada. Por outro lado, se dizia que no,  que outra desculpa poderia dar pela visita? 
Lhe atraa, seguro, mas no podia lhe dizer isso. Era muito jovem para ele. Ou no o era?
     -Como lhe isso dito, estou de frias -disse, suspirando. Na realidade, era uma viagem de negcios, mas pensou que isso no lhe daria nenhuma vantagem. - Seu 
pai me sugeriu que lhes visitasse. O que tem que mal nisso? Como lhe  disse, ele quer arrumar as coisas. Se isso for impossvel, pois que seja assim.
     -Sim .
     Helen se mostrou inexorvel, suas suaves bochechas se ruborizaram muito. Milos descobriu que queria tocar sua pele. Estava to segura de si mesmo, to forte, 
mas to inconscientemente vulnervel. Milos estava enfeitiado por sua inocncia.
     Um homem menos... arrogante se teria retirado ento, mas ele no o fez. Milos se disse que ainda acreditava que poderia mudar seu modo de pensar, mas essa no 
era a verdadeira razo pela qual ele queria v-la de novo. Tinha-o enfeitiado.
     -Poli kala -disse tristemente. - Tentei-o. Jogou uma olhada  rua, como se se preparasse para ir-se. Mas nesse momento lhe ocorreu o que provaria ser uma deciso 
fatal. - Olhe, compreendo que tenha coisas que fazer agora mesmo, mas deixar ao menos que lhe convide para uma taa esta noite?
     
     -Milos?
     Helen lhe estava falando e este se deu conta de que por uns minutos tinha perdido completamente o fio da conversa. As lembranas de sua viagem a Inglaterra 
eram to vivas e dolorosas, que era difcil separar o presente do passado.



Captulo 9

     - Est bem? Helen se tinha aproximado um pouco mais, mas quando Milos a olhou, afastou-se rapidamente. Sups que levava uns minutos sem ouvir nada do ela que 
havia dito.
     -Minha khara, estou bem -disse rapidamente. - No te ps em contato comigo depois de deixar o hotel. -disse bruscamente Milos.
     -Me pr em contato contigo? Por que quereria faz-lo? -disse Helen, como se no lhe tivesse ocorrido isso.
     - o que os homens e as mulheres fazem depois de haver-se deitado. -espetou irritado Milos, enquanto seu mau humor se reavivava. - No finja... que o que ocorreu 
entre ns no significou nada para ti. Ou vais dizer-me que no foi a primeira vez que fez amor?
     -Seria uma tola se o fizesse -disse finalmente. - Mas estava casado. Esperava que no me importasse?
     -J lhe disse isso. -disse estirado Milos, enquanto sentia pulsar um nervo na tmpora. - J estava separado de minha esposa quando fiz a viagem para Inglaterra 
-fez uma pausa. - Mas isso me recorda algo que disseste antes: quando falou exatamente com Eleni? Interessaria-me ouvi-lo.
     Helen se mordeu o lbio inferior e Milos se perguntava se tinha inventado tudo, quando ela disse:
     -Ela chamou ao hotel -disse, lhe confundindo totalmente, e s pde olh-la com incredulidade.
     -Que hotel?
     -Bom, eh... Em quantos hotis esteve?
     -Refere-te ao hotel onde ns... -disse Milos, piscando.
     -Onde me seduziu? -lanou-lhe um amargo sorriso.
     -Mas como ela pde faz-lo? No sabia onde me hospedava.
     -Ento algum deve ter-lhe dito. -disse Helen. - Suponho que no era um segredo, no  verdade?
     -Quando? -perguntou Milos, ignorando sua pergunta e sacudindo a cabea. - Quando ela chamou?
     -No o adivinha? -a voz de Helen estava desafinada. - Recorda que foi ao banheiro para... para te desfazer da evidncia. Surpreendeu-se muito que fosse eu a 
responder ao telefone.
     -E o que lhe disse?
     -Bom, no revelei seu sujo segredo. -disse Helen com uma careta. - Embora imagino que tinha suas suspeitas. Foi por isso pelo que se divorciou?
     -Por favor -disse Milos, franzindo os lbios. - Contei-te nossa situao. No houve nenhum corao destroado.
     -Essa no foi minha impresso.  - Helen era ctica a respeito.
     -No me importa que impresso teve -respondeu Milos.
     Sua cabea se encheu com as imagens dessa tarde no hotel. Recordou ir ao banheiro, para desfazer-se do que evidentemente demonstrou ser um preservativo defeituoso. 
Recordou dar-se uma ducha de gua fria. Inclusive recordava ter pensado que Helen gostaria de acompanh-lo. Mas quando saiu do banheiro, ela se tinha ido.
     -Por que no ficou e me contou isso? -exigiu Milos. - Por que no me perguntou sobre Eleni, em lugar de sair correndo como uma menina mimada?
     -Porque isso  o que eu era -replicou Helen-. Uma menina. E quando me disse que tinha vindo a Inglaterra, no de frias, como havia dito, mas  para me fazer 
mudar de opinio a respeito de meu pai, soube que as suspeitas que mame tinha tido a respeito de seus motivos eram certas. Embora no posso entender porqu pensou 
que me seduzindo sentiria mais simpatia por Sam.
     -No te seduzi -disse Milos. - Assim que essa foi a razo pela qual te negou a falar comigo de novo.
     -Entre outras coisas -Helen soava abatida. - Senti por sua esposa. Parecia realmente agradvel. Recordo que inventei uma desculpa de que saamos para jantar 
e esqueceu algo. Disse-lhe que estava no banheiro, mas no queria te incomodar.
     -No posso acreditar nisso! -Milos estava furioso. - Essa mulher tem feito da manipulao uma arte refinada. Mentiu-te, Helen. Se te fez acreditar que eu a 
tra, estava mentindo. Deveria lhe haver perguntado na cama de quem ia dormir nessa noite. Garanto-te que no teria sido a nossa.
     -E isso desculpa o que fez?
     -Nunca te disse isso.
     -No, mas prova que meu pai e voc eram iguais.
     -No! -Milos soltou um palavro. - Sam no sabia nada disso. Ainda no sabe. Me teria matado se tivesse suspeitado o que fiz.
     -Um hurra para meu pai! -disse Helen ironicamente.
     -Confiou em mim e eu o tra -disse Milos, suspirando.
     -E ele traiu a minha me -replicou ela. - Isso te deixa inclusive muito bem.
     -No foi o mesmo -disse Milos, encolhendo-se de ombros.
     -No. Sam se divorciou e se casou com Maya. -Refiro-me a que nossa... relao; aventura; como quer cham-lo... foi muito curto. 
     -E de quem foi a culpa? 
     -Pois no foi minha. Tentei ver-te outra vez, Helen. Sabe que o fiz. Mas te escondeu atrs de sua me, e tive que voltar para a Grcia. 
     -Que cmodo!
     -Absolutamente foi cmodo -disse Milos duramente. - No sabia que Eleni te tinha enchido a cabea de mentiras. E tinha trabalho a fazer, gente que dependia 
de mim para viver. Tinha deixado bem claro que no queria nada a ver comigo.
     -Bom,  muito tarde agora.  uma pena que no dissesse a verdade ao princpio. Teria evitado...
     Parou-se abruptamente, quase como se tivesse medo de ter falado muito.
     -Tivesse evitado... o que? - Milos lhe incitou a terminar a frase, sentindo que estava a ponto de conhecer algo significativo. Deu um passo para ela. - Helen...
     -Acredito que a vem o caf que pediu -disse rapidamente, mudando de tema. A governanta entrou cuidadosamente no terrao com uma bandeja.
     Theos! -A frustrao quase paralisava Milos e teve que controlar-se para no soltar sua fria sobre a anci. - Deixe-o na mesa -ordenou secamente, e Andrea 
inclinou sua grisalha cabea com submisso.
     -Afto ineh ola, kirieh -Perguntou, olhando por cima Helen apressadamente enquanto falou.
     -Ineh mi khara, efkharisto. Est bem, obrigado -disse Milos, sorrindo-lhe. - Tipoteh alo.
     A anci lhe devolveu o sorriso e, com outra breve olhada a Helen, deixou-os sozinhos.
     -Leite e acar? -perguntou Helen educadamente, fazendo uma pardia da cerimnia, e Milos quis levantar-la da cadeira e for-la a que terminasse o que ia dizer.
     -Tal como est -disse friamente, observando como vertia a bebida espessa e aromtica em uma fina xcara de porcelana. No pde evitar que gostasse do fato de 
que sua mo tremesse quando lhe deu a xcara.
     Deu-se conta de que, embora servisse caf para si, no o bebeu. Em lugar disso, tomou um dos doces e o levou a boca.
     Milos teria jurado que no lhe ia distrair outra vez, mas seu estmago se sacudiu quando Helen tirou a lngua para resgatar uma migalha do lbio inferior. Havia 
algo distintamente sensual no modo no qual desfrutava do doce, e Milos ps a xcara na bandeja com uma maior sensao de impotncia.
     Como se sentisse o frustrado olhar de Milos, Helen terminou o doce e ficou em p de novo. Passou devagar a seu lado e foi para os degraus da piscina onde tinha 
estado antes.
     -Falava a srio quando o disse? -perguntou Helen. - A respeito de que me banhasse na piscina?
     -Se for o que voc gosta... -disse Milos, depois de afogar um gemido e apertar a mandbula.
     -Eu gostaria que me levasse de volta a casa de campo de seus pais. Mas como estou aqui... Desgraadamente, no trouxe nenhum traje de banho.
     -E  isso um problema? -Milos no pde resistir desafi-la, mas ela se sairia com a sua.
     -No para ti, possivelmente -disse Helen bruscamente, e lhe gostava de ver que a tinha desconcertado. - No estou acostumada a tirar a roupa diante de desconhecidos.
     -Eu tampouco -observou Milos brandamente enquanto via como ela apertava os lbios.
     -Tampouco diante de desconhecidas -replicou ela. - Tenho um pouco mais de respeito por mim mesma do que antes.
     Assinalou com a cabea a fileira de cabanas de madeira situadas ao final da piscina.
     -Acredito que ali encontrar tudo o que necessita -disse ele. A dvida cruzou um momento o rosto de Helen, mas comeou a descer os degraus de pedra.
     Saiu da cabana maior uns minutos mais tarde. O diminuto biquni que tinha escolhido era azul escuro e branco. Rapidamente se foi  piscina e executou um perfeito 
salto.
         
     Milos estava impressionado. Obviamente, Helen era uma grande nadadora. Desceu os degraus para assim estar em sua linha de viso.
     Entretanto, Helen o ignorou. Quando alcanou o final onde estava Milos, simplesmente deu a volta e nadou na outra direo.
     Milos se tirou a camisa, e se tirou as botas que originalmente se ps para montar na Harley. Desabotoou-se e baixou os jeans, e ento colocou os polegares em 
sua cueca. Mas em deferncia  sensibilidade de sua hspede, no foi mais  frente. Enquanto ela nadava para ele, Milos se atirou  gua.
     Ao cair ruidosamente na gua, Milos fez que Helen perdesse o ritmo. Ficou quieta um momento antes de dar-se conta do que ele tinha feito. Olhou-o indignada, 
quase como se no tivesse o direito de usar a piscina, antes de girar-se abruptamente para os degraus.
     -Espera!
     Milos a agarrou pelo brao quando ia se separar dele. Ela lutou um momento antes de dar-se conta de que estava perdendo tempo, e Milos se aproveitou de seu 
consentimento para atrai-la para ele. Deixaria-a partir quando ele quisesse, pensou severamente, mas seu corpo j o estava traindo.
     No podia evitar ser consciente, ao toc-la com os dedos, do suave que era sua pele.
     -O que quer? -exigiu Helen, e Milos se perguntou se s se imaginou o dbil tremor em sua voz. Ento acrescentou, tomando flego. - Est usando algo?
     -Que tipo de pergunta  essa? -Milos teve que sorrir, ante to imprevistas palavras.
     -Uma bem simples -replicou Helen, recolhendo o cabelo molhado. - No te vi entrar na cabana.
     -Isso  porque no o fiz -reconheceu Milos. - Importa-te?
     -No -replicou ela, mantendo distncia dele. - No  que seja algo que no tenha visto antes.
     Milos se ofendeu por isso. E dissesse o que dissesse, ele sabia que sua proximidade no lhe era to indiferente como teria gostado de lhe fazer acreditar. Entretanto, 
ainda estava preparado para ser generoso.
     -De acordo, mas simplesmente para te tranqilizar, posso te dizer que no estou totalmente nu.
     -Bem -Helen se encolheu de ombros. - Mas tem que admitir que  exatamente o tipo de armao que utilizaria.
     -Assim pensa que estou mentindo?
     -No disse isso.
     -Mas o pensa -respondeu bruscamente Milos, suprimindo o desejo de sacudi-la. Tomou flego. - Pode confiar em mim. No te estou mentindo.
     -D-me igual.
     A insensvel despedida foi humilhante. E quando Helen girou a cabea, ele estalou. At esse momento tinha sido mais que paciente, assegurou-se a si mesmo. Mas 
ela tinha a determinao de provoc-lo
     Sem pensar realmente nas conseqncias, puxou-a para ele. Travando uma perna entre as suas, fez-a tocar intimamente a parte inferior de seu corpo. Ento lhe 
disse com o cenho franzido:
     -Acreditas agora?
     Tinha-a pego de surpresa e sua resposta inicial foi pr um brao tremente ao redor de seus ombros para manter o equilbrio. Seus dedos agarraram grosseiramente 
o cabelo de sua nuca, de modo que seu magro corpo se curvou instintivamente para o seu.
     Ela estava to perto, que ele podia sentir o traidor impulso de seus mamilos pressionando seu peito. De repente quis v-la nua. Colocou os polegares dentro 
do top e o empurrou para sua cintura. Sabia que a parte debaixo do biquni no seria um impedimento. Seria questo de fazer o mesmo.
     Tentou acalmar seus sentidos. Essa no era a razo pela qual a tinha levado ali, recordou-se a si mesmo. Acalorando-se no ia solucionar nada.
         
     Mas agarr-la assim lhe trouxe lembranas de por que tinha atuado de um modo to pouco convencional com ela fazia anos. Desde que se conheceram, ela tinha exercido 
uma poderosa fora sobre seus sentidos, e lhe fazer amor tinha sido to natural como respirar.
     Um homem mais cordato e calculador teria usado a situao em seu favor e lhe teria perguntado diretamente quem era o pai de Melissa. Em seu atual estado de 
agitao, duvidava que tivesse tido tempo para inventar uma resposta.
     Mas quando lhe jogou a cabea para trs, sua excitao aumentou. Tendo Helen ofegando acaloradamente a seu ouvido e com as alas do biquni caindo pelos braos, 
puxando perigosamente do top para baixo, para a exposio total, no nico no que pensou foi vingar-se. O incontrolvel mpeto do sangue em sua virilha foi a gota 
que encheu o copo e todo pensamento de deix-la ir foi estril.
     -Theos, fique quieta -murmurou Milos, fazendo uma v tentativa para controlar suas emoes. Mas esteve perdido quando lhe viu o rosto ruborizado.
     Com os suaves lbios separados e um pouco de cor nas bochechas, estava irresistvel. Com um gemido de derrota, sucumbiu  necessidade que sentia dentro dele, 
e inclinando a cabea, capturou seus lbios com os seus.




Captulo 10
     
     Os lbios de Helen se separaram dos seus, e pondo a mo em sua nuca, Milos aprofundou o beijo. Pressionando a lngua entre seus dentes, esqueceu completamente 
que se mantinham a flutuao s por seu esforo. Afundaram-se ao fundo da piscina, com as bocas ainda grudadas uma na outra.
     Foi uma experincia incrvel. Milos nunca havia sentido nada como o vertiginoso jbilo que encheu sua cabea quando os dedos de Helen agarraram sua nuca, indicando 
sua submisso; e nem sequer o zumbido em seus ouvidos, lhe recordando a falta de oxignio, lhe impediu de deixar-se levar pelo desejo.
     Sua mo desceu por seu corpo, roando seus mamilos antes de chegar a sua plvis. Ele abriu suas pernas, atraindo-a para si, lhe deixando sentir sua ereo. 
Esfregou-se contra ela, mas seus pulmes necessitavam de ar, e, a julgar pelo comportamento submisso de Helen, esta no ia salvar-los. Com um sentimento de arrependimento, 
tomou impulso com os ps e os enviou rapidamente para a superfcie.
     Em uns segundos, ela se tinha separado dele. Helen agitou grosseiramente a gua e se dirigiu aos degraus antes de que Milos pudesse par-la, j que este necessitou 
bastante tempo para recuperar-se.
     Fez uma pausa, inclinando-se para frente derrotada pelo esforo. Estava tossindo, agarrando os joelhos, tentando aspirar ar com seus pulmes ardentes. Ento 
o olhou atormentada.
         
     -Voc... louco... estpido -conseguiu dizer com dificuldade, sua voz rouca pelo esgotamento. - O que pensava que estava fazendo, em nome de Deus?
     -Bom, tentar que no te afogasse -disse cansado Milos, depois de tomar flego e nadar tranqilamente a seu lado, antes de que ela subisse os degraus. - Te tranqilize, 
no aconteceu nada.
     -Simplesmente... permanece longe de mim -disse-lhe insegura, mas Milos podia ver que Helen no sabia o que fazer pelo modo no qual seus olhos olharam a fileira 
de cabanas. A segurana devia estar na casa, mas sua roupa estava na cabana.
     Milos saiu da piscina.
     -Sinto muito -disse Milos, embora lhe doeu diz-lo. - Suponho que pensa que isso no devia ter ocorrido.
     -Maldito seja, claro que sim! -sua voz tremeu, mas Helen tinha a determinao de no voltar atrs.
     -Ento no deveria ter-me provocado -replicou Milos, elevando os ombros.
     -Por que perguntei se usava... traje de banho? -exclamou acalorada, depois de bufar de indignao.
     -No. Porque no me acreditava -disse ele tranqilamente. - Como pode ver, estou adequadamente coberto.
     No foi a coisa mais sensata que se podia dizer. Quando os olhos de Helen foram automaticamente para sua cueca, o traioeiro corpo de Milos no pde evitar 
responder. E ela se deu conta.
     -Voc... no tem vergonha -disse ela, levando os braos de forma protetora ao peito. - No...Pensa em outra coisa que no seja sexo?
     Milos a observou com incredulidade. Ela tinha estado to envolvida como ele no que tinha passado. Mas, o que havia de novo nisso? 
     -Voc... diverte-me, sabe? -disse Milos entre dentes- Engana-te ao pensar que no teve nada que ver quando fizemos amor faz quatorze anos, e est fazendo o 
mesmo agora.
     -No,  voc quem se est enganando -replicou-lhe Helen. - No queria vir aqui, Milos. Voc fez que viesse. E agora eu gostaria de voltar.
     -Me imagino -murmurou Milos, enquanto se dirigia aos degraus e a agarrou pela cintura. Ento, pela terceira vez nesse dia, amaldioou-se por cobrir sua tremente 
boca com a sua.
     Houve um momento no qual Milos pensou que ela ia resistir. Suas mos subiram e empurraram dolorosamente seus ombros, mas sua fria no durou muito. Quando sua 
lngua invadiu sua boca, proferiu um pequeno gemido desamparado de submisso. Nesse momento abriu as mos e agarrou seus braos como se se salvasse de cair.
     A lembrana do que compartilharam uma vez foi como febre em seu sangue. Estava cego para tudo o que no fosse t-la de novo. Queria sabore-la, seduzi-la, lhe 
mostrar que o que houve entre eles no tinha terminado absolutamente.
     Com um gemido vibrando no peito, Milos colocou os polegares dentro do top, baixando-o o suficiente para poder lamber entre seus seios. Ela se derreteu entre 
suas mos, balanando-se desamparada contra ele. Ela estava tambm fazendo uns pequenos sons sensuais.
     Milos sabia que ela j no controlava suas emoes. Sentiu uma onda de satisfao ao pensar quo fcil Helen tinha sucumbido a seus desejos.
     Seus olhos se pousaram em seus seios, e inclinando a cabea, baixou o biquni o suficiente para colocar um mamilo em sua boca. Fez-o vibrar com a lngua, e 
ouviu os gemidos de prazer que ela estava fazendo. Pensou como reagiria se deslizasse as mos pela parte de baixo do biquni.
     Mas antes de que pudesse faz-lo, antes de aproxim-la ainda mais a sua ereo palpitante, o som de sinais de hlices de rotor girando alagou o ar. Estavam 
acompanhadas pelo estrondo de poderoso motores, e Milos no necessitou nenhuma bola de cristal para saber o que pressagiavam.
     Ento soltou um palavro em grego, mas as palavras que utilizou quase no eram adequadas para descrever sua frustrao. J no poderia descobrir mais o delicioso 
corpo de Helen.
     A contra gosto, cobriu seus seios com o top e ps as mos em seus ombros. De algum modo, tinha que salvar a situao antes de que o piloto do helicptero sasse 
do avio. No ia ser fcil com Helen olhando-o com incompreenso. Havia tantas coisas que ele queria fazer com ela, tanto que ainda tinha que lhe dizer. E ento, 
skata, era muito tarde. Especialmente para lhe dizer como o fazia sentir-se.
     -Sinto muito -disse Milos, e imediatamente soube que havia dito a coisa equivocada.
     -Sente-o -repetiu Helen. - Oh, sim.  muito bom dizendo que o sente depois de que ocorram as coisas.
     -No compreende...
     -Oh, acredito que sim.
     -Meu helicptero est aqui -disse apertando os dentes. - Acaba de chegar. No o ouviste? Veio para me levar para a conferncia de Atenas.
     
     -Onde est Milos?
     Helen apertou os lbios. Que irnico que isso tivesse que ser a primeira coisa que Melissa perguntasse quando Rhea e ela voltaram para a casa de So Rocco.
     -Est se preparando para partir para Atenas -replicou Helen, surpreendida de que pudesse responder a pergunta to friamente. - Estava... Estvamos em Vassilios 
quando seu helicptero chegou.
     -Seu helicptero! Uau! -Melissa estava impressionada. Girou-se para Rhea, que estava justo atrs dela. - seriamente seu helicptero?
     -Pertence  empresa -disse Rhea, olhando para Helen. -  mais adequado que um avio.
     -Uau! -exclamou Melissa. - Imagine ter um helicptero que pode usar quando quiser.
     -De qualquer maneira, disse que todos sabiam. -Interveio Helen, dirigindo-se a Rhea. - Vos envia suas desculpas por no ter podido despedir-se.
     -Vai a uma conferncia sobre a reduo da contaminao do petrleo -assentiu Rhea, como ausente. Seus olhos estavam ainda pensativos. - Teve tempo para te trazer 
de volta?
     -No. Stelios o fez.
     Mas Helen no queria pensar sobre isso. Saber que ainda podia cheirar a gua da piscina em seu corpo, que ainda podia sentir o tato possessivo das mos e a 
boca de Milos era o bastante. O que devia ter pensado quando se meteu precipitadamente na cabana e colocou a roupa sem nem sequer se dar uma ducha? O que se supunha 
que devia entender da expresso de seu rosto quando ele se viu obrigado a despedir-se em frente a outras pessoas? 
     -Suponho... que tambm deveramos ir.  -Helen tentou falar de maneira despreocupada.
     -Mas no comemos -objetou Melissa, girando-se para Rhea. - Disse que Marisa teria tudo preparado.
     -E o disse a srio -defendeu-se Rhea. - A governanta de minha me se ofender muito se lhe negar a oportunidade de mostrar suas qualidades culinrias.  -insistiu 
a Helen.
     -Bom... -duvidou Helen, e Melissa aproveitou a oportunidade para falar de novo.
     -Vamos, mame -insistiu. - No tem outra coisa que fazer.
     O que era verdade, admitiu Helen em silncio. Se Milos j tinha deixado a ilha, no tinha que preocupar-se de que aparecesse inesperadamente. Deveria sentir-se 
aliviada porque se foi. Mas como realmente se sentia era derrotada.
     -De acordo -disse finalmente, ganhando um grito de prazer de Melissa. Seu pai esperava que ficassem, depois de tudo, e assim se economizaria um monto de desnecessrias 
explicaes.
     
     Acreditava que encontraria difcil falar com a irm de Milos, mas no foi. Evidentemente a garota tinha decidido que no era culpa de Helen que seu irmo os 
tivesse abandonado, e fez um esforo por ser amvel.
     Falou sobre seus estudos e seus planos para estabelecer seu prprio negcio de decorao de interiores logo que se graduasse. Seu pai tinha concordado em financi-la 
n primeiro ano, e Helen pensou quo afortunada era Rhea ao ter uns pais to carinhosos e atentos.
     Fez-lhe perguntar-se se as coisas teriam sido distintas se no tivesse excludo a seu pai de sua vida. Lhe teria recomendado que se casasse com  Richard se 
lhe tivesse confessado a sua gravidez?
      obvio, se seu pai no fosse com outra mulher, nunca teria conhecido a Milos. Nunca teria ficado grvida de um homem cuja identidade tinha mantido em segredo 
inclusive para sua me...
     
     -Aonde vai?
     Sheila Campbell deixou de ver a televiso quando Helen apareceu pela porta do salo. Obviamente estava surpreendida de ver sua filha vestida e preparada para 
sair quando anteriormente no lhe havia dito nada de ter um encontro.
     -Irei com a Sally em uma cafeteria. -disse Helen rapidamente, soltando a primeira mentira que lhe veio  cabea. Tinha pensado em pr Richard, naquela poca 
seu noivo, como desculpa, mas mais tarde sua me perguntaria a Richard e ela no devia averigu-lo.
     -Sally? Sally de que? -Sheila franziu o cenho.
     -Sally Phillips. -respondeu Helen, esperando soar convincente. - Est em meu grupo de ingls.
     -Oh? -Sheila se encolheu de ombros e voltou a olhar a televiso. - Bom, no esquea que manh tem que ir ao instituto. Espero que volte antes das dez e meia.
     -Oh, mame! -Helen suspirou resignada. - No sou uma menina, sabe.
     -Mas ainda  uma estudante. E no tenho tempo para te tirar da cama pela manh. De qualquer maneira, pensava que me havia dito que preferia ver Richard nos 
fins de semana.
     -Pois sim. No vou ver Richard Shaw. Como te hei dito, vou a uma cafeteria. Parece-te bem?
     -Oh, vamos... passe bem. Mas no perca o ltimo nibus.
     -No o farei -disse Helen com sentimento de culpa, perguntando-se se Milos a traria de volta.
     Iam se encontrar no bar de seu hotel e Helen se perguntava se tinha sido inteligente concordar a isso. Mas ao menos podia estar razoavelmente segura de que 
no veria ningum conhecido no Cathay Intercontinental.
     Simplesmente esperava que o que tinha posto no parecesse totalmente desconjurado. Lhe teria gostado de ter posto seu novo vestido e a jaqueta que tinha estado 
reservando vrios anos, mas isso teria sido estpido e sabia. A ltima coisa que queria era que sua me suspeitasse de algo, por isso os jeans ajustados e o agasalho 
impermevel preto serviriam. Mas se tinha posto a camisa de seda prpura que sua me lhe tinha presenteado em seu ltimo aniversrio debaixo do agasalho impermevel.
     O que a fez sentir-se realmente furtiva e no gostava. No era melhor que seu pai, pensou, tendo segredos para sua me.
     Mas quando entrou no vestbulo do Cathay Intercontinental e viu Milos esperando-a perto da entrada, alegrou-se egoistamente de hav-la enganado. Estava to 
elegante com o traje escuro e o suter, que quase no podia acreditar que aquele homem estivesse esperando-a.
     Foi a seu encontro em seguida, com seus olhos escuros e inquietantes fazendo que todo seu corpo se sentisse acalorado e vivo.
     -Ol -disse-lhe brandamente, e embora no fez nenhuma tentativa em toc-la, Helen sentiu como se suas mos houvessem tocado cada centmetro de sua pele. - Me 
alegro de que tenha vindo. Perguntava-me se o faria. Tinha medo de que sua me te fizesse mudar de idia.
     -No sabe que estou aqui.
     Pensou o pattica que devia lhe parecer com um homem como ele. Meu Deus! Pensaria que ela no tinha vontade prpria. Ou que tinha medo de contar a sua me algo 
que sabia que no gostaria.
     -Ento onde acredita que est? -perguntou Milos.
     -Em uma cafeteria. -respondeu rapidamente Helen. Movia-se um pouco incmoda ante seu curioso olhar. - Suponho que pensa que sou uma estpida ao no lhe dizer 
aonde ia.
     -Penso que provavelmente foi muito sbio. -disse secamente Milos, depois de sacudir a cabea. - Tive a inequvoca impresso de que no agradaria a sua me.
     -Tem alguma razo, no acha? -disse tristemente Helen.
     -Porque te convidei a tomar uma taa comigo? -perguntou ele. - Certamente isso no  to imperdovel. Quero te conhecer melhor. Espero que possamos ser amigos.
     -Amigos? -soltou Helen, mas no albergava nenhuma iluso de que sua me algum dia lhe permitisse ser amiga de um homem que trabalhava para seu pai.
     -Me d seu casaco -disse-lhe nesse momento, e embora Helen sups que deveria deixar-lo posto, desabotoou-se obedientemente o zper. Alm disso, podia dar-se 
conta de que o agasalho impermevel estava totalmente desconjurado. Ao menos a camisa era nova e elegante.
     Depositaram o agasalho impermevel no guarda-roupa e Milos a conduziu para o bar que estava ao lado do famoso restaurante. Um garom procurou imediatamente 
uma mesa em um canto. Milos se assegurou de que se sentasse confortavelmente e encomendou champanha.
     Olhando para trs, Helen se deu conta de que no deveria ter bebido nada de champanha. Por um lado, no era o suficiente maior para beber lcool, e por outro, 
nunca tinha provado lcool antes, salvo a cerveja. E isso s em uma festa onde tivesse parecido uma afetada se se tivesse negado. Mas nessa ocasio no lhe tinha 
gostado de seu sabor e esvaziou a maior parte da garrafa pelo privada.
     O champanha, como descobriu, era diferente. Era muito mais doce, e as borbulhas faziam um barulho sibilante e agradvel em sua lngua. Ao que teria que acrescentar 
que parecia lhe dar confiana, e se encontrou conversando sobre as disciplinas que tinha, e sobre suas ambies de futuro, com uma desconhecida falta de reticncia.
     Em nada de tempo, eram oito horas da noite, e quando Milos a convidou a ficar e jantar com ele, teria sido mal educada em negar-se. Alm disso, no queria. 
Gostava de estar com Milos; gostava que as mulheres a olhassem com inveja. Mas o que mais gostava de era que Milos a fazia sentir-se como uma mulher, uma atrativa 
mulher com a que estava orgulhoso de poder estar.
     Milos chamou o garom e perguntaram se havia uma mesa livre no restaurante. O homem respondeu que no havia mesa at as nove e meia, ao que Helen insistiu que 
era muito tarde.
     -Poderia nos enviar a seu superior? -perguntou Milos, educado mas um pouco autoritariamente, pensou Helen, e quase imediatamente o matre se apresentou, com 
aparncia um pouco envergonhada ao ter que decepcionar a um cliente aparentemente importante.
     -Sabamos que estava hospedado no hotel, senhor Stephanides -disse, movendo com acanhamento as mos. - Mas no reservou nenhuma mesa, senhor, e outro de nossos 
hspedes, o prncipe Halil Mohammad realizou a ltima hora uma reserva para seu squito e ele. Sinto-o muito, senhor. Milos o estava observando friamente.
      -Suponho que no ter considerado jantar em sua sute, senhor Stephanides. Eu adoraria organizar para voc um jantar privado. Com os cumpridos da direo, 
 obvio -sugeriu o matre..
     Helen se ruborizou. Sabia que o que dizia o homem era razovel. Se Milos tinha uma sute de vrias habitaes, ento no estava sugerindo que fossem jantar 
no dormitrio de Milos. Mas antes de que pudesse fazer algum comentrio, Milos interveio:
     -Acredito que no -disse, obviamente esperando que ela fosse pr objees. - Suponho que terei que arranjar outra coisa.
     -No me importaria.
     Helen quase no podia acreditar que houvesse dito isso.
     -Est segura?
     Milos a estava observando nesse momento, e ela sentiu a excitao que havia sentido anteriormente agitando-se em seu interior. Poderia ser o champanha, mas 
no se arrependia de ter ido ali.
     -Estou segura -disse Helen, com a esperana de no ter que lamentar-se de sua imprudncia.
     - Obrigado.



Captulo 11

     O apartamento de Milos estava na cobertura do hotel. Era uma sute com portas duplas que se abriam para um grande salo. Dentro dele havia outras portas, uma 
das quais conduzia ao que obviamente era o dormitrio. Helen se estremeceu ao fechar a porta atrs deles.
     Tinham encomendado o jantar no trreo e o garom lhes tinha assegurado que no teriam que esperar muito tempo para jantar. Helen olhou a seu redor, e se sentiu 
aliviada quando viu que havia uma mesa junto  janela, o que apontava que era bastante comum servir comidas ali.
     -Quer algo de beber enquanto esperamos? -sugeriu Milos enquanto Helen permanecia imvel perto da janela. - Vinho, talvez. Ou preferiria escutar msica? -acrescentou. 
Inclinou-se sobre uma sofisticado equipamento musical e uns momentos mais tarde o som rtmico do Santana alagou a habitao.
     -Oh, eu adoro -disse Helen, incapaz de evitar o movimento que despertava a msica em seu corpo. -  teu o CD?
     -Sim -respondeu Milos, indo a seu encontro com os braos estendidos. - Quer danar? 
     -Danar? -respondeu Helen receosa. 
     -Por que no? -perguntou Milos, tomando suas mos e arrastando-a para frente para seguir o ritmo contagioso da msica. - Seu corpo obviamente o quer.
     -Simplesmente... nunca antes tinha feito algo assim -confessou, molhando os lbios.
     -Sei. -disse Milos. - Mas  divertido, no achas?
     -Divertido? -respondeu Helen ofegante. - Sim. Sim que o .
     -Bem.
     Um golpe na porta os interrompeu.
     O garom chegou com um carrinho e comeou a pr a mesa. Loua de cor branca brilhavam, um faqueiro de prata cintilava  luz das velas colocadas no meio da mesa, 
e umas grandes taas de vinho do mais fino cristal aguardavam os vinhos tinto e branco.
     Se serviu o primeiro prato, um creme de caranguejo e lagosta, e o garom retrocedeu, esperando as instrues de Milos.
     -O resto nos serviremos ns -disse-lhe Milos. Instantes depois, ficavam de novo sozinhos.
     Com Milos sentado junto a ela, lhe roando os joelhos, e lhe servindo pequenas partes do que ele comia, quase no podia perceber do que havia em seu prprio 
prato. Havia-se sentido flutuar vrios centmetros por cima da mesa durante a maior parte da comida, e o ritmo sensual da msica e o olhar de Milos permanentemente 
dirigido para ela, quase fervente, tinha-lhe provocado uma sensao de enjo no estomago.
     Terminada o jantar, Helen teve necessidade de usar o banheiro, descobrindo ento que uma das portas que dava  sala de estar conduzia a um luxuoso banheiro. 
Ao sair, viu que o carrinho de comida tinha desaparecido. Ou Milos tinha chamado ao garom para que se levasse o servio, ou ele mesmo o tinha deixado no corredor. 
A mesa estava vazia  exceo do vinho e os copos, mas Helen, que tinha bebido pouco, no pensava tomar mais.
     Milos estava de p junto  lareira de mrmore branco quando ela voltou para salo e se dirigiu s janelas para de l contemplar as luzes de Knights-bridge. 
Era uma vista esplndida.
     Estava to absorta, que sofreu um grande susto quando Milos lhe tocou no ombro. No se tinha dado conta de que se aproximou at ficar a seu lado.
     Girou-se para ele sem flego. Abriu a boca como se convidasse a algo, e viu o modo no qual os olhos de Milos identificavam sua expresso.
     -Signomi. Sinto muito -disse em voz baixa. - Assustei-te?
     -Me... assustaste -corrigiu Helen, consciente da acelerao em seus batimentos do corao. Esclareceu-se garganta de forma nervosa. - Estava... admirando a 
vista.
     -Eu tambm -respondeu brandamente Milos.
     -Um... suponho que deveria ir.  -disse Helen, meio assustada de sua prpria reao s palavras de Milos. S estava sendo amvel, disse-se a si mesma.
     -Oh... tem que ficar para tomar o caf. -protestou Milos, assinalando com a cabea o sof e a bandeja que havia em uma mesinha que antes tinha passado idespercebida 
por Helen. - Nos sentemos. E no se preocupe em como voltar para casa. Dispus que um carro com chofer te leve quando quisermos.
     Helen duvidou s um momento antes de fazer o que lhe tinha sugerido. Mas ao sentar-se nas suaves almofadas no pde evitar perguntar-se quando tinha arrumado 
o do carro. Tinha tido desde o comeo a inteno de que jantassem juntos?
     Era um pensamento perturbador e se mordeu um lbio quando Milos se sentou a seu lado. "O que sabia realmente desse homem?", perguntou-se a si mesma inquieta. 
Como sabia que podia confiar nele?
     O peso de Milos afundou as almofadas mais que o seu, e sentiu que se deslizava para ele. Com toda sua ingenuidade, separou-se um pouco dele.
     -Poderia servir o caf? -perguntou Milos, indicando as xcaras. Helen tomou flego e se incorporou. Havia uma jarra com caf e outra com leite, e duas xcaras 
de porcelana branca.
     Helen mostrou delicadeza na operao, e no pde evitar que sua mo tremesse quando levantou a jarra para servir. Cu santo, ia derramar-lo sobre a toalha de 
linho branco! Ou isso, ou deixava cair a jarra sobre a frgil porcelana da China.
     Era consciente de que Milos a estava observando e irresistivelmente no pde evitar lhe devolver o olhar. O que foi um erro. Como tinha temido, o caf ardendo 
se derramou sobre a xcara, enchendo o prato e salpicando sobre seu jeans.
     -Cu santo! -exclamou, tanto de dor como de frustrao, e sem duvid-lo, Milos tomou a jarra de suas trementes mos e a ps na bandeja.
     -Est ferida -disse Milos asperamente, agarrando um leno e secando as calas. - Theos,  tudo minha culpa. No deveria ter estado te observando.
     Helen poderia lhe haver dado a razo, mas no podia deixar que ele assumisse toda a culpa de algo que na realidade era sua culpa.
     -No foi tua culpa -insistiu Helen.
     -No se preocupe. De todos os modos, eu no gosto do caf ingls. O que de verdade importa  que no te tenha queimado.
     -Oh, estou bem. -respondeu tristemente Helen, apartando seus olhos dos de Milos-. Meu jeans so os que levaram a pior parte.
     Os olhos de Milos baixaram a seus joelhos e Helen sentiu um formigamento nervoso no estmago. Havia tal aparncia de doura em seu olhar, que se estremeceu 
quando tomou as mos.
     -Est segura? -perguntou, e por um momento Helen no estava segura do que estava falando. Quando havia tocado seu ombro anteriormente, assustou-se por sua prpria 
reao, mas isso no era nada em comparao com o modo como se sentiu quando Milos elevou uma de suas mos e a beijou. Deu-lhe um fugaz beijo nos ndulos antes de 
lhe dar a volta e acariciar a palma. Fez-lhe uma massagem com o polegar com um deliberado movimento sensual e Helen sentiu como o calor que estava gerando se estendia 
a cada extremidade.
     Voltou a olhar a Milos, mas tratou de afastar seu olhar. No queria que ele visse quo vulnervel era, e o facilmente que tinha aberto uma brecha nas barreiras 
que tinha demorado anos em levantar.
     No o compreendia. Tinha sido a noiva de Richard durante quase dois anos e ele nunca tinha conseguido nem de longe excitar-la dessa forma. Oh, haviam se beijado 
e acariciado,  obvio, mas sempre tinha controlado suas emoes e Richard sabia que ela no se deitava com meninos.
     Nesses momentos, sentia umidade entre as pernas, e o sangue que tinha estado fluindo por suas veias parecia haver-se detido.
     Estava comeando a dar-se conta de quo imprudente tinha sido ao ir ali, mas mesmo assim sabia que Milos no faria nada que ela no quisesse. Apesar de suas 
dvidas anteriores, pensou que podia confiar nele. O problema era que no confiava em si mesma.
     Como se sentisse sua confuso, Milos escolheu esse momento para soltar suas mos.
     - muito doce, agapi mu -disse Milos, lhe dando um tapinha no joelho. - E to inocente -continuou, vendo seu rosto envergonhado. - Faz-me sentir coisas que 
no deveria sentir.
     -Que coisas? -perguntou ingenuamente Helen, mas ela sabia.
     -No o quer saber.
     -Claro que quero saber -olhou-lhe com iluso. - Por favor, tem que me dizer. -Fez uma pausa e acrescentou provocativamente. - Achas que sou atraente?
     -Sim -disse brandamente Milos. - Acho-te muito atraente.
     -Era por isso que queria ver-me outra vez? Pensava que queria falar sobre meu pai.
     -Sim. E deveria.  -retificou, um pouco asperamente. - Mas... falamos de outras coisas. 
     -De mim. Estava aborrecido?
     -Muito -respondeu Milos ironicamente. - Essa  a razo pela qual te pergunte se queria jantar comigo.
     -Voc no fala muito sobre ti, no? -aventurou-se a dizer Helen, franzindo o cenho.
     -Sou muito aborrecido -disse sinceramente Milos, encolhendo-se de ombros. - E agora acredito que deveria te levar a sua casa.
     -Ainda  cedo. -protestou Helen. Dando um olhar para o equipamento de msica. - Poderamos pr mais msica? Possivelmente danar outra vez? 
     -Acredito que no. 
     -Por que?
     -Sabe perfeitamente por que tenho que te levar a sua casa -disse-lhe Milos asperamente, agarrando-a delicadamente pelo pescoo, forando-a a olh-lo. - Por 
que temos que pr um fim a isto agora mesmo.
     -Porque te cansaste de mim? -perguntou ingenuamente Helen. - Porque no quer danar comigo de novo?
     -Isso no  o que quero fazer e voc sabe -disse Milos.
     -Isso soa ameaador.
     -Helen! -Milos falou duramente. - No faa isto mais difcil do que j . Voc simplesmente  uma estudante de dezoito anos enquanto que eu... no.
     Na realidade tinha dezessete, mas Helen pensou que no era um bom momento para diz-lo. Mas explicava porque lhe ofereceu champanha.
     -Voc no  velho. -disse ela em troca. - E eu no sou novata, sabe.
     -Aonde quer levar isto? 
     -At onde voc quer chegar? -Helen estava sendo deliberadamente provocadora, mas tremeu quando Milos lhe apertou a nuca.
     Ia beijar-la, pensou Helen insegura, com a esperana de que no tivesse que arrepender-se disso. Ela queria que ele a beijasse, disse-se a si mesmo. Queria 
ter algum ponto de referncia para que, quando deixasse que Richard a beijasse de novo, pudesse julgar qual dos dois era o melhor.
     Mas Milos no a beijou. Simplesmente a olhou com olhos atormentados, e Helen se sentiu diminuir-se atrs de seu perturbador olhar.
     -Sei que no quer ser cruel -disse severamente. - Mas, Helen, isto no  um jogo. Qualquer experincia que acreditas ter, esquece-a. Me vais odiar se te tomo 
a palavra.
     -No o farei. Me agradas, Milos. E pensava que eu te agradava. O que poderia haver de mal nisso?
     Foi o ltimo momento coerente que teve. Quando os lbios de Milos tocaram os seus, esqueceu tudo sobre  Richard, sobre seus pais, sobre tudo exceto o sensual 
roar de sua boca contra a sua. Qualquer pensamento racional foi rapidamente feito em pedacinhos por aquelas carcias como plumas.
     Sua boca brincou com a sua como seus dedos o tinham feito com os seus anteriormente. E, em pouco tempo, ela o alcanou, entregando as lapelas de sua jaqueta, 
dando-se ao inimaginvel prazer de seus beijos. No estava exatamente segura do que queria, mas queria mais.
     Murmurando um gemido, a boca de Milos se grudou  sua, pressionando suas costas contra as almofadas que estavam atrs dela. Helen sentiu o pulso errtico de 
seu corao palpitando contra o seu prprio enquanto que ele aprofundava e alargava o beijo, e roava sua mo contra seu peito enquanto se desprendia da jaqueta 
e se afrouxava a gravata.
     Nesse momento, sua lngua acariciou seu lbio inferior, forando sua entrada entre os dentes e metendo-se em sua boca. Quente e mida, era insuportavelmente 
sexy. Ignorando a sua conscincia que lhe advertia do perigo, afundou-se nas almofadas at que Milos esteve virtualmente em cima dela.
         Depois de lhe desabotoar a camisa, deslizou a mo dentro e acariciou seu seio. O calor se estendeu por dentro dela, e quando Milos inclinou a cabea e chupou 
seu mamilo atravs do tecido, Helen no pde evitar deixar escapar um grito convulsivo.
     -Tenho-te feito mal? -perguntou-lhe em seguida Milos, elevando-se para olh-la. Mas ela sacudiu violentamente a cabea. - Est segura?
     -Estou segura.  -assegurou-lhe com voz rouca Helen, entrelaando os braos ao redor de seu pescoo. Ento acrescentou timidamente. - No pares.
     -No quero parar. -admitiu Milos, fechando os olhos por um momento. Quando ele desceu de novo, Helen sentiu a insistente presso de sua ereo contra seu estmago. 
- Mas isto  uma loucura! Titeos... quero te fazer amor, Helen. E essa idia me est destroando porque no vai ocorrer.
     -Por que no?
     Helen se ouviu formular essa pergunta, mas no se arrependia de hav-la feito. Isso era to diferente de tudo o que tinha compartilhado com Richard...
     -Porque apenas nos conhecemos -disse-lhe asperamente. - E sendo bastante sincero, no posso me imaginar que sua me permita nos ver de novo.
     Helen tampouco se podia imaginar isso, mas no o disse. Entretanto, fez-lhe querer prolongar essa tarde pelo mximo tempo possvel, e se isso suportava o que 
estava pensando que significava, ento teria que ser desse modo. Teria que perder a virgindade cedo ou tarde, recordou-se a si mesmo, e preferia que fosse com ele 
que com qualquer outro.
     Tomando o rosto de Milos com suas mos, beijou-o e sentiu sua dentada no lbio inferior.
     -No posso fazer isto -disse entretanto Milos contra seus lbios, e com um juramento afogado se levantou e se separou dela.
     Helen estava destroada. Tinha pensado que Milos estava to excitado como ela estava, mas era bvio que ele ainda podia controlar seus sentimentos. Com um gemido 
de angstia, ficou de lado e se cobriu o rosto, repentinamente cheia de lgrimas, com as almofadas.
     -Helen, no faa que me despreze mais do que j o fao -disse Milos com voz atormentada.
     -Voc no despreza a ti mesmo -murmurou Helen com a voz amortecida pelas suaves almofadas. - Voc me despreza.  -rompeu a soluar. - Nunca devia ter vindo aqui.
     -Provavelmente tenha razo. -corroborou duramente Milos. Aproximou-se dela, apartou-lhe uma lgrima de sua bochecha mida com o polegar e lhe disse. - Mouro 
mou, o que vou fazer contigo?
     -O que quer fazer comigo? -perguntou Helen.
     -Essa  uma pergunta desnecessria neste momento, e voc sabe. -disse Milos. - Se te dissesse que quero te levar para cama e te tirar toda a roupa para poder 
ver-te, sairia fugindo apavorada.
     -Por que?
     -Oh, por favor... -Milos sacudiu a cabea. - Ambos sabemos que nunca tinha feito algo assim antes.
     -Como sabe? - o rosto de Helen estava rubro.
     Para lhe responder, Milos levou a mo a seu sexo, acariciando sua feminilidade com mo perita e lhe provocando que se retorcesse bruscamente ao toc-la.
     -V -disse brandamente. - No necessito mais provas.
     -Me... assustaste, isso  tudo. -protestou Helen, mas Milos a olhou com incredulidade.
     -Oh, de acordo. -disse secamente ele. - Sugiro-te que te seque os olhos e te levarei a sua casa.
     -No quero ir para casa.
     Milos soltou um juramento e a agarrou pelos braos. Ficou de p e por um breve momento a manteve no ar, apertando-a contra seu peito. Finalmente, baixou-a ao 
cho com determinao.
     Mas no resultou como esperava. Quando Milos a deixou de p, os braos de Helen seguiam estando ao redor de seu pescoo. Na realidade, sua ao s tinha acrescentado 
mais intimidade.
     -Theos, Helen -disse Milos. - Sim, desejo-te. -acrescentou, enquanto a abraava. - Simplesmente espero que no te arrependa disto pela manh.




Captulo 12
     
     Rhea as levou ao vinhedo bem avanada a tarde. Melissa se tinha ficado dormida depois de comer, e embora Helen queria despert-la, Rhea a persuadiu para que 
mudasse de idia.
     -Est cansada -disse Rhea. - Teve uma manh muito ocupada. Deixa-a descansar.
     Dadas as circunstncias, Helen decidiu no discutir. Mas supunha que os motivos pelos quais Rhea queria que ficassem tinham mais que ver em conhecer algo sobre 
o aparente interesse de seu irmo por ela e o que poderia significar para sua famlia.
     Tendo deixado a sua filha sonolenta  sombra no terrao, Helen aceitou o convite de Rhea para dar um passeio com ela pelo jardim. Um terreno desrtico rodeava 
a vila, mas seu interior era um osis de cor. Terraos de exticas plantas e arbustos em flor ocultavam uma cascata, e no nvel mais baixo havia um banco de pedra 
debaixo de uma prgola coberta com buganvillas prpuras.
     -Sentamo-nos? -sugeriu Rhea, sentando-se sem esperar resposta. Helen no teve mais opo que imit-la. - Bom... desde quando conhece meu irmo?
     -Perdo? -respondeu Helen, apesar de suas suspeitas, a pergunta a surpreendeu.
     -Perguntei desde quando... -comeou Rhea, arqueando as sobrancelhas.
     -Sim, sei o que h dito -Helen tomou um momento para refazer-se. - Simplesmente... perguntava-me por que te interessa.
     -Oh... -Rhea pensou uns instantes. - Satisfazer uma curiosidade de irm. No me posso recordar a ltima vez que Milos convidou a uma mulher a sua casa.
     -No me h convidado exatamente a sua casa.
     -Oh, claro que sim. No restou nenhuma dvida de que ele queria falar contigo a ss.
     -Ento por que no me convidou ele mesmo? -replicou Helen, sentindo como lhe ardia o rosto.
     -Possivelmente pensava que no aceitaria seu convite -sugeriu Rhea depois de encolher-se de ombros.
     -No posso acreditar nisso. -rechaou Helen.
     -De verdade no acredita? -Os olhos de Rhea eram quase to diretos como os de seu irmo. - Helen conheo meu irmo. Na realidade o conheo muito bem. Foi muito 
claro sobre o que queria que fizesse.
     -Bom, sinto que acredites que te utilizou para chegar a mim...
     -No disse isso. -Embora ambas sabiam que o tinha feito. - No quero te ofender, Helen. Simplesmente eu gostaria de saber como se conheceram. Isso no  difcil 
de entender, no?
     -No -Helen se umedeceu os lbios. - Mas seu irmo  um... homem muito atraente, Rhea. Imagino que conhece muitas mulheres em suas viagens.
     -Imagino que sim.
     Rhea suspirou.
     -Mas Milos no  um... qual  a palavra um mulherengo, okhi? Acredito que posso contar com os dedos de uma mo o nmero de mulheres que me apresentou.
     -Ele... ns... Conheci-o... Oh... Na Inglaterra.
     -Psemata? De verdade? -Rhea perguntou com os olhos abertos.
     -Sim, de verdade. Meu... Meu pai lhe tinha pedido que nos visitasse.
     -Katalava. Compreendo -Rhea assimilava tudo com interesse. - Pergunto-me por que no me contou isso.
     -Suponho que no o considerou importante.
     -Mas... devia ter sido muito jovem naquela poca.
     -No to jovem. Tinha... uns vinte anos.
     -Ah -as sobrancelhas de Rhea subiram ainda mais, e Helen se deu conta de que exagerando sua idade tinha dado a Rhea uma razo para pensar que poderia ter havido 
algo mais que amizade entre ambos.
     -De qualquer modo -disse Helen- suponho que voc ainda estaria na escola primria.
     -Suponho -mas nesse momento Rhea no estava interessada em seu passado. - Milos e voc se conhecem quase desde que Melissa nasceu. Estava casada quando o conheceu?
     Isso se estava complicando ainda mais, e Helen procurou desesperadamente em encontrar um salva-vidas.
     -Deves te encantar em vir aqui -disse, assinalando a vista. - Quem cuida o jardim? Sua me?
     -Dificilmente -a Rhea escapou uma risadinha tola. - Se conhecesse minha me, compreenderia o improvvel que seria isso. Athene no  um dona-de-casa. Acredita 
que ter dado cinco filhos a meu pai foi o bastante. -Helen improvisou um sorriso de educao, e ficou aliviada quando Rhea continuou com outro tema. - Mas sim, eu 
adoro vir aqui.  muito mais bonito que o apartamento que compartilho com uma amiga em Atenas.
     -Oh, mas certamente poderia... -Helen deixou de falar e Rhea terminou a frase por ela.
     -Viver em casa? -perguntou. . Bom sim, poderia. Mas queria ser independente. Por desgraa, meu pai tem razo. Viver com eles teria sido mais cmodo.
     -Assim vem aqui quando pode? No sente saudades.  muito bonito.
     -Voc gosta?
     -Muito -respondeu Helen.
     -Melissa devia ser um beb quando conheceu Milos -disse Rhea, franzindo o cenho, voltando para tema prvio, e Helen afogou um gemido.
     -Suponho... que sim -disse, odiando ter que mentir, mas incapaz de fazer algo a respeito. Ficou de p com determinao. - Acredito que deveramos ir j.
     -Pus-te em um apuro -disse Rhea.
     -No -disse Helen bruscamente- por que...?
     -Falando de Milos -interrompeu brandamente Rhea- Tive a sensao de que em sua relao havia algo mais que um encontro casual.
     -Est equivocada -mas Helen estava respirando rapidamente e sabia que Rhea se deu conta.
     -No estou sugerindo que tenham tido uma aventura. -continuou Rhea- Depois de tudo, estava casada. Mas sei quo atraente  meu irmo. E obviamente estava o 
bastante... intrigado... por ti.
     -No.
     -H algo a, sei -disse- e se no me diz isso, ento terei que perguntar a Milos. Then pirazi, no importa. Vamos ver se Melissa despertou?
     Ao contrrio que ela, Helen no queria deixar o tema. Temia pensar o que Milos lhe diria se Rhea lhe perguntasse como se conheceram. E se lhe dava distintas 
datas, era seguro que ia suspeitar. Oh, em que confuso se colocara.
     Mas nesse momento no havia nada que pudesse fazer ou dizer para mudar as coisas, e agradeceu que na viagem para casa Melissa conversasse, j que assim no 
houve incmodos silncios. A garota se despertou de seu sono cheia de energia e desejosa de marcar outro encontro com Rhea.
     Foi um grande alvio quando Rhea as deixou em Aghios Petros e se foi. Melissa insistiu em ir se despedir e Sam Campbell, que tinha convidado Rhea para tomar 
algo, ao que ela se negou, convidou em seguida Helen a acompanh-lo aos vinhedos.
     Deu-se conta de que s tinha sido uma desculpa para estar sozinhos quando Sam disse abruptamente.
     -No o passaste bem, verdade? Melissa sim, mas voc no.
     -Rhea e Melissa tm mais em comum entre si-replicou, esforando-se em falar com um tom ligeiro. - tiveste um bom dia?
     - Milos? -seu pai era assombrosamente perspicaz ou o rosto de Helen era pateticamente fcil de ler. - Viu-o hoje, no  verdade?
     -Como sabe isso?
     -Importa? -Sam se encolheu de ombros.
     -Bom, s um momento -admitiu mordendo o lbio. - Partiu para Atenas...
     -No at esta tarde, certo. -observou tranqilamente seu pai-. Falou comigo faz um par de horas do helicptero. -fez uma pausa. - Contou-me que te levou a Vassilios. 
Voc gostou?
     Se ela gostara? Helen teve um desejo quase histrico de rir.
     -Penso... que  uma casa impressionante. -disse finalmente, desejando escapar de todas essas perguntas. Tinha pensado que se livrara delas uma vez que Rhea 
havia partido.
     - Melissa foi contigo?
     -No. Rhea e ela foram  praia. Teria gostado de ir com elas.
     -Mas no o fez.
     -No.
     -Por que Milos te convidou para ver sua casa?
     Porque Milos insistiu em que visse sua casa, quis responder Helen. Mas tudo o que disse foi que sim, com a esperana de que Sam deixasse o tema. Mas  obvio, 
no o fez.
     -Voc no gosta de Milos, verdade? -disse Sam, arrancando um cacho de pequenas uvas verdes e dando a ela para que as provasse. - Pergunto-me por que. O que 
ocorreu entre vocs dois quando foi a Inglaterra? Tem que te haver feito algo para que te caia to mal.
     -No  isso. -Helen usou as uvas como desculpa para mudar de tema. - Mmm, esto deliciosas.
     -Ainda no esto o suficientemente doces. -disse seu pai secamente. - Em trs meses, sero totalmente diferente. -duvidou um momento. - Eu gostaria que Melissa 
e voc nos visitassem na colheita. Espero que no seja minha imaginao, mas acredito que Melissa mudou desde que chegou aqui.
     -Oh, tem-no feito -afirmou Helen. - Acredito que necessitava de uma influncia masculina em sua vida. Desde que Richard... morreu, esteve mais rebelde. Embora 
tenha que admitir que no era muito diferente quando ele estava vivo.
     -Nunca fala dele.
     -Sei.  -Helen suspirou. - Isso me preocupava tambm.
     -Mmm -seu pai estava pensativo. - No parece ter nenhum problema em falar com Milos.
     -Quase no o conhece.
     -Eu no diria isso. -insistiu. - Deveria t-la ouvido conversar com ele na outra tarde quando estava falando com  Alex. Acredito que gosta muito dele. Simplesmente 
eu gostaria que voc sentisse o mesmo.
     -Papai!
     -O que? -levantou as mos para defender-se. - Milos  um bom amigo meu e de Maya. No  razovel que queira que minha filha lhe mostre algum respeito?
     -Respeito-o. -disse bruscamente Helen. - Sinto que pense que fui grosseira. No era minha inteno.
     -No disse que fosse grosseira com ele. -corrigiu-a suavemente Sam. - Mas deveria ver como reage quando menciono seu nome. Pe-te imediatamente na defensiva.
     -No me dei conta disso.  -murmurou ela. - Necessito uma ducha. Importaria-te se...?
     -Acredito que voc o atrai -interrompeu-a Sam.
     -No seja ridculo!
     -O que tem que ridculo nisso? Foi ele quem a convidou para ir a So Rocco, no? No Rhea. Oh sim, contou-me  tudo. Disse-me que pensava que rechaaria o convite 
se tivesse sabido que vinha dele. E o teria feito, no  verdade? Acaba de prov-lo.
     -De acordo, tem razo. Haveria dito que no. No acredito que fosse boa idia deixar que Melissa pensasse que temos algo em comum com pessoas como essas. 
     -Refere a Milos e Rhea? 
     -A quem seno eles?
     -Mas por que? -perguntou Sam. - Que problema tem? Tem medo do que as pessoas diriam se admitisse estar interessada em outro homem menos de um ano depois de 
que seu marido morrera? 
     -No!
     -Ento o que ?
     -Oh, papai! -Pela segunda vez em poucos minutos, Helen utilizou a forma familiar de dirigir-se a seu pai. - Homens como Milos Stephanides no se relacionam 
com... mulheres como eu.
     -Tem toda a razo. -asseverou uma desdenhosa voz atrs deles, e Helen se voltou. Viu como Maya ia a seu encontro atravs da fileira de videiras. A mulher fez 
outro comentrio injurioso em sua prpria lngua e quando seu marido lhe disse algo, acrescentou irritada. - Kalia, est enchendo a cabea a sua filha com tolices, 
Samuel. Quantas vezes tem que te dizer Milos que no est interessado em casar-se de novo? E tampouco em ter aventuras. No  suficiente para ti?
     Helen havia se escapado agradecida de que Maya os tivesse interrompido.
     Nesse momento, enquanto a gua da ducha lhe caa sobre sua acalorada pele, teve que admitir que tinha tido tanta culpa do que ocorreu como Milos. Havia feito 
tudo o que pde para derrubar seu controle, para lhe pr to a merc de seus sentimentos como estava ela.
     E teve xito. Soube que se saiu com a sua no momento no que lhe disse com seu rouca e sexy voz que a desejava.
     estremeceu-se ao recordar o atormentado olhar de Milos quando se aproximou para tomar seu rosto entre as palmas de suas mos. Ento, agarrou-a pela mo e a 
conduziu a seu dormitrio.
     Um dormitrio que tinha sido tudo to encantador como tinha imaginado, recordou Helen com tenso. Havia longas cortinas de veludo nas janelas que faziam jogo 
com o imponente tapete dourada do cho. A cama j estava destapada, com uma colcha pregada primorosamente a seus ps. Havia suaves almofadas e frescos lenis de 
algodo.
     Sua camisa j estava desabotoada e Milos fez uma pausa para puxar os laos de sua cintura antes de deslizar-la pelos ombros. Estava tremendo, recordou, quando 
se desabotoou os jeans, mas no pde lembrar-se de nenhum momento no qual queria ir-se.
     -Voc tambm. -disse Helen, lhe desabotoando a camisa, e Milos a agradou ao tirar-a antes de dispor-se a lhe tirar o suti. Este caiu ao cho, junto  camisa, 
e Milos tomou seus seios com as mos, esfregando com os polegares em seus sensveis mamilos. - Voc gosta? -perguntou.
     -Muito -sussurrou ela, lhe deslizando os braos ao redor da cintura..Os seios estavam colados a seu peito, e o cabelo que crescia ali fazia ccegas e a excitava. 
- Mas quero mais.
     Com mos trementes, Helen recordou ter desabotoado as calas de Milos, antes de pressionar o impressionante vulto por debaixo de sua cueca de seda. Recordou 
o grande e poderosa que era sua ereo.
     Depois, Milos se ajoelhou diante dela, lhe baixando os jeans, e deixando ver as calcinhas.
     Quando ficou de novo em p, baixou-se as calas at as coxas e os tirou com um chute. Helen recordou que esse foi o momento no qual foi consciente de seu prprio 
corpo e do fato de que estava diante dele quase nua.
     Milos tinha tido, e ainda tinha, um corpo magro e poderoso. Fortes membros, um peito musculoso, estmago reto. E luzia um bronzeado natural.
     Seu beijo foi quente e penetrante. Causou um formigamento em uns lbios que ainda estavam inchados pelo assalto prvio. Helen no pde evitar agarrar-se a seus 
ombros quando Milos aprofundou o beijo.
     Milos a empurrou ligeiramente e a levou a cama, lhe murmurando em sua prpria lngua palavras que inclusive nesse momento lhe causavam calafrios de excitao 
que percorriam suas costas...
     Helen saiu da ducha, consciente de que se estava excitada por recordar o que passou nessa noite.
     Quando Milos se estendeu a seu lado, Helen se girou para ele, com a mesma resistncia de uma mariposa a uma chama. Era a primeira vez que via um homem nu.
     -Est-me pondo avermelhado me olhando assim. -disse Milos com voz rouca, ocultando seu rosto entre seus seios.
     -Sim? -recordou haver dito, em uma pattica tentativa  em paquerar, mas as mos de Milos estavam deslizando-se por seu corpo e ela se estremeceu.
     Quando os dedos tatearam nos cachos de sua entreperna, Helen teve que tragar o soluo convulsivo que tinha surido em sua garganta.
     Seus instintos a urgiam a abrir as pernas e lhe deixar entrar nelas, mas sua conscincia lhe fez fechar as pernas.
     -Te relaxe. -disse Milos, lhe mordendo o suave lbulo da orelha. - Simplesmente te relaxe. Sabe que o deseja.
     E surpreendentemente o fez. Quando Milos lhe tirou as calcinhas, Helen arqueou as costas para lhe facilitar as coisas. Ento, de algum jeito, suas pernas se 
abriram e pde sentir sua prpria umidade em suas mos. Milos pressionou com os dedos em seu interior.
     Seu polegar tinha outra tarefa a fazer, acariciando a sensvel protuberncia de sua feminilidade com tal maestria, que Helen alcanou sem esforo o climax quase 
imediatamente.  obvio, ela no sabia o que lhe estava passando. Em comparao era inexperiente, apesar dos esforos de Richard a respeito. Recordou ter rido e chorado 
com assombro quando ele separou suas pernas de novo e ficou em cima dela. To aturdida estava, que quase no sentiu dor quando se introduziu nela. E, embora Milos 
tinha duvidado brevemente quando encontrou a inequvoca prova de sua virgindade, estava muito excitado para voltar atrs. Alm disso, ela no queria que o fizesse. 
Queria-o sentir dentro dela. E, logo, a deliciosa excitao comeou a crescer de novo.
     Helen tremeu nesse momento, comovida por ser consciente de quo precisos eram as lembranas. Era lgico que o que ocorreu depois tivesse amargurado os sentimentos 
que Milos lhe tinha inspirado, mas no era assim. Eram to agudos e devastadores como sempre, causando no s frustrao mas tambm uma dolorosa necessidade dentro 
dela.
     Perguntou-se quantos anos tinha tido Milos naquela poca. Possivelmente vinte e dois? Vinte e trs? Certamente no mais de vinte e quatro. Mesmo assim tinha 
tido uma habilidade e sensibilidade que parecia to natural nele como o respirar. Tinha-lhe dado a experincia mais maravilhosa de sua vida, e a mais comovedora. 
Olhando para trs, era difcil decidir o que era o mais importante.
     Tinha estado segura de que sabia. Milos lhe tinha feito amor com um afeto e uma paixo que nunca tinha experimentado, nem antes nem depois. Com sua sensualidade 
inata, assegurou-se de que ela alcanasse igual satisfao, e quando seu climax fez que se estremecesse em seus braos, ela se alegrou de compartilhar tambm seu 
prazer.
      obvio, a chamada telefnica de Eleni tinha demonstrado ser igual de devastadora. Ou possivelmente destrutiva fosse uma palavra mais apropriada. Sua chamada 
chegou quando Helen estava adormecida sobre as almofadas, e seu corpo e mente estavam ainda saciados por seu delicioso ato de amor; ao princpio no tinha podido 
compreender o que a outra mulher estava dizendo.
     Logo compreendeu, entretanto, e ento se deu pressa em vestir-se e sair dali antes de que Milos sasse do banheiro e tivesse que fazer frente a suas mentiras. 
No se havia sentido preparada para falar com ele. Mas estava absurdamente contente de que Milos tivesse recolhido seu agasalho impermevel do guarda-roupa antes 
de que subissem as escadas. Em sua pressa por escapar antes de que Milos lhe pudesse pedir uma explicao, o agasalho impermevel tinha ocultado seus pecados.
     Recordou ter descido de elevador ao vestbulo e sair do hotel como se o prprio Lcifer lhe estivesse pisando nos calcanhares. Rechaou a oferta do porteiro 
de lhe conseguir um txi. No se tinha atrevido a esperar at que viesse um. Em lugar disso, tinha deslocado quase um quilmetro como uma louca at a estao mais 
prxima de onde poderia tomar um nibus para ir a casa.
     Felizmente, sua me no tinha percebido nada anormal. Helen tinha tido tempo no nibus para terminar de vestir-se, fechar os botes e pentear-se apressadamente. 
Alm disso, tinha chegado em casa antes das dez e meia, como sua me lhe tinha pedido.
     Os dias seguintes no tinham sido fceis para Helen. Cada vez que o telefone soava, corria a respond-lo, desesperada para que sua me no descobrisse quo 
estpida tinha sido. Helen no sabia se podia confiar que Milos no dissesse a sua me que a tinha visto, e embora estava bastante segura de que no diria a Sheila 
o que tinha ocorrido, no queria ter nada mais que ver com ele.
     Logo captou a mensagem, recordou. Humillantemente cedo, na realidade. Oh, Milos insistiu em que tinha que voltar para Atenas porque tinha negcios que atender, 
mas seria verdade?
     Apertou os lbios. " Ele a teria rechaado se tivesse sabido que estava grvida?", perguntou-se. Provavelmente. Como podia ter acreditado nele, acreditando 
que j tinha uma esposa esperando-o na Grcia? Isso teria sido inclusive mais humilhante.
     Em lugar disso, confessou a Richard Shaw o que tinha feito. Fez-lhe acreditar que havia ido a uma festa de um dos amigos de sua me e que tinha bebido muito. 
O que no estava to longe da verdade, observou secamente. S que Milos Stephanides no tinha sido um amigo de sua me.
     Mesmo assim, Richard acreditou, isso era o importante, e quando se ofereceu a casar-se com ela, Helen optou pela sada mais covarde. A nica condio que Richard 
lhe imps foi que devia deixar que todo mundo, inclusive sua me, acreditasse que o beb era dele. E isso tinha parecido um pedido razovel.
      obvio, sua me lhe deixou claro que a tinha decepcionado por haver ficado grvida. Assim o disse, e segundo sua opinio, casar-se com Richard era o nico 
modo para poder salvar sua reputao.
     Entretanto, com dezessete anos, sabia que era muito jovem para dar um passo to importante. A coisa mais sensata teria sido esperar at que o beb tivesse nascido 
antes de tomar decises que alteravam sua vida. Mas no pde fazer isso. No sem apoio, e sua me lhe tinha deixado bem claro sua opinio. E nesse momento, pareceu 
a nica soluo.
     Helen suspirou, tirando a toalha para colocar um suti e uma calcinha. Mas antes de colocar a roupa interior, ficou um momento observando-se no espelho.
     Uma mulher amadurecida lhe devolveu o olhar, e no a inocente moa que tinha sido quando Milos e ela se conheceram. Mesmo assim, no tinha mudado tanto, pensou 
criticamente. Ainda era bastante magra, e se seus seios eram mais volumosos, era porque insistiu em dar o peito a Melissa durante seus trs primeiros meses de vida. 
Seus quadris estavam mais arredondados tambm, e podia ver algumas estria no abdmen. No era uma beleza espantosa, isso era certo. Ento, por que Milos queria v-la 
de novo? Por que a tinha beijado? No havia suficientes gregas que satisfizessem suas necessidades?



Captulo 13
     
     Passaram outros quatro dias at que Milos pde voltar para Santoros. A conferncia tinha sido um grande xito, com vrios pases produtores de petrleo assinando 
um tratado para reduzir a contaminao. Mas devido a isso, todos os delegados tiveram que ficar at o final, o que inclua assistir s celebraes da ltima noite, 
quando as esposas de vrios dos presente acompanharam a seus maridos para um jantar formal de parabns e discursos.
     Milos teria preferido no assistir ao jantar. No tinha vontade de convidar a algum para que o acompanhasse de noite. Mas sendo o representante da companhia 
no pde livrar-se disso, e passou a tarde esquivando as tentativas de seus companheiros delegados de lhe buscar um par.
     Foi um alvio subir a seu helicptero na manh seguinte e saber que no tinha mais compromissos de negcios nos prximos dias. Levava seu computador porttil, 
 obvio, e no tinha dvida alguma de que teria que fazer algumas gestes. Mas, efetivamente, tinha vrios dias de liberdade e tinha a inteno de aproveit-los 
ao mximo. Com Helen.
     Quando o piloto subiu, Milos sentiu uma apreenso que no tinha nada que ver com seu meio de transporte. Era a ansiedade que estava sentindo ao pensar que veria 
Helen de novo, e poderia julgar por si mesmo se o que tinha ocorrido no dia que partiu a Atenas tinha significado algo para ela. E se no era assim, o que ia fazer 
a respeito.
     Como podia sentir algo por uma mulher que tinha mentido constantemente desde que chegou  ilha? E por que? O que estava tentando proteger? Sua culpa? Ou a lembrana 
de seu marido?
     Esse era um aspecto que no tinha considerado antes, e no gostava. Durante os dias passados, sempre que sua mente no tinha estado ocupada, seus pensamentos 
tinham ido constantemente a Helen. E contemplar a possibilidade de que ainda amasse a seu marido falecido rasgava o corao.
     Tambm tinha pensado em Melissa,  obvio, mas em sua mente, o futuro da garota estava to preso ao de sua me que no se preocupou com ela do mesmo modo. Naturalmente, 
queria ser parte de sua vida, e no podia negar que tinha tido em conta o papel que poderia jogar para persuadir Helen para que fizesse o que ele quisesse. Mas no 
era um homem rancoroso, e sabia que forar Helen a uma situao terrvel para ela ameaando-lhe tirar a sua filha no era o que queria.
     Ento o que queria? Perguntou-se enquanto o helicptero sulcava as azuis guas do Egeu. Queria, no, precisava ver Helen de novo. Esse era seu primeiro objetivo. 
Na verdade, no podia esperar para v-la, para falar com ela, para toc-la.
     O piloto aterrissou em Vassilios s doze horas, e como de costume, Stelios estava ali para saud-lo.
     -Bem-vindo de volta, kirieh -disse, lhe saudando na pista de aterrissagem. - Teve uma boa viagem?
     -Muito boa. Andra est bem de sade? Diga-lhe que quero jantar em  casa esta noite?
     -Sozinho, kirieh? -Perguntou amavelmente Stelios enquanto subiam para o terrao.
     -Confirmarei a hora em que queremos jantar mais tarde -continuou Milos. - Agora quero ir para So Rocco para ver minha irm.
     -Kiria Rhea, kirieh?
     _ E quem seno ela? -replicou asperamente, sem pacincia para discutir seus planos. - Se me perdoar, Stelios...
     -Kiria Rhea no est na casa de So Rocco, kirieh -interrompeu-lhe brandamente Stelios enquanto Milos se dirigia para a casa. - Acredito que est em Aghios 
Petros, com Thespinis Melissa.
     -O que? -Milos o olhou furioso, mas no era culpa de Stelios que de repente seus planos viessem abaixo. - No sabia disso. -Provavelmente teria que esperar 
at o dia seguinte para falar com Rhea.
     -Acredito que ela tentou lhe chamar ontem pela tarde.  -Continuou Stelios- Mas o telefone no respondeu.
     -No. -Milos soltou um juramento em voz baixa. Tinha desligado o celular antes de ir ao jantar de despedida. - Simplesmente eu gostaria que me tivesse avisado 
antes de decidir deixar a casa.
     -Acredito que foi uma... como ?... uma deciso de improviso, kirieh. Estava ilocalizvel. Suponho que pensaria que era o melhor.
     -O melhor? -Milos piscou.- O que ocorreu? A casa pegou fogo ou um pouco parecido?
     -No, kirieh. -No havia humor na expresso de Stelios. - Pelo que eu tenho entido, essa se considerou a melhor soluo para todos.
     Milos estava comeando a ter um mau pressgio de tudo isso.
     -A melhor soluo? -exclamou, repetindo outra vez as palavras de Stelios. Mas necessitava de alguma explicao. - Convidou-a... -odiava ter que pergunt-lo- 
Kiria Shaw a ficar?
     -Kiria Shaw? -Ento foi o turno de Stelios de parecer confuso. Um momento depois, sua expresso se normalizou. - Oh, refere-se  filha de Kirieh Campbell.
     -Exato. -Milos tentava conservar a calma. - A jovem que eu trouxe a Vassilios faz quatro dias.
     -Ah -assentiu Stelios. - Pensei que sabia. Kiria Shaw voltou para a Inglaterra.
     Dizer que Milos estava pasmado teria sido uma descrio insuficiente. Sentia-se como se o cho houvesse se aberto sob seus ps.
     -H dito que Kiria Shaw voltou para a Inglaterra? -Perguntou com voz rouca. - Quando se foi?
     -Acredito que partiu no dia seguinte de voc. -replicou Stelios, sem precaver-se da agitao de seu patro. - Isso seria na sexta-feira, no? Sim. Voc se foi 
na quinta-feira pela tarde.
     -Sei quando fui. -disse Milos severamente. - Simplesmente no entendo por que se foi, maldita seja. -Sacudiu a cabea. - Que diabos est passando?
     -No tenho nem idia, kirieh. -disse, mesmo que Milos estivesse seguro de que sabia. - Devo dizer a Andrea que quer comer, depois de tudo?
     -No! -disse Milos franzindo o cenho, dando-se conta de que o ancio se havia sentido ofendido. - Stelios, sei que sabe muito mais do que me est dizendo. Sinto-o 
se falo duramente, mas... bom, isto no  o que esperava encontrar.
     -Suponho que Kiria Shaw tampouco o esperava, kirieh -replicou Stelios. - Agora, sobre o almoo...
     -Vamos -disse Milos vagarozamente. -Somos amigos, no? Estaria-te muito agradecido se me dissesse o que est passando.
     Stelios encurvou os ombros, meio por ressentimento, meio por resignao.
     -Acredito que Kiria Shaw recebeu ms notcias.
     -Que tipo de ms notcias? -Milos franziu ainda mais o cenho. - Tem algo que ver com sua me?
     -Voc disse que no sabia, kirieh. -queixou-se Stelios com recriminao. - Se s queria uma confirmao, deveria hav-lo dito.
     Milos se mordeu a lngua para evitar dar rdea solta a seu aborrecimento
     -No sabia. -disse entre dentes, felicitando-se a si mesmo por sua tolerncia. - Mas como ela  a parente mais prxima de Kiria Shaw, era uma hiptese racional.
     Stelios apertou os lbios um momento antes de falar outra vez.
     -S so rumores. -disse.- Entende isso, no  verdade, kirieh!
     -De acordo. -assentiu Milos. - O que ouviste?
     -Tenho entendido que a me de Kiria Shaw resultou ferida em um acidente de carro, kirieh. -Admitiu o ancio a contra gosto.
     -Est gravemente ferida? -Perguntou Milos, mas Stelios decidiu que havia dito muito.
     -Sugiro-lhe que pergunte a Kirieh Campbell. -disse, recolhendo a mala que tinha posto Milos no cho enquanto estavam falando. - Levarei isto para sua habitao, 
kirieh. Dar-lhe tempo para decidir se querer almoar ou no.
     Apesar do fato de que tivesse preferido falar com Rhea sozinho, Milos foi ao vinhedo essa tarde.
     Foi Maya a que saiu para saud-lo na sua chegada.
     -Querido. -exclamou- No sabia que havia retornado.
     -Voltei esta manh. -disse Milos, perguntando-se como poderia abordar a razo de sua visita. Mas antes de que pudesse dizer alguma outra coisa, Maya falou de 
novo.
     -E foi um xito a conferncia? -perguntou, tomando-o pelo brao para lhe conduzir  casa. - Ouvimos certos detalhes nas notcias da televiso, mas no  o mesmo 
que estar ali...
     -Maya!
     -No  verdade? -continuou Maya, como se Milos no tivesse falado. - Tenho entendido que o discurso que deu foi brilhante. No te felicitou o presidente em 
pessoa por isso? Asseguro-lhe isso, estamos to orgulhosos...
     -Maya! -repetiu Milos, soltando-se da mo de Maya. - Rhea est contigo?
     -Oh, sim, est aqui. -disse Maya, depois de apertar os lbios. - Foi idia de Sam, no minha. 
     -Entendo. Por que?
     -Sabe que Helen voltou para a Inglaterra, no? 
     -Ouvi... ouvi algo. -Concedeu Milos, incapaz de neg-lo. - Sua me teve um acidente, acredito.
     -Sheila. Sim.  -A expresso de Maya era sria. - Sam queria ir com Helen. 
     -E foi?
     -No. Disse-lhe que o fato de que Sheila tivesse tido um acidente no tinha nada que ver com ele. Felizmente, entrou em razo.
     -Possivelmente s queria fazer companhia a sua filha. -sugeriu Milos. - Helen estava muito preocupada?
     -Sofreu uma comoo, suponho. -respondeu Maya, encolhendo-se de ombros. - Pessoalmente, no estou totalmente convencida de que Sheila no tenha causado o acidente 
de propsito. Para comear, nunca quis que Helen viesse aqui.
     Milos tinha imaginado isso, mas pensou que Maya estava sendo desnecessariamente dura.
     -Ningum se provocaria feridas deliberadamente, seja qual for a razo, no achas? -observou brandamente Milos. - Bom, quando vai voltar Helen?
     -No sei. -Maya fez um gesto de rechao. - Possivelmente no volte. Suponho que depende de quo grave esteja sua me e se necessitar ateno constante quando 
sair do hospital.
     -Est em um hospital?
     -Oh, sim. Foram os do hospital os que ficaram em contato conosco. Naturalmente, Helen teve que partir em seguida.
     -Mas Melissa ficou aqui.
     -Sim. Atendemo-la muito bem. -Maya estava impaciente. - Esteve deprimida durante dias, desde o momento no que sua me se foi, na realidade. Acreditava que se 
alegraria de alongar suas frias, mas me equivoquei.
     -Assim  por isso pelo que Sam pediu a Rhea que ficasse?
     -Suponho. Bom, no se preocupe por isso agora. Tome algo e me conte tudo sobre a conferncia...
     -Milos! -A voz excitada de Melissa os interrompeu. - Quando chegaste? Oh, estou to contente de que tenha retornado.
     A garota atravessou correndo o vestbulo de entrada para eles e Milos pensou por um momento que ia se jogar em seus braos. Mas parou bruscamente a um metro 
dele, olhando-o com evidente alvio.
     -Ol, Melissa. -saudou-a, pensando no pouco que se parecia com a adolescente petulante que conheceu no ferri. Seu cabelo liso escuro j no tinha reflexos verdes, 
e seu rosto estava limpo de cosmticos. Parecia bronzeada e saudvel, e se parecia tanto a Rhea, que no podia acreditar que ningum mais percebesse isso.
     Sorriu-lhe timidamente, e Milos se deu conta de que no estava to segura de si mesma como parecia.
     -Mame no est aqui.
     -Sei.
     -Sabe do acidente da vov?
     - obvio que sabe. -exclamou Maya, nada contente com que sua conversa se visse interrompida. - Onde est Rhea? Sabe que seu irmo est aqui?
     -Rhea est em seu quarto. -disse Melissa. Voltou-se para Milos. - Vieste para levar-nos para Vassilios?
     - obvio que no veio para lhes levar a Vassilios. -Replicou Maya secamente. Na realidade, estvamos no meio de uma conversa, Melissa. Por que no vais procurar 
Rhea e lhe diz...?
     -No h nenhuma necessidade disso. -Antes de que repensasse o que ia fazer, Milos agarrou a mo da garota. - Est muito bonita.  -Disse, contente ao ver como 
se acendiam os olhos de Melissa. - Este  um vestido novo?
     -Rhea me comprou isso. -Respondeu, olhando o recortado top e a minissaia com sombras vermelhas e laranjas. - De verdade voc gosta? No  o que estou acostumado 
a usar normalmente.
     -J me tinha dado conta. -Disse Milos com uma careta de regozijo. No se tinha dado conta do muito que tinha querido ver sua filha de novo. - Assim que voc 
gostaria de voltar comigo para Vassilios?
     -Rhea tambm? -Assentiu com iluso Melissa.
     - obvio.
     -Isso estaria genial. -Disse Melissa, soltando sua mo da de Milos e indo para as escadas. - Irei dizer a Rhea.
     -Suponho que te deste conta de que s est tratando por todos os meios de satisfazer os desejos dessa garota. -murmurou Maya quando Melissa saiu disparada para 
ir procurar da outra garota.
     -Sente-se sozinha. -Disse Milos depois de soltar um suspiro, no querendo ter uma discusso com sua prima.
     -No o estamos todos? -Replicou Maya ressentida. - Desde que essa mulher e sua filha vieram aqui, Sam no tem nada de tempo para Alex e para mim.
     -Isso no  verdade, Maya. -sem eles sab-lo, Sam tinha entrado pela porta exterior enquanto ela estava falando, e nesse momento dirigiu a sua esposa um olhar 
de recriminao. - Helen e eu temos muitos anos que recuperar. No acredito que tenha que te zangar porque eu lhe dedique umas quantas semanas de meu tempo.
     -No. -Disse resmungando Maya, mostrando que ainda tinha sentimentos. Parecia envergonhada. - Sei que tem boa inteno, Sam. Mas quanto tempo esperas que fiquem? 
Acreditava que fossem vir por uns quantos dias, duas semanas como mximo. Em lugar disso, est falando como se quisesse que ficassem aqui toda a vida.
     -Eu gostaria. -Sam foi o suficientemente sincero para admiti-lo. - Mas isso no vai acontecer, no? Sua me nunca estaria de acordo com isso. Assim estou aproveitando 
a mximo o que tenho.
     Milos invejou o otimismo sem complicaes de Sam. Estava comeando a dar-se conta do que havia perdido. Deveria ter falado, repreendeu-se a si mesmo, antes 
de ter sado para Atenas. Se no tivesse estado to ocupado com suas prprias necessidades, seus prprios desejos, haveria dito a Helen que queria a ela e a sua 
filha.
     Uma hora mais tarde, teve a oportunidade de falar com  Rhea. Com  Melissa nadando na piscina de Vassilios, puderam falar sem serem ouvidos.
     -O que aconteceu exatamente? -Perguntou Milos, referindo-se ao acidente de Sheila Campbell.
     -Bom, segundo seu pai, a me de Helen estava indo em marcha r nesse momento. Aparentemente uma caminhonete que vinha pela estrada a golpeou. Deu-lhe no lado 
e ficou preensada contra o volante.
     -Theos, ento foi grave? -disse Milos com uma careta de dor.
     -Pois sim. -Rhea lhe deu um olhar. - Acreditava que no era?
     -Oh... -Milos sacudiu a cabea. - S foi algo que disse Maya. Segundo ela...
     -Pensou que foi uma coisa preparada de antemo. -Terminou ela por ele. - Sim, ouvi isso tambm, mas no  verdade.
     -Assim... Sam teve notcias dela desde que voltou para a Inglaterra? -titubeou Milos.
     -S uma vez. -disse Rhea, franzindo o cenho enquanto se untava abundantemente de protetor solar nos braos. - Chamou a seu pai depois de ter estado no hospital 
a primeira vez. Disse que ningum podia lhe dizer quanto tempo ia estar ali sua me. Sente que no esteja aqui. -No foi uma pergunta. - Por que tenho a sensao 
de que h algo que no me est dizendo?
     -No posso imaginar o por que. Entretanto, sugeriria-te que Melissa e voc permanecessem aqui at que sua me volte. H mais lugar, e Melissa adora a gua.
     -Seu av no vai estar de acordo com isso. -Continuou. - Apesar do que Maya opine, tem a determinao de estar em contato com elas de agora em diante. 
     -No vou questionar isso.
     -Est apaixonado pela Helen? -perguntou Rhea. -Se estiver, no achas que eu deveria sab-lo? Em especial se, como parece,  assim h anos.
     -Estou seguro de que Helen no te disse isso.  -O olhar de Milos voltou para sua irm.
     -No. -Suspirou Rhea. - Mas consegui que admitisse que se conheceram faz anos.
     -O que est dizendo? -Milos franziu o cenho. 
     -Bom, s que no o mencionou quando nos apresentou.  um segredo?  porque estava casada ento? -disse Rhea, um tanto ruborizada. E seu irmo ficou horrorizado.
     -O que te disse exatamente? -perguntou Milos, tratando de acalmar seu pulso acelerado.
     -Bom, admitiu que estava casada quando se conheceram. -Rhea se encolheu de ombros. Seus olhos se abriram burlonamente. -  um uva sem semente, Milos. Acredito 
que vs dois tiveram uma aventura.
     -No houve nenhuma aventura. -Milos sacudiu a cabea.
     -Mas houve algo. Admite-o. -Rhea o olhou com olhos cheios de cumplicidade. - No sou estpida. Quando admitiu que se conheceram quando foi a Inglaterra, foi 
uma simples questo de somar dois e dois.
     -E fazem trs. -Disse Milos secamente. - Esquece-o, Rhea. Equivocaste-te completamente.
     -Como? E por que disse trs? -A jovem franziu o cenho. - . No queria dizer cinco?
     -No, quero dizer trs.  -disse Milos asperamente. - Theos, Rhea, no sei o que Helen te contou, mas no estava casada quando nos conhecemos. Nem sequer estava 
grvida.
     Muito mais tarde nessa noite, Milos estava sentado no terrao, bebendo um usque escocs de uma garrafa de seu pai. Aristteles sempre pedia usque de malte 
quando vinha de visita, e normalmente Milos tinha vrias garrafas na casa.
     Essa noite, entretanto, sentiu a necessidade de um algo mais forte que seu habitual copo de ouzo. Estava de um humor horrvel, causado pelo conhecimento de 
que tinha despido sua alma a Rhea. No tinha tido a inteno de lhe contar nada sobre Melissa, mas de algum modo no tinha podido conter-se. A necessidade de defender 
tanto sua prpria reputao como a de Helen superou qualquer dvida latente que pudesse ter.
     E sua irm tinha sido maravilhosamente pormenorizada, mesmo que admitisse que no se havia dado conta da semelhana entre Melissa e ela. Aquilo no o tranqilizou 
exatamente, esmigalhado como estava por suas prprias dvidas. O que aconteceria se tivesse cometido um engano? E se depois de tudo Melissa fosse a filha de Richard 
Shaw?
     Rhea tinha persuadido Sam para que permitisse s duas garotas passar a noite em Vassilios. Tinha posto como desculpa querer falar com Milos sobre seus estudos, 
e Sam esteve de acordo em que a Melissa vinha bem trocar de ares.
     Ambas as garotas estavam na cama nesse momento, e sua governanta estava desfrutando da novidade de ter hspedes na casa para variar. Andrea tinha filhos e netos 
prprios, e sempre se alegrou quando um dos irmos de Milos passava a noite ali.
     Milos se ps outra bebida e olhou o relgio.  luz dos faris que penduravam no terrao, pde ver que era mais tarde que meia-noite. Hora de estar na cama, 
pensou, embora no estava cansado. Estava abatido depois dos acontecimentos dos ltimos dias, mas supunha que sua mente estava muito ativa para descansar.
     -Milos.
     No tinha ouvido o som de passos atrs dele. E era compreensvel, j que Melissa estava descala. Usava um pijama muito curto de Rhea. Milos se perguntou quanto 
tempo tinha estado ali observando-o.
     -Ei. -disse Milos, deixando de um lado o mau humor e levantando-se da cadeira onde tinha estado sentado. - O que est fazendo fora da cama?
     -No podia dormir.  -disse Melissa, dando um passo para frente. - Posso me sentar contigo um momento?
     Milos se absteve de dizer que ia dormir e lhe indicou uma cadeira a seu lado.
     -H latas de suco de laranja na geladeira, se quiser uma.
     -No quero nada.  -Melissa se deixou cair na cadeira estirando suas pernas nuas. - Hmm, isto  agradvel. Pensei que haveria muitos mosquitos.
     -Lhe d tempo. -disse Milos secamente, voltando-se para sentar. - Assim... por que no podia dormir? Est preocupada com sua av?
     -Suponho.  -Melissa encurvou os ombros. - Achas que ficar bem?
     -Os mdicos podem fazer maravilhas.
     -Voc acha? -Melissa fungou pelo nariz. - Espero que tenha razo. -Titubeou um momento e acrescentou depois. - Ela gosta de mim, sabe? Refiro-me a minha av. 
E alm dela e mame, no tenho a ningum mais.
     -Seguro que isso no  verdade. H muita gente que se preocupa contigo. O que me diz de seu av?
     -Sam? -Melissa refletiu um momento, mas ento sacudiu a cabea. - No, s esto mame e minha av.  -disse, com uma desalentadora convico. - Odeio os acidentes, 
voc no? No h nenhum aviso nem nada. S... s uma chamada telefnica do hospital.
     -Suponho que  muito duro para ti.  -Disse amavelmente. - Depois do que ocorreu a... a seu pai.
     -Refere a Richard.  -A cabea de Melissa se afundou ainda mais entre os ombros quando falou. - Richard Shaw no era meu pai.  -Acrescentou. - Disse-me isso 
dois anos antes de morrer.




Captulo 14

     Eram mais de dez horas quando Helen chegou em casa. As horas de visita do hospital tinham terminado fazia tempo, mas tinha feito uma parada para comprar comida.
     A enfermeira encarregada do caso de sua me tinha sido otimista com que Sheila Campbell pudesse voltar para casa nos prximos dois dias. A ferida da cabea 
tinha sarado bem, e embora ainda tinha uma grave dor de cabea, um brao quebrado, e vrios cortes e contuses, no estava grave.
     Sheila tinha estado inconsciente quando a levaram ao hospital, e se falou de fraturas de crnio e um possvel coma. A ferida da cabea tinha sangrado profusamente, 
embora asseguraram a Helen que isso era normal. Entretanto, sua me tinha parecido to grave como Helen a tinha imaginado.
     Durante os dias passados, entretanto, a situao tinha mudado consideradamente. Assim que Sheila recuperou a conscincia, tinha sido bvio que as feridas no 
eram graves como em um princpio se temeu.
     Essa tarde, avisaram a Helen para que se preparasse porque iam dar alta a sua me. A enfermeira tambm avisou a Helen de que Sheila necessitaria uns dias para 
acostumar-se a cuidar de si mesmo.
     O que significava que no poderia voltar para Santeiros. Deveria alegrar-se por isso, pensou. As coisas entre  Milos e ela eram muito complicadas.
        Enquanto revolvia a bolsa para encontrar a chave, sentiu algum atrs dela. Repreendendo-se a si mesma por no ter tirado a chave no txi que tomou do supermercado, 
voltou-se bruscamente, preparada para usar temerariamente suas compras como uma arma se tivesse que faz-lo.
     Deixou cair a bolsa de plstico um momento depois. Viu a cara de Milos e imediatamente ps-se a chorar.
     Milos no tentou consol-la. Em lugar disso, encontrou a chave e abriu a porta para que pudesse entrar. Ento recolheu a bolsa do cho.
     Tomando um leno da bolsa, Helen se secou as lgrimas, humilhada por que a visse assim. Mas tinha sido muito: a comoo do acidente de sua me e suas conseqncias, 
e nesse momento a apario de Milos. Supunha que necessitava desesperadamente a algum que a reconfortasse. Mas duvidava que obtivesse algum consolo dele.
     O que estava fazendo ele ali?
     Depois de acender a luz, cruzou o vestbulo e se dirigiu  cozinha. Ele a seguiu.
     -Obrigado. -disse Helen enquanto Milos deixava a bolsa na mesa. - Mas foi uma coisa muito estpida.
     -Tivesse sido menos estpido se te tivesse falado? -perguntou, e Helen se encolheu de ombros.
     -Provavelmente no. -Corroborou laconicamente Helen. - Uma chamada telefnica teria sido mais razovel.  -ergueu os ombros e lhe fez frente. - O que est fazendo 
aqui a estas horas da noite?
     -No teria sido a estas horas da noite, como diz, se tivesse chegado em casa na hora esperada.  -disse brandamente, depois de suspirar. - Como ia saber que 
ias s compras to tarde?
     -Estive no hospital at as oito horas. -Disse Helen na defensiva. Seus lbios seguiam tremendo, mas fez um esforo por acalmar-se. - Voc... no esteve l, 
no? -acrescentou ansiosamente.
     -No. -Respondeu-lhe Milos, olhando-a zangado.
     Helen estava aliviada. Podia imaginar o que sua me teria pensado se Milos tivesse aparecido ali, sem avisar.
     -Mas te estive esperando aqui desde... Oh... -olhou seu relgio. - Das oito e quinze, suponho.
     -Por que esperaste duas horas para ver-me? -Helen o olhou com incredulidade.
     O rosto de Milos expressava claramente o que pensava de sua pergunta. Mas decidiu no provoc-la.
     -Pensei que era hora de que falssemos. -disse. - Tivemos xito em evitar o tema at agora, mas felizmente, no teremos interrupes esta noite.
     -No... Poderia esperar at manh? -perguntou. - Estou muito cansada.
     -Posso o ver. Como est sua me? Ouvimos que est muito melhor.
     -Por que falas no plural? -Helen tragou saliva.
     -Refiro-me a seu pai, a Melissa e a mim. Sam chamou ao hospital na manh em que fui. Disseram que estava evoluindo bem.
     -Ento no necessita que te diga como est. -Disse Helen asperamente. - Vou fazer um ch para mim. Quer um?
     -Como poderia me negar ante to generosa oferta? -observou secamente Milos. - Ento poderemos falar do tema que me trouxe at aqui? Estou bastante cansado... 
e tenho frio.
     -Oh! -Helen se deu conta que no tinha pensado no fato de que era uma fria e chuvosa noite. - Sinto muito. Quer que acenda a calefao?
     -Isso no ser necessrio. -Assegurou-lhe Milos. - Com uma bebida ser suficiente.
     -Bom, temo que no temos bebidas alcolicas.
     -Me basta um ch. -Disse zangado. Franzindo o cenho, acrescentou. - Comeste algo esta noite?
     -Comi um sanduche. -respondeu Helen, encolhendo-se de ombros.
     -Um sanduche? -Milos soou aborrecido. - E estiveste comendo sanduches desde que voltou?
     -Acredito que isso  assunto meu, no acha? -Replicou Helen, franzindo os lbios. - Pelo fato de que pense que temos algum tema pendente...
     -No acredito.  -Espetou Milos. - Theos, Helen. Quanto tempo pensava que podia continuar com isto?
     -Continuar com o que?
     -No... finja que no sabe do que estou falando.
     -No o fao.
     - uma mentirosa. -disse-lhe Milos asperamente. - Me ias dizer alguma vez que Melissa  minha filha?
     -O que... h dito? -perguntou Helen, com a boca aberta.
     -Perguntei-te quando ias me dizer que sou o pai de Melissa. -disse duramente. - No precisa neg-lo. O sei faz algum tempo. Acreditaste sinceramente que podia 
lev-la a Santoros sem que eu desobrisse por mim mesmo a semelhana?
     Helen teve que sentar-se. Procurando uma cadeira, deixou-se cair. Ele sabia, pensou Helen desesperadamente. Sabia que Melissa era sua filha. Oh, Meu deus! Ele 
haveria dito a ela tambm?
     -Onde est o ch? -perguntou-lhe ele.
     -H saquinhos  de ch a dentro. -disse Helen, assinalando a caixinha para o ch. - O...o bule est ao lado.
     -J o vejo. -disse Milos com tom montono enquanto jogava saquinhos no bule. - De acordo. -disse. - Leite e acar?
     Quando lhe ps na frente a xcara de ch quente, Helen se sentiu o suficientemente forte para elev-la a seus lbios e tomar um gole reparador. Milos se sentou 
escarranchado em frente a ela.
     -Se... o disse a Melissa? -perguntou Helen, incapaz de evitar a pergunta.
     -Suponho que isso  o que esperas que eu faa. -disse friamente. - Depois de tudo, sou o homem que te deixou grvida e te abandonou.
     -Assim... fez-o? -Helen estava tremendo.
     -Fisika okhi!  obvio que no. Ao contrrio do que evidentemente pensa de mim, respeito-te muito para tal coisa. Embora o porqu deveria faz-lo depois de tudo 
do que ocorreu me deixa francamente assombrado.
     -Obrigado -disse Helen, depois de umedecer os lbios.
     - isso tudo o que tem que dizer? -perguntou. - Obrigado? Theos, Helen, no achas que me mereo mais que isso?
     -No vou pedir perdo pelo que fiz.  -disse com voz rouca. - Pensei que estava casado, lembra-te?
     -Como poderia me esquecer? -Milos franziu o cenho. - No esqueci o papel de Eleni nisto. Se o tivesse feito, estaria fazendo frente a algo mais que a meu aborrecimento.
     -Serve de algo se tento explicar por que... fiz o que fiz e me casei com Richard?
     -Estou escutando, no?
     -Suponho. -Helen suspirou. - Parecia a nica soluo. Richard queria casar-se comigo, e optei pela soluo mais fcil.
     -E acreditava Shaw que estava grvida dele? -perguntou Milos.
     -No! Ele sabia que no era dele... que ela no era filha dele. Richard era meu noivo, mas no nos tnhamos deitado. -baixou a cabea. - Mas voc sabe.
     -Sim.  -Milos franziu ainda mais o cenho. - Quando mudou de opinio?
     -Mudou de opinio? -Helen estava confusa . - Mudou de opinio sobre o que?
     -Sobre seu papel como pai de Melissa. Quando decidiu lhe contar a verdade?
     -No sei do que est falando. Melissa ainda acredita que Richard era seu pai.
     -No.  -A negativa do Milos removeu a terra. - No acredita.
     Helen no pde manter-se sentada por mais tempo. Comeou a ir de um lado ao outro da cozinha, tentando assimilar o que lhe tinha contado. Mas no podia acredit-lo. 
Por que Richard faria uma coisa como essa? E se o fez, por que Melissa no o tinha mencionado alguma vez?
     Sua me no tinha duvidado nunca da paternidade de Melissa. No se tinha queixado sempre de que era igual a seu pai, especialmente quando tinha problemas no 
colgio?
     O que lhe recordou como Richard se negou sempre a aceitar alguma responsabilidade no comportamento de Melissa. Uma atitude que tinha piorado muito nos ltimos 
meses, recordou Helen. Oh, Deus, poderia ser verdade? Richard teria dito a Melissa que era fruto de uma aventura de sua me?
     Helen cruzou a habitao de novo para aproximar-se de Milos e escolheu cuidadosamente as palavras.
     -Como... sabe isso? No estou dizendo no que acreditas,  obvio. Mas quem te diria tal coisa?
     -Quem voc acha que me disse isso?
     -Minha me?
     - Foi Melissa. Ela me disse isso.
     -Por que ia te dizer algo assim?
     -Bom, no pelas razes que est pensando.  -replicou Milos, depois de respirar profundamente. - E sim, me acredite, estive tentado a lhe dizer quem era realmente 
seu pai. Mas, como disse antes, no pude faz-lo. Apesar de que quero reconhec-la, essa informao tem que vir de ti, no de mim.
     Helen se sentiu aturdida. No podia assimilar tudo. Poderia ser possvel que essa fosse a razo pela qual o comportamento de Melissa houvesse se tornado to 
incontrolvel nos ltimos anos?
     -Melissa te contou quando Richard o  disse? -perguntou Helen, aceitando que Milos lhe estava dizendo a verdade.
     -Dois anos antes de que morresse. -Milos se afrouxou os botes da jaqueta. - Diz que lhe avisou de que no lhe dissesse isso.
     -Mas por que? -Helen comeou a chorar. -Por que Richard faria uma coisa como essa?
     -Amargura? Cimes? Melissa diz que Richard lhe ameaou lhes deixar se  insinuasse que conhecia a verdade.
     -No comeo foi bom comigo. -protestou, depois de sacudir a cabea. - Quando Melissa era um beb, parecia bastante feliz.
     -Foram? -perguntou Milos, olhando-a. - Alguma vez te perguntaste quo diferente teria sido se tivssemos estado juntos?
     -Como se isso pudesse ter ocorrido alguma vez!
     -Por que no? -Milos jogou a cadeira a um lado e ficou de p.
     -Oh, no seja ridculo! -Helen se afastou, incapaz de olh-lo quando se sentia to rasgada por dentro. - Posso imaginar a conversa se te tivesse chamado e te 
houvesse dito que ias ser pai.  -Fez um esforo por imitar sua voz horrorizada. - O que! No pode ser meu. Pus-me um preservativo. Que engano est urdindo?
     -Essa  a opinio que tem de mim, no? -disse Milos.
     -Que tive.  -Helen no pde dizer sinceramente que tinha a mesma opinio nesse momento. No depois do modo como tinha vindo a ela com a confisso de Melissa. 
- Mas em qualquer caso, minha opinio no  importante. No agora.  -baixou a cabea. - V, sempre tinha pensado que trabalhava para meu pai e no  assim.
     -E  isso significativo?
     Milos estava atrs dela nesse momento. Helen podia sentir sua acalorada respirao em sua nuca, sentir o calor de seu corpo enviando calafrios a sua espinha 
dorsal.
     -Voc o que acha? -perguntou, tentando manter a compostura. Em uma v tentativa por lhe distrair, acrescentou. - Ainda no me contaste como Melissa confiou 
em ti. No acredito que se conheam to bem.
     -Oh, conhecemo-nos melhor desde que voltei de Atenas.  -disse Milos brandamente, roando as ombreiras de sua jaqueta com a mo e fazendo que ela se encolhesse 
de medo. - Quando descobri que tinha voltado a Inglaterra, foi uma oportunidade que no podia perder.
     -Aposto que sim.  -murmurou Helen.
     -Joga-me a culpa? -perguntou enquanto seus dedos acariciavam a curva de seu pescoo com inquietante familiaridade. - Pode que voc no goste, mas parece que 
Melissa e eu nos damos muito bem.
     -Estou surpreendida de que meu pai te animasse. -disse Helen, depois de agentar a respirao um momento. - No pensou que era um pouco estranho que queria 
passar um tempo com ela?
     -No foi assim.  -disse Milos. - Tinha a desculpa de que queria ver Rhea. Ficou no vinhedo, fazendo companhia a Melissa enquanto estiveste fora.
     -Entendo. -Helen tentou que seus provocadores dedos no a distrassem. - Foi amvel de sua parte.
     -Rhea  amvel.  -disse Milos, encontrando o pulso de Helen, que palpitava justo por debaixo de sua orelha, com o polegar. - Todos os Stephanideses podem ser 
amveis... se o permite.
     -Isso inclui a ti, suponho.
     -Especialmente a mim.  -corroborou Milos, inclinando a cabea dela para trs at que descansou contra seu ombro. - Quer que lhe demonstre isso?
     -Isso no ser necessrio.  -dando-a volta, Helen ps uma distncia entre eles. - Simplesmente me diga o que quer de mim.  -acrescentou, colocando os braos 
na cintura de maneira protetora. - Estou cansada.  muito tarde para jogar a jogos de palavras.
     -No  nenhum jogo. Pensei que te alegraria por ver-me. Aparentemente me equivoquei.
     -Se te refere ao que ocorreu em Vassilios... -Helen sacudiu a cabea.
     - obvio que refiro ao que ocorreu em Vassilios. -interrompeu asperamente Milos. - Theos, como poderia ter alguma dvida?
     -Pensava que tinha vindo para me contar o que sabia sobre Melissa.  -Helen tomou flego tremendo.
     -Isso tambm. E para te perguntar se sabia que seu marido o havia dito.
     -No sabia.
     -Acredito-te.  -franziu o cenho. - Mas temo que temos outras coisas do que falar.
     -Ainda... no me disse por que Melissa te contou isso.
     -Maldita seja! -disse Milos. - Pode esquecer Melissa s por um momento? Estou cansado tambm, mas no vou a nenhum lugar at que tenhamos a oportunidade de 
falar sobre ns!
     -Sobre ns? -repetiu fracamente Helen enquanto seu corao martelava contra as costelas.
     -Sim, sobre ns -disse Milos com voz apagada.
     Elevou-lhe o rosto e cobriu sua boca com a sua.
     Helen no esperava que fosse beij-la.
     A cabea lhe deu voltas e se agarrou a ele impotente, necessitando de sua fora para evitar cair. Milos abriu as pernas para aproxim-la mais, e ela se apertou 
contra ele, procurando seu calor e proteo, com a lasciva necessidade que tinha estado negando durante tanto tempo.
     O beijo pareceu durar uma eternidade.
     -Theos -disse com voz rouca quando finalmente elevou a cabea. - est-me deixando louco!
     Com outro juramento afogado, deu uns passos para trs e levantou ambas as mos no ar.
     Helen permaneceu ali sentindo-se totalmente desamparada.
     -Continua.  -disse Milos. - Diga que sou um bastardo. Isso  o que est pensando, no  certo?  o que sempre pensaste sobre mim.
     -Est equivocado. -Helen escolheu cuidadosamente as palavras. - Simplesmente no sei por que o fez.  -fez uma pausa. - Tanto me odeia?
     -No te odeio!-queixou-se Milos.
     -Ento...
     -Olhe. Contarei-te da Melissa, se for isso tudo o que quer. -murmurou, antes de que ela pudesse continuar. Procurando a cadeira em que havia se sentado escarranchado 
antes, caiu sobre ela, apoiando os cotovelos sobre os joelhos, e embalando o queixo entre as mos. - Na noite que voltei de Atenas, Rhea persuadiu  Sam para deixar 
que as duas garotas passassem a noite em Vassilios. No podia dormir porque... bom, porque no podia dormir, de acordo? Melissa tampouco podia, assim... falamos.
     Helen desejou tambm ter uma cadeira para poder sentar-se, mas ficou onde estava.
     -Do que falaram?
     -Do que achas que falamos? -perguntou Milos, depois de fazer uma careta. Com dificuldade, Helen tentou concentrar-se no que estava dizendo Milos. - De ti, de 
sua av, do acidente. Estava preocupada. Disse que sua me e voc eram as duas nicas pessoas que realmente se preocupavam com ela. -Milos torceu os lbios. - E 
como pensa que isso me fez sentir?
     -Bastante mal. -murmurou Helen, que podia imaginar-lo. Milos a respondeu com um olhar.
     -E isso nem se aproxima. -disse. -Disse-lhe que devia ser duro ter que tratar com outro acidente to pouco tempo depois de que seu pai tivesse morrido.
     -E o que disse ela? -Helen tragou saliva.
     -Que Richard no era seu pai. -disse Milos severamente. - Suponho que esteve esperando muito tempo para dizer a algum.
     -Oh, Deus! -Helen se levou as mos s bochechas. -Se o tivesse sabido.
     -Sinto muito. -disse ele, tremendo. - Tem todo o direito de estar zangada comigo.
     -No estou zangado contigo. -protestou, depois de soltar um gemido. A tomou pela mo de novo e puxou ela para si, at p-la entre suas coxas abertas. - Mas 
te d conta agora do por que no podia esperar que voltasse para Santoros? Tinha que falar contigo. Tinha que lhe contar isso.
     -No... no posso voltar para Santoros. -titubeou Helen. - Minha me sair do hospital em um dia ou dois, e tenho que estar aqui com ela.
     -Isso  o que eu temia.  -disse Milos, depois de soltar um sonoro suspiro. Levou uma das mos de Helen a seus lbios e pressionou sua boca contra a palma . 
- Assim... necessito que me assegure que dir  Melissa que sou seu pai quando... voltar da ilha. No imediatamente, possivelmente. Mas acredito que me deve isso, 
pelo menos.
     -O direi. -assentiu Helen.
     -Obrigado. -Milos a olhou cansadamente. - Acreditaria-me se te digo uma coisa mais?
     -Prova. -disse ela.
     -De acordo. -Milos tomou as duas mos de Helen na suas. - Esperava que pudssemos salvar algo da confuso que temos feito com nossas vidas.
     -No tem que fazer isto, sabe.  -Helen segurou a respirao.
     -Fazer o que? -Milos franziu o cenho.
     -Fingir que se sente atrado por mim, para me persuadir a te deixar ter acesso a Melissa. -Helen continuou com a cabea em alto. - Ela  sua filha, Milos. Tem 
todo o direito de exigir v-la.
     Milos empurrou Helen e ficou de p abruptamente.
     -Voc... -mordeu-se a lngua para no dizer um juramento. - Acreditas sinceramente que iria to longe para te fazer amor para te forar a me dizer a verdade?
     -No sei o que acreditar. -defendeu-se a si mesma, Helen. Sentiu as pernas instveis. - No te conheo o suficientemente bem para decidir.
     -Ento possivelmente deveria.  -disse Milos, passando ao seu lado. - Olhe, tenho que ir.  tarde e estou morto de cansao. Possivelmente poderamos falar de 
novo amanh. Chamarei-te pela manh. Quando tiver ordenado minha mente.
     - No tem que ir. No se no quiser. Refiro-me... temos muitas camas de sobra aqui.
     Milos parou na soleira da porta.
     -No pode estar falando a srio. -disse duramente. - No pode pensar sinceramente que poderia compartilhar uma casa contigo sem compartilhar a cama? -sacudiu 
a cabea impacientemente. - Fala com sentido, Helen. Depois do que acabo de dizer, no me pode oferecer tranqilamente uma cama para dormir de noite!
     -Por que no? -o pulso de Helen estava indo muito rpido.
     -Voc sabe por que no.  -repetiu asperamente Milos. - Theos, Helen, achas que poderia te haver perdoado por me arrebatar os primeiros treze anos da vida de 
minha filha se no me importasse? No sou um santo, Helen. Sou um pecador. Queria-te quando eras muito jovem e inocente, e ainda te quero.
     -Ento... por que no me disse isso? -perguntou Helen, que estava pasmada.
     -Quando? Quando estava tentando me pr ciumento com seu noivo rico, ou quando lutava comigo como uma tigresa?
     -No... tentei te pr ciumento. -protestou Helen, olhando-o incrdula. - No faria uma coisa assim. -titubeou. - Voc tambm me importa muito.
     -E se supe que tenho que acreditar nisso? -Milos se parou frente a ela.
     -Sim. Sim.  a verdade. -Helen duvidou s um momento antes de cobrir o espao entre eles. - Tem que me acreditar. -disse, olhando-o com os olhos bem abertos 
e suplicantes. Agarrou seu brao. - Falava a srio quando disse isso? De verdade me quer?
     -Sim, de verdade. -os dedos de Milos se fecharam ao redor dos braos de Helen, atraindo-a para si. - Quanto tempo perdemos! -acrescentou, roando levemente 
seus lbios com a lngua.
     Ela gemeu quando sua lngua se afundou profundamente em sua boca, e o desejo serpenteou como um fogo em seu estmago.
     De algum modo, sua saia lhe tinha subido, e as mos de Milos acariciavam suas coxas nuas. Estava contente de estar usando meias e no meias-calas ajustados.
     -Est mida. -disse Milos com voz apagada, e ela estava to excitada, que no sentiu nenhum rubor por sua invaso.
     -Voc me faz estar assim.
     -Deseja-me de verdade. -disse Milos, lhe desabotoando a camisa e descobrindo seu sutio de renda. - Mas leva muita roupa. -acrescentou com voz rouca. - O que 
era isso que disse de que me oferecia uma cama para dormir esta noite?



Captulo 15
     
     Horas mais tarde, Helen despertou a Milos ao meter-se na cama. Ele se deu conta de que tinha dormido sentindo uma incomum sensao relaxante. E uma deliciosa 
sensao de satisfao. No podia recordar haver-se sentido  to satisfeito como se sentia nesse momento... devido  Helen.
     Piscando pela plida luz que se filtrava atravs das cortinas corridas, viu como colocava uma bandeja com ch na mesinha de noite. Estava vestida com um robe 
de seda com um profundo decote e que permitia dar um olhar  tentador a suas coxas nuas.
     Imediatamente, seu corpo respondeu, e uma onda de calor invadiu sua virilha.
     -Trouxe-te ch.  -disse Helen. - No o ch que voc fez. -acrescentou. - Esse estava to frio como o gelo.
     -Bem diferente de mim. -disse Milos secamente, incorporando-se. - Que horas so? No pode ser j de dia?
     -Temo que sim. -o sorriso de Helen era triste. - So quase as oito horas da manh.
     -Mas ainda no  de dia. -replicou, tocando seu robe. - Mmm, isto tem um tato agradvel. Tire isso.
     -No posso. -disse Helen, com a boca aberta.
     -Claro que pode. -disse Milos. E embora obviamente Helen no estava acostumada a despir-se diante de ningum, desatou obedientemente o cordo da cintura e deixou 
que o objeto casse livremente.
     -Sim, isso est muito melhor. -murmurou com aprovao, com a mo na nuca. - Agora vem aqui.
     Helen no pde negar-se. Milos cobriu sua boca com a sua e a jogou contra os travesseiro.
     Um gemido de puro prazer vibrou em seu peito quando separou suas pernas com as coxas e pressionou sua ereo contra ela.
     -Sabe quanto te quero? -perguntou Milos, detendo-se em seu avano.
     -No me faa esperar. -gritou.
     Ento Milos emitiu um sufocado som de derrota. O devastador roar de seus dedos frios sobre seu quente membro quase lhe enviou ao limiar da loucura, e com um 
afogado juramento de submisso, penetrou-a.
     -No tenho nenhuma proteo. -murmurou Milos, apartando-se dela, mas ela enroscou suas pernas ao redor de sua cintura e o insistiu a continuar.
     -Importa-te? -Helen respirou enquanto passava sua lngua pelos lbios de Milos, e seus dedos acariciavam a barba de trs dias de seu queixo. - Simplesmente 
faz-o, Milos. Sabe que o quer.
     No tinha argumentos para isso, pensou Milos, afundando-se de novo nela e sentindo seus hbeis msculos fechando-se em torno de seu sexo. Quase queria deix-la 
grvida. Era um modo para assegurar-se de que permaneceriam juntos, e nesse momento era o nico que lhe importava.
     Chegou ao climax uns momentos mais tarde que Helen. Esvaziou-se dentro dela, estremecendo-se ante a fora de suas emoes. Nunca tinha experimentado nada semelhante, 
e se teria alegrado muito se tivesse podido permanecer o resto do dia na cama.
     Mas minutos mais tarde Helen estava tentando sair de debaixo dele.
     -Sinto muito, mas tenho que ir.
     -Aonde? -Milos franziu o cenho. -  muito cedo para visitar o hospital, no  certo?
     -Tenho que ir ao trabalho,  ver Mark e lhe dizer que necessito outras duas semanas de frias.
     -Mark? -Milos franziu ainda mais o cenho- Mark o que?
     -Mark Greenaway. -replicou Helen, colocando a tnica. -  meu chefe. Levou-se muito bem comigo desde que Richard morreu. Sabia que ia estar fora um par de semanas, 
mas agora necessito mais tempo para cuidar de minha me quando voltar a casa.
     -Est casado? -Milos apertou a mandbula.
     -No.
     - ele o rico noivo de que falou Melissa? -perguntou Milos, consciente da desacostumada sensao de aborrecimento ante a idia. - Quero sab-lo.
     -Ele... preocupa-se comigo, sim. -disse Helen, depois de soltar um suspiro.
     -Pediu-te que te case com ele? -inquiriu Milos, depois de respirar profundamente.
     -Importa isso? -disse com voz entrecortada Helen.
     - obvio que importa. Quero conhecer que tipo de competio h.
     -No h nenhuma competio. -disse com voz rouca Helen, depois de sacudir a cabea. - Acreditava que sabia isso.
     -Ento se te pedisse que te casasse comigo? O que aconteceria? -perguntou Milos.
     -Mas no o perguntaste. -indicou brandamente Helen. - No quero que faa algo do que possa te arrepender simplesmente porque pensa que eu possa me sentir atrada 
pela proposta de Mark. Rechacei-o uma vez, e o rechaarei de novo, d igual o que acontecer.
     Ento, ficando de joelhos, elevou seu queixo e lhe perguntou.
     -Far-o? Te casar comigo, refiro-me?  o que quero mais que qualquer outra coisa.
     
     Voaram de volta a Santoros no avio privado de Milos dois dias mais tarde. Instalaram  me de Helen na parte traseira do avio na cama que Milos usava s vezes 
nas viagens de longa distncia, e com uma enfermeira para atender suas necessidades. Milos no estava seguro de como se sentia Sheila sobre o fato de que sua filha 
tivesse concordado em casar-se com um dos scios de seu ex-marido, mas felizmente concordou que a transportassem  vila de Milos para completar sua recuperao.
     O nico que importava a ele era que Helen fosse feliz. E o era com delrio. Tinha comunicado sua demisso na Companhia de Engenharia Greenaway. Tinha ido sozinha 
para dizer a Mark Greenaway. Mesmo que Milos tinha querido desesperadamente ir com ela, conteve seu cimes, e a deixou ir sozinha.
     Naturalmente, disseram a todos menos a Melissa. At que Helen no tivesse falado com  Melissa pessoalmente, isso seguiria sendo um segredo. Milos no tinha 
nem idia de como reageria a garota, mas, acontecesse o que acontecesse, eram uma famlia e isso tinha que significar algo. Especialmente para ela.
     O avio aterrissou no aeroporto mais prximo a Santoros, e o helicptero de Milos estava esperando-os para transport-los at a ilha.
     -Cansada? -perguntou amavelmente Milos a sua prometida, ajudando-a a subir ao helicptero. - Logo chegaremos.
     -No mais que voc. -respondeu-lhe ela com voz rouca, incorporando-se para lhe dar um quente beijo. - Estou um pouco dolorida, mas satisfeita.
     Milos sentiu ento uma onda puramente carnal, e seus dedos se fincaram na palma de sua mo.
     -No deveria dizer coisas como essas quando no posso fazer nada a respeito. -seus olhos se obscureceram. - No posso esperar mais para te mostrar nosso dormitrio.
     -No ser seu dormitrio? -perguntou Helen picaramente.
     -No, ser nosso dormitrio. -corrigiu-a com voz apagada. - Vamos. Sua me est esperando.
     
     Melissa estava esperando-os em Vassilios. Stelios e ela foram saudar-los logo que o helicptero tocou terra. O piloto baixou os degraus e Milos foi na frente 
para ajudar a sua futura sogra a descer. Deu-se conta com preocupao de que Sheila tambm parecia um pouco cansada, mas ento Melissa os viu e saiu correndo para 
eles.
     -Ei, vov -exclamou, sorrindo a Milos antes de abraar a sua av. - Viajando com todo luxo, eh?
     -Sim, foi amvel da parte de Milos me oferecer sua casa para me recuperar. Entretanto, suponho que me acostumarei a vir aqui de agora em diante.
     -Far-o? -disse Melissa, um pouco perplexa. Olhou a Milos um pouco confusa. Ento, recordou as boas maneiras e acrescentou. - Bom, como est? Seu brao est 
de quebrado verdade?
     -Sim. -confirmou Sheila com ar satisfeito enquanto Milos temia que dissesse algo que no devia.
     Ento, para seu alvio, Helen saiu do helicptero, e Melissa duvidou s um momento antes de ir saudar sua me.
     -Ainda no contamos a Melissa sobre nosso casamento. -disse em voz baixa Milos.
     -Por que no? -perguntou Sheila, olhando-o com os olhos bem abertos.
     -No tivemos a oportunidade.
     -H telefones em Santoros, no  certo? Inclusive tm celulares.
     -Queramos dizer-lhe juntos. -disse Milos entre dentes. - Me faa... nos faa o favor de no dizer nada. Ao menos por um tempo.
     -Isso foi idia de Helen? Manter sua relao em segredo? Ou foi tua? -Sheila elevou as sobrancelhas a modo de brincadeira.
     -No  um segredo. -disse Milos severamente. - Temos a inteno de dizer-lhe esta noite.
     -Se voc o dizes. -Sheila pousou seus olhos sobre Stelios, que estava a uns metros de distncia, acrescentou. -  esse seu mordomo, Milos? Estaria agradecida 
se pudesse me mostrar minha habitao.
     Milos ocultou um sorriso ao pensar o que Stelios pensaria se o chamassem "mordomo". Mas era um alvio ter uma desculpa para faz-la entrar na casa. Susie Peel, 
a enfermeira de Sheila, deu-se pressa para alcan-los, e para quando Helen e Melissa o alcanaram, outros j tinham cruzado o terrao.
     -Vai ficar tambm, mame? -perguntou Melissa quando os trs foram para a casa.
     -Sim. -respondeu Helen, depois de dar um rpido olhar a Milos.
     -Oh, bem. Isso significa que tambm posso ficar aqui, no  certo? -perguntou Melissa, olhando a Milos. - No sei o que Sam vai dizer, mas suponho que o superar.
     -Bom, no quereria que sua av se alojasse em sua casa. -murmurou secamente Helen.
     -No, suponho que no. Importam-se se eu for ver a vov e lhe digo o que passa? Quero ver o que pensa de seu dormitrio. Andrea lhe deu uma habitao com vista 
ao mar.
     -Isso est bem, no? -disse Helen, depois de olhar a Milos para obter confirmao. - Voc poderia me mostrar onde vou dormir.
     -Sim, eu gostaria de v-lo tambm.  -disse Melissa. - Espero que seja uma das habitaes prximas  minha. Mas todos os dormitrios so bonitos aqui.
     -Por que em lugar disso no vais procurar Andrea e pergunta a que hora espera servir o almoo? -sugeriu Milos. - Pode ver sua av depois de que se instalou.
     -Por que? -perguntou Melissa, franzindo os lbios por um momento. - Existe alguma razo pela qual no deveria ir v-la? -titubeou. - Ela est bem, no  verdade? 
No  vai... morrer, ou algo assim?
     - obvio que no. -disse Helen, e Milos pde ver que ela tambm estava perplexa por sua atitude. - Mas se isso  o que... Milos quer que faa...
     -Oh, de acordo. -mas Melissa estava ressentida. - S espero que no tenha que agentar um monto de regras enquanto estejamos aqui. Se for assim, eu gostaria 
de voltar para vinhedo. Embora Maya me odeia.
     -Maya no te odeia. -disse Helen em seguida, e Milos decidiu que era hora de contar algo a ambas.
     -Maya no  to m quando se a conhece. -disse Milos. - Mas o vinhedo  importante para ela, e quando sua me e voc apareceram, teve medo de que Sam pudesse 
mudar de opinio a respeito de deixar-lo a Alex.
     -Quer dizer que tem medo de que Sam nomeie a mame sua herdeira? -disse assombrada Melissa.
     -Algo parecido. -confirmou Milos, incapaz de resistir em pr uma mo no ombro de Helen, mas Melissa no se deu conta. Estava muita absorta no que havia dito.
     -Mas isso  uma tolice. -disse. - Mame no sabe nada vinhedos enquanto que Alex o tem feito toda sua vida.
     -Exato. -assentiu Milos.
     -No tinha nem idia. -disse ento Helen. - Assim por isso...
     -Ela estava desejando livrar-se de ti? -Milos torceu o gesto. - Como algum mais que conheo, est acostumado a falar quando no deve.
     -Refere-te para mim? -perguntou indignada Melissa.
     -No. -disse amavelmente Milos. - Ir agora ver Andrea, como te pedi?
     Quando Melissa os abandonou, Milos levou rapidamente Helen a seu escritrio. Ento, depois de fechar com chave a porta, abraou-a e enterrou o rosto em seu 
ombro.
     -Theos, necessitava-o. -disse quando elevou a cabea para olh-la. - No tem nem idia de quanto.
     -O que acontece? -perguntou Helen. - Ocorreu algo? Sam no estar criando problemas, no?
     -Bom, ainda no. -disse Milos secamente. - Ser outra coisa como vai se sentir quando lhe contar sobre Melissa.
     -Eu o direi. -ofereceu-se Helen em seguida, mas Milos sacudiu a cabea.
     -No. Tenho que faz-lo eu -disse Milos com determinao. - Esse  meu problema. Sua me  o teu.
     -O que ela fez ? -Helen baixou os ombros.
     -Esteve a ponto de dizer a Melissa sobre o nosso casamento.-fez uma careta. - No se preocupe, disse-lhe que no o fizesse.
     -Ento achas que deveramos dizer-lhe em seguida a Melissa?
     -Logo que seja possvel. -confirmou Milos. - Graas a Deus, Sheila no sabe nada mais.
     -Que assim seja. -disse Helen. . O que digo quando Melissa perguntar onde  meu quarto?
     -Boa pergunta. Bom, como no sabe onde est meu dormitrio, no acredito que isso v ser um problema. No at manh, possivelmente.
     -Quando nos encontrar juntos? -perguntou tentativamente Helen, e Milos torceu o gesto.
     -Quando nos encontrar juntos. -assegurou-lhe, e beijou Helen.
     Helen estava desfazendo a mala no dormitrio de Milos quando Melissa entrou. Milos tinha ido ver Sam. No se atreviam a dar a Sheila a oportunidade de revelar 
a notcia, e burlar-se de seu ex-marido com tal privilegiada informao.
     -Ei, que quarto! -disse Melisssa, aproximando-se da cama. - Milos deve querer te impressionar.
     -Verdade que  bonito? -admitiu ruborizada Helen. - Est longe de teu quarto?
     -To longe como  possvel. -disse secamente Melissa. - Estou na asa oposta, perto de onde puseram a vov. O que foi isso de que tinha que esperar at que estivesse 
instalada antes de poder ir ver-la? Parecia como se Milos tivesse medo de que dissesse algo que no devia.
     -Estou seguro de que Milos no se referia a nada disso. -disse Helen, pensando o fcil que era fazer uma idia completamente equivocada. - Provavelmente estivesse 
pensando em sua av.
     -Voc acha? -Melissa considerou isso por um momento e ento disse astutamente. - De todos os modos, vocs dois parecem se dar melhor ultimamente. Quero dizer, 
fiquei surpreendida quando Rhea disse que pensava que a vov e voc iam ficar aqui.
     -Bom, simplesmente pareceu a melhor soluo. -disse incmoda, depois de respirar nervosamente. - E tem que admitir que h mais espao aqui.
     -Oh, sim -Melissa se deixou cair pesadamente outra vez na cama, observando como colocava a roupa que tinha tirado das malas em cima da lounge a seus ps. -Eu, 
no  essa minha camisa? E essas so minhas calas. Por que os trouxeste aqui?
     -Simplesmente pensei que poderia necessit-los. -disse sua me sensatamente. - Como vamos ficar muito mais tempo do que originalmente planejamos, decidi traz-los.
     -Mmm.
     Para consternao de Helen, Melissa saltou da cama de novo e foi abrir a porta do armrio da entrada.
     -Poderia colocar sua roupa aqui.  -comeou a dizer, voltando para olhar a sua me com olhos acusatrios. -Ei, j h roupa dentro. Roupa de homem.
     -Sei.  -o corao de Helen se afundou, mas tinha que ser sincera.
     - roupa de Milos. -disse, evidentemente reconhecendo algo dele, franziu o cenho e se voltou para sua me de novo. - O que est acontecendo? Por que as roupas 
de Milos esto aqui?
     -Suponho que as deixou aqui. -disse depois de sacudir a cabea. - Esta  o quarto dele, depois de tudo.
     -Uau! -Melissa a olhou. - Quer dizer que renunciou a seu prprio dormitrio por ti?
     -Algo assim.  -disse, depois de suspirar, desejou que Milos estivesse ali nesse momento.
     -V! No me diga que esto juntos!
     Helen duvidou. No era o modo ideal de dizer-lhe mas estava segura de que Milos no a culparia por isso.
     -Importaria-te se fosse assim? -perguntou com voz rouca, e Melissa soltou um grito incrdulo de excitao.
     -Est brincando? -exclamou. - Isso significa que vamos viver em  Santoros para sempre?
     -No.
     -Por que no?
     -Porque Milos passa parte de seu tempo em Atenas. Tem... negcios ali.
     -Petroleiros, sei. Contou-me isso. - Bom, isso no importa. Atenas est bem.
     -Me alegro de que pense assim.
     -Assim  verdade? Deitam-se juntos?
     -Melissa!
     -Bom, fazem-no?
     Melissa estava esperando uma resposta e Helen no pde fazer outra coisa a no ser admitir que o faziam.
     -Mas vamos nos casar. -acrescentou rapidamente, precisando legitimar o enlace. - Logo que os pais de Milos voltem de seu cruzeiro.
     -Ei, no me importa. -disse Melissa, rodeando a cama e abraando afetuosamente a sua me. - As pessoas no precisam casar-se para provar que se querem. De qualquer 
modo, imaginava o que estava passando. No sou ingnua, sabe?
     -Obrigado. -Helen olhou a sua filha com olhos midos.
     -Por que me est agradecendo?
     -No sei. Simplesmente por ser voc, suponho. -disse Helen. - Pode ser muito sensvel s vezes, Mellie.
     -No me chame de Mellie. -exclamou desgostada Melissa, fazendo uma careta. - Espera at que Milos volte. Lhe vou perguntar quais so suas intenes.
     -No te atrever! -Helen estava horrorizada.
     -Por que no? Ele vai ser meu pai, no? -Melissa soltou uma risadinha tola.
     -Bom, sim. - Titube Helen. - Sobre seu pai...
     -Refere a Richard.
     -De acordo, Richard. -Helen se mordeu um lbio. - Milos me contou sobre isso... Oh, Melissa, por que no veio para ver-me quando Richard te disse que no era 
seu pai?
     -Se Milos tiver falado contigo, sabe por que.
     -Mas voc era mais importante para mim que Richard. -protestou Helen furiosamente. - E se tivesse sabido o que te disse, lhe teria abandonado.
     -Teria-o feito?
     - obvio que sim. -exclamou, abraando cordialmente Melissa. - Sempre foi o mais importante para mim. Pensava que sabia.
     -Mas voc no amou a meu pai real, no? Quero dizer, se o tivesse feito, teria-te casado com ele, no  certo? Estava j casado, mame? Foi por isso pelo que 
no pde te casar com ele? Richard disse que eu fui o resultado de uma aventura de uma noite e que voc nem sequer sabia quem era o meu pai.
     -Oh, Deus!  obvio que sei quem  seu pai. Eu... era virgem antes... de te ter.
     -E estava casado? -perguntou Melissa.
     -Pensava que sim. -admitiu com tristeza. - No descobri que estava equivocada at... muito recentemente.
     -Ento quem ? -perguntou ansiosamente Melissa. - Me diga. Conheo-o? Oh, Deus! No  Mark Greenaway, no  certo?
     -No. No  Mark Greenaway. Quem voc gostaria que fosse? -perguntou Helen, depois de sacudir a cabea.
     Procurou desesperadamente uma sada, um modo de no dizer-lhe at que Milos estivesse ali.
     -Ainda no me quer dizer isso, no? -disse Melissa, franzindo o cenho.
     - claro que quero. -Helen fez um gesto impotente. - Simplesmente responde primeiro  pergunta.
     -Bom, vejamos -murmurou mal-humorada. - Que tal o prncipe Carlos, hmm? Ou possivelmente Brad Pitt? Embora imagino que a sua atual noiva no gostaria disso.
     -Melissa!
     -Oh, de acordo.  -Melissa se afastou dela e andou para as janelas. - Bom, suponho que a pessoa mais bvia seria Milos. Quero dizer, ele  jovem, bonito e rico. 
E obviamente se preocupa contigo.
     -Boa escolha. -disse Helen, depois de segurar o flego.
     -De acordo. -disse Melissa. - J te divertiste. Agora, por que no me diz quem  realmente?
     -Porque sabe. -disse uma voz benditamente familiar atrs dela.
     Milos deixou a jaqueta em cima da cama, e ento, depois de dar um olhar cheio de compreenso a Helen, foi ao encontro de sua filha ao lado das janelas. - Sinto 
por te decepcionar pelo prncipe e demais, mas sou eu.
     -Est brincando, no  certo? -disse, depois de ter aberto a boca com incredulidade.
     -Aparento estar brincando? -disse Milos elevando as sobrancelhas.
     -No. -Melissa sussurrou a palavra, e Helen teve que dominar-se para no atravessar a habitao e abraar a sua filha. - Voc...  meu pai? E o soubeste desde...
     -De um par de dias depois de que viesse. -disse-lhe sinceramente Milos. - Me acredite, tambm foi uma comoo para mim.
     -Mas voc sabia antes. - disse acusadoramente Melissa a sua me. - Soubeste-o toda minha vida e nunca me havia isso dito.
     -No podia... -comeou a dizer Helen, querendo explicar que Richard tinha enganado a ela tambm, mas Melissa no lhe permitiria continuar.
     -Voc sabia. -disse de novo, colocando as mos sobre os ouvidos para bloquear algo que outros pudessem dizer.  - Voc sabia e no me disse isso. Oh, Meu deus!
     Se foi antes de que algum deles pudesse par-la, atravessando correndo a habitao e saindo pela porta com lgrimas no rosto. No silncio que seguiu a sua sada, 
Helen se afundou na cama e se cobriu o rosto com as mos.
     -Oh, Senhor, nunca me vai perdoar!
     - obvio que o far. -Milos estava assombrosamente acalmado, considerando as circunstncias. Deu-lhe um breve mas maravilhosamente tranqilizador abrao. - 
Deixe isso para mima, agapi mu. Me acredite, comparado com seu pai, ela vai ser fcil de convencer!
     
     Helen e Milos se casaram seis semanas mais tarde na pequena capela do imvel dos Stephanides.  cerimnia, que foi bastante simples, assistiram os familiares 
mais prximos e os amigos, vrios ilhus foram para desejar ao filho de seu patro todo o melhor.
     A me de Milos teria preferido uma cerimnia muito mais ostentosa. Teria querido que se casassem na catedral de Atenas, com toda a pompa e boato que tivesse 
suportado, mas nem Milos nem Helen quiseram esperar.
     Inicialmente, Helen tinha tido medo de no agradar aos pais de Milos, que eles acreditassem que era uma caa fortunas, que a existncia de Melissa causasse 
consternao e no alegria. Mas no poderia ter estado mais equivocada. A descoberta de que tinham uma neta tinha voltado a balana a seu favor. Athene tinha confessado 
que tinham perdido a esperana de que Milos lhes desse netos alguma vez.
     
     A me de Helen tinha tomado a notcia de maneira muito diferente. Com um de seus presumidas sorrisos, manteve que havia imaginado todo o tempo quem era o pai 
de Melissa. Nunca disse nada devido  associao de Milos com seu ex-marido.
     Helen no soube at muito mais tarde, quando foi procurar Melissa no dormitrio de Sheila, e sua filha anunciou que j lhe tinha contado a sua av quem era 
Milos.
     Houve um momento de tenso quando Melissa continuou dizendo que no queria ficar em Vassilios e que queria ir-se com seu av. O resultado foi que Milos em pessoa 
levou a garota ao vinhedo, desafiando a raiva de Sam pela segunda vez nesse dia. O pai de Helen no tinha querido envolver-se, mas Melissa era sua neta e concordou 
em que ficasse ali um par de noites.
     Helen estava destroada quando Milos voltou. Estava convencida de que nada nem ningum poderia reparar a grande brecha que existia entre sua filha e ela.
     Durante muito tempo, tinha tido que tomar todas as decises concernentes a Melissa totalmente sozinha, e ter a algum mais para compartilhar a carga era um 
alvio.
     Helen nunca descobriu o que Milos disse a sua filha para faz-la mudar de idia. Fosse o que fosse em um par de dias, Melissa voltou para Vassilios com a bno 
de seu av, e o retorno dos pais de Milos completou com xito a reconciliao.
     O casamento foi mgico. O pai de Helen concordou em acompanh-la ao altar, e Melissa se deixou persuadir para ser dama de honra. Helen encontrou alvio ao ver 
que o aborrecimento de seu pai com Milos por ser o pai de Melissa no durou. Os enganos que tinha cometido Sam em sua prpria vida lhe tinham feito compreender o 
dilema de Milos, e aceitou que ele amava de verdade a sua filha, e que provavelmente sempre tinha sido assim.
     
     Tudo tinha sido to diferente de seu primeiro casamento, pensou mais tarde Helen, estando na coberta do iate de Milos. Naquela ocasio, teve lugar no tribunal, 
com  Sheila Campbell e a me viva de Richard como nicas testemunhas.
     Iam passar a lua de mel fazendo um cruzeiro pelo Mediterrneo enquanto Melissa permaneceria em Vassilios com  Rhea e a me de Helen.
     Tinham-lhe dado a me da Helen a opo de ficar na ilha ou de voltar para a Inglaterra. Sem preocupaes monetrias, Sheila poderia ir e vir a seu desejo, e 
isso obviamente adorava.
     -Pode-te arrepender disso. -havia- dito secamente Sam a Milos, mas este lhe assegurou que Santoros era o suficientemente grande para todos eles.
     -Em qualquer caso, ns... quer dizer, Helen, Melissa e eu... passaremos a metade do ano em Atenas. -havia dito Milos brandamente. - Melissa tem que ir ao colgio, 
sabe.
     Milos tinha deixado o iate ao cargo de seu eficiente capito e foi a seu encontro. Helen apoiou a cabea no ombro de Milos.
     -Contente?
     -Sim. -disse radiante. Inclinou a cabea para ele. - E voc?
     -Bom, vejamos. -franziu o cenho e foi deslizando a ala do vestido de Helen por debaixo do ombro enquanto falava. - Estou casado com a mulher a qual amei a 
maior parte de minha vida e ela me quer. Temos uma filha que, apesar de causar uma que outra dor de cabea,  estupenda, e sem dvida alguma demonstrar ser uma 
grande irm mais velha de qualquer futuro filho que pudssemos ter. -acariciou-lhe o pescoo com o nariz. - Sim. Diria que sou... muito feliz.
     -Isso est bem. Mas sabe o que h dito sobre algum futuro filho? -tomou flego de forma nervosa. -Possivelmente no devamos esperar muito tempo para descobri-lo.
     -Quer dizer o que acredito que quer dizer? -perguntou Milos, aproximando seu rosto ao seu.
     -Importa-te? -sussurrou enquanto o olhava.
     O grito de jbilo de Milos ressonou na imensido do mar.




fim
